Rita Clemente ganha mostra comemorativa no CCBB

Diretora e atriz mineira completa 15 anos de carreira

por Estado de Minas 20/10/2016 20:03

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Bianca Aun/Divulgação
Programação inclui quatro peças, incluindo uma montagem inédita. (foto: Bianca Aun/Divulgação)

 

O CCBB abriga neste mês mostra em comemoração aos 25 anos de carreira da dramaturga, diretora e atriz mineira Rita Clemente. Ela se alegra com a homenagem, mas faz algumas correções: a carreira da atriz de ''49,9 anos'' (completa 50 em 15 de novembro) começou enquanto brincava de ser atriz, na infância. A segunda observação de Rita é que a mostra é, na verdade, ''a comemoração de estarmos juntos''.

Ela se refere ao time de artistas que a acompanham na produção dos quatro espetáculos que serão apresentados – Matinê e 19:45, além da inédita ...Ricochete. O caráter coletivo dos espetáculos extrapola os quesitos técnicos. A ligação entre as pessoas e o ambiente ao redor delas é um conceito que guia a visão de vida de Rita e move o enredo das duas peças mais recentes que ela escreveu e dirige, 19:45 e ...Ricochete, que fazem parte do estudo dramatúrgico Bala perdida.

 

De olho nas coincidências, ela afirma que existe matemática guiando a existência humana: ''Matematicamente, se eu me atraso ou me adianto, as coisas acontecem''. Em 19:45, a ''brincadeira quantificadora'' de Rita resulta em um acidente de bicicleta. Dois personagens, mãe e filho, da peça de 2015, reaparecem na nova montagem, desta vez envolvidos em um tiroteio.

Foi justamente uma coincidência que alçou Rita ao seu primeiro papel no teatro profissional, em 1990, na peça infantil Vida de cachorro. A atriz que originalmente subiria ao palco, sob direção de Carlos Rocha, era Cida Fallabela, mas ela estava grávida, e Rita a substituiu. A estreia marcou a entrada de Rita na Cia. Sonho & Drama, que ela considera uma das melhores de BH. ''Foi muita sorte participar.''

 

Desde então, ela passou por várias companhias de teatro mineiras, como a Luna Lunera e o Grupo Espanca!. Além disso, deu aulas de teatro durante nove anos na própria escola em que se formou como atriz, o  Cefart. Um grupo de ex-alunos do centro forma a Miúda Cia., que a acompanha em 19:45.

Rita é afeita à academia, mas acredita que o estudo teórico é válido até o ponto em que possibilita transformar o conhecimento em prática. ''A escola não faz artista, mas abre caminhos'', afirma.

O cinema é outra arte que chama a atenção dela. Uma das grandes influências na composição das peças do estudo Bala perdida é a produção argentina. Rita relembra o formato de antologia do filme Relatos selvagens (2014), de Damian Szifron, que a inspirou durante a criação de 19:45. O filme, tão violento quanto bem-humorado, tem elementos caros a ela: ''Fatalidade e humor estão juntos''. Não é um humor que cause gargalhadas, ela explica, mas a ''surpresa risonha'' das coincidências, que são aquilo que, afinal, aliadas ao talento, movem a ''delicada luta pela criação'' de Rita Clemente.

25 – MOSTRA COMEMORATIVA RITA CLEMENTE
Até segunda, às 19h: Amanda. De 27/10 a 3/11, Matinê. De 3 a 7/11, 19h45. De 10 a 14/11: ...Ricochete. No CCBB, Praça da Liberdade, 450, Funcionários, (31) 3431-9400. R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

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