Grupo Cultura do Guetto apresenta espetáculo Exit, o primeiro exclusivo para o teatro

Formado por apaixonados por dança urbana que batalham por apoio nos sinais de BH, bailarinos venderam até bombom e feijoada para bancar o sonho

por Ângela Faria 12/10/2016 10:30

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Pablo Bernardo/divulgação
Dançarinos do Cultura do Guetto criaram coreografia para ser apresentada no palco (foto: Pablo Bernardo/divulgação )
Sob o sol ou debaixo de chuva, eles não desistem: jovens dançarinos fazem dos sinais de trânsito de BH a sua “lei de incentivo à cultura”. A grana arrecadada com performances de sábado na esquina de Rua Alagoas com Avenida Getúlio Vargas, na Savassi, ou no cruzamento de Rua da Bahia com Avenida do Contorno, no Bairro Santo Antônio, financia viagens para disputar concursos no Rio de Janeiro, São Paulo e Santa Catarina. Nesta quarta-feira, porém, o palco será outro: o Grupo Cultura do Guetto (CDG) apresenta pela primeira vez um espetáculo idealizado só para teatro.


Exit
é criação coletiva de 15 dançarinos, sob direção do coreógrafo Gladstone Navarro. Surgido nos bairros Paraíso e Pompeia, na Região Leste de BH, o grupo nasceu da união de garotos apaixonados por street dance. Em 2006, Navarro e um amigo decidiram participar de uma disputa de dançarinos. Deu certo. O boca a boca a respeito do trabalho da dupla atraiu jovens interessados em aprender – e exibir – seus próprios passos.


Cultura do Guetto “causou” na extinta boate Phoenix, no Padre Eustáquio, e começou a receber convites para competir em BH, São José dos Campos, Goiânia, Rio de Janeiro e São Paulo. Em 2009, Gladstone Navarro fez audições para atrair dançarinos. Ao perceber a necessidade de preparar melhor a turma, montou uma espécie de oficina. O CDG esperava 20 interessados, apareceram 100.


“Self made coreógrafo”, aquele morador do Pompeia fez vários cursos pelo Brasil com craques da dança urbana norte-americana. Virou professor do projeto Valores de Minas, hoje dá aula em estúdios e academias.

PÁTIO Navarro e os companheiros não têm patrocínio, “paitrocínio” ou apoio de leis de incentivo. No início, ensaiavam no pátio de uma escola pública no Pompeia. Depois, o grupo contou com a solidariedade de Mauro Fernandes, que emprestou o salão da academia Incomodança, no Carlos Prates. Atualmente, o CDG treina seus passos na Escola Municipal Belo Horizonte, no Bairro São Cristóvão, e no Núcleo Artístico Floresta. O projeto, que reúne cerca de 80 pessoas, atua em três frentes: desenvolve trabalho autoral, participa de competições e forma dançarinos.


“Do nosso grupo participam brancos, pretos e amarelos, gente com dinheiro e sem dinheiro, homens, mulheres, gays e bis”, resume Navarro. Há quem nem tenha grana para a condução, mas não falta aos ensaios.


Exit custou cerca de R$ 45 mil – entre aluguel do Teatro Bradesco, figurinos, cenários, etc. Metade veio das campanhas na rua, do festival de feijoada promovido pelo CDG e da venda de tortinhas e de bombons – feitos pelos próprios integrantes. Navarro espera pagar Exit com a bilheteria das duas sessões de hoje. Se tudo der certo, vai dar para cobrir os R$ 45 mil. Dificilmente sobra para o cachê.


A montagem que estreia hoje não é mera transposição dos passos de batalhas de dança urbana para o palco. A estética difere daquela exibida nas ruas. A proposta é apresentar um espetáculo propriamente dito, explica Navarro. Movimentos, plasticidade e composição coreográfica surgiram tanto das ideias dele quanto dos bailarinos Alexis Santos, André, Grigorio, Augusto Cesar, Carlos Balarini, Cleber Junior, Davidson Mendes, Everton Leonardo, Gina Luisa, Jessica Dutra, Marcelo Mendes, Wanderson Silva, Wellison Izaías e Wendel Castro. A trilha sonora foi composta por Danilo Bourog, com letra de Well MC.

FID O grupo espera que Exit o credencie a participar de eventos como o Fórum Internacional da Dança (FID) e o Verão de Arte Contemporânea (VAC), vitrines de novas propostas artísticas. Também pretende buscar respaldo em editais e leis de incentivo.

Navarro sonha concretizar um antigo projeto: mesclar a dança urbana, nascida nos Estados Unidos, com maculelê, mangangá e manifestações tipicamente brasileiras. Exit é só o primeiro passo. “Fizemos tudo sem patrocínio, batalhamos a grana. A gente vai acontecer”, afirma o mineiro, confiante.


EXIT
Com Grupo Cultura do Guetto. Teatro Bradesco.  Rua da Bahia, 2.244, Lourdes. Hoje, às 18h e às 20h. Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada). Informações: (31) 3516-1360.

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