Grupo cria peça para bebês de até três anos e meio

'Achadouros' é baseada em obra de Manoel de Barros e tem 30 minutos de duração; haverá quatro sessões em BH neste fim de semana

por Mariana Peixoto 14/10/2016 11:11

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.

DIEGO BRESSANE/DIVULGAÇÃO
DIEGO BRESSANE/DIVULGAÇÃO (foto: DIEGO BRESSANE/DIVULGAÇÃO)

Já na casa dos 80, o poeta Manoel de Barros (1916-2014) decidiu dividir suas memórias em três livros. A intenção era tratar da infância no primeiro, da juventude no segundo e da maturidade e velhice no terceiro. Porém, quando Memórias inventadas foi publicado (o primeiro volume é de 2005, os outros dois dos anos subsequentes), Barros decidiu que não seria capaz de escrever sobre outras épocas da vida que não os primeiros anos. “Só tive infância”, teria dito.

Tanto por isso, Memórias inventadas ganhou o subtítulo As infâncias de Manoel de Barros. O volume de poemas ganhou uma edição para crianças, publicada há cinco anos. Este livro inspirou o encenador José Regino, mineiro de Corinto, radicado em Brasília, e as atrizes Caísa Tibúrcio e Nara Faria a montar Achadouros.

A peça, que estreou em 2015 na capital federal, chega a Belo Horizonte para quatro apresentações, sábado (15) e domingo (16), no CCBB. Mas atenção: o foco da peça são os bebês. A montagem, que não dura mais de meia hora, é a terceira que José Regino cria para nenéns – ou para crianças na primeira infância, de até três anos e meio. A sessão pode receber até 100 pessoas – cada criança pode ser acompanhada de um adulto.

“O espetáculo traz uma trajetória narrativa, mas está aberto à construção que cada pessoa pode fazer. As atrizes mesclam as próprias experiências de canto, circo, teatro de bonecos e trabalho de corpo”, conta José Regino.

SACOLINHAS Em um cercado de madeira, no meio de duas mil sacolinhas plásticas, as atrizes conduzem a plateia às memórias da infância. As tais sacolinhas, reaproveitadas a cada apresentação, vão ganhando formas, seja de animais (galinha, cachorro, peixe), de rio e até de um oceano.

“Começávamos os ensaios sempre lendo Manoel de Barros. Não para recriar os poemas dele, mas como fonte de inspiração”, explica o diretor. Achadouros (título de um poema de Barros) é o terceiro espetáculo de José Regino para bebês.

O processo de construção de cada montagem é basicamente o mesmo. “Na creche, começamos observando as crianças. Rapidamente, elas se acostumam com você e passam a ignorá-lo. Daí, você consegue acompanhá-la no dia a dia. Depois de um tempo, vamos interagindo. E, a partir disso, passamos a ensaiar as estruturas narrativas. Por meio de sua reação, as crianças nos diziam se o trabalho estava bom ou não. É um exercício de observação, convívio e experimentação”, conclui.

ACHADOUROS
Sábado (15) e domingo (16), às 11h e às 16h. CCBB, Praça da Liberdade, 450, Funcionários, (31) 3431-9400. Entrada franca. Senhas serão distribuídas meia hora antes de cada sessão. Capacidade da sala: 100 lugares.

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE TEATRO