Ligado a séries de sucesso, Miguel Falabella apresenta peça em BH no próximo fim de semana

Miguel Falabella volta aos palcos com God, prepara nova série para a TV e revela que adora 'bordar' seus textos. Ator, dramaturgo e diretor, ele garante: ' riso é a gasolina do espírito'

por Helvécio Carlos 01/10/2016 06:00

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Arte EM/Janey Costa
(foto: Arte EM/Janey Costa)
Miguel Falabella não é homem de meias palavras. E muito menos de olhar para trás. “Sou para a frente. A vida não tem retorno, e tenho muita coisa para fazer. Por isso, não avalio ninguém, não fico nostálgico com o passado”, resume o ator, diretor e dramaturgo, que estará de volta a BH, no próximo fim de semana, para apresentar God, seu novo espetáculo.

Nome ligado a séries de sucesso na TV – Pé na cova, Toma lá dá cá e Sai de baixo – e a peças que entraram para a história – Submarino (1997); Louro, solteiro, alto, procura (1994); A partilha (1990); e As sereias da Zona Sul (1987) –, Miguel garante: não se arrepende de nada.

“Fiz uma carreira com muita coerência”, resume, afirmando ter respeito pela relação construída com os fãs. “O amor do público ninguém tira, isso é muito bacana. E como as novas gerações são respeitosas... Meu maior orgulho é, definitivamente, ter criado uma relação bacana com o público. No aeroporto, no shopping, as pessoas não me tratam como estrela de televisão ou do teatro. É como se fosse um amigo”, observa. “Não tenho problema, a não ser quando alguém chega de maneira grosseira. Sou muito espontâneo. Se não posso, digo que naquele momento estou resolvendo algum problema”, revela.

Certa vez, em uma crítica de jornal, Lionel Fischer escreveu que a plateia recebe Miguel, em cena, com a alegria de quem revê um amigo da vida toda. Tudo começou no início da década de 1980, quando o ator assumiu a apresentação do Video show, programa vespertino da TV Globo. “Foi ali que me tornei uma pessoa íntima do público”, relembra.

Da galeria de seus personagens, Miguel garante ter amor por todos. Mas reconhece: de longe, o mais popular é Caco Antíbes, do humorístico Sai de baixo.

O AUTOR Admirador da palavra, o ator gosta de “bordar” os diálogos que redige. “Às vezes, fico horas para escrever uma frase. Admiro muito quem escreve novela. Escrever um capítulo por dia é massacrante”, comenta Miguel, autor de várias peças.

Se o folhetim não é a praia do dramaturgo, as séries são sua preferência. Atualmente, ele se divide entre a turnê da peça God e os capítulos da primeira temporada de Brasil a bordo, ainda sem data de estreia na Rede Globo. Trata-se da história de uma companhia aérea falida. “É o Brasil, né? Em voo cego”, brinca. A bordo está um bando de loucos, que jamais conseguem pousar no destino certo. “A turma decola para Belo Horizonte, mas pousa em Vitória. Vai para São Paulo, mas pousa em Teresina”, diz ele, entre gargalhadas.

“O Brasil é um país caótico. Não haverá solução sem investimento maciço em educação. Sem ela, ninguém vai a lugar algum. A injustiça social deste país é de tal nível que não o deixa avançar. Com esses indicadores de desnivelamento social, o Brasil é patético. Não temos nenhum respeito das comunidades internacionais. Na hora de sentar na mesa de negociação, dizem: ‘Quem são aqueles aborígenes que não sabem nada?’”, dispara.

MUDANÇA Miguel é um crítico rigoroso do país, mas tem esperança. “A única constante do universo é a mudança, mas acho que não vou vê-la. Não tenho 40 anos pela frente para ver algo mudar. Temos problemas muito graves por aqui. Eles não serão resolvidos da noite para o dia e nem vejo interesse nas pessoas de mudar o país estruturalmente”, diz.

Miguel define o elenco de Brasil a bordo – Ney Latorraca, Arlete Salles e Luis Gustavo, entre outros – como um encontro de velhos amigos. “Se a montagem de teatro ou um programa de TV tem má coxia, um bastidor tenso, isso vaza de alguma forma para quem está assistindo. Gosto de trabalhar em clima de alegria. Teatro é celebração e o riso é a gasolina do espírito”, filosofa.

Brasil a bordo é a primeira série de Miguel depois do sucesso de Pé na cova. Mas ele não trabalha sob a pressão de repetir o êxito. “Nunca sei se o que faço será sucesso. Sei que é aquilo que queria fazer. Faço o que meu coração manda. Se der certo, deu. Se não der, vou para outro projeto”, resume.

BROADWAY – God está em cartaz há alguns anos. Faz sucesso tanto em Nova York, onde foi estrelada por Jim Parsons (da série The big bang theory) e Sean Hayes (de Will & Grace), quanto na Europa. Na estreia da versão portuguesa, com Joaquim Monchique, Miguel se animou a criar a própria versão para a peça de David Javerbaum.

“Fui a Lisboa ver a estreia do Joaquim, que é maravilhoso”, elogia. “Sou apaixonado por esse texto por causa da inteligência e do humor do judeu nova-iorquino, uma pegada meio Woody Allen. Essa coisa de rir de si mesmo é muito bom. O riso reflexivo é muito bacana. Você não sai do teatro aliviado porque chorou ou porque o vilão foi morto no final. Com o riso, você leva para casa a reflexão. E é bárbaro tudo o que Deus nos diz ali”, explica.

Miguel diz que fez apenas uma adaptação geográfica da história, “porque o resto é universal”. No palco, Deus vai embora planejar o “universo dois ponto zero” com Steve Jobs, procurando interface mais resolvida. “Ele quer criar novos mandamentos, mais atualizados e de acordo com os tempos modernos. E são lindos, por sinal”, elogia.

Três dos “mandamentos” contemporâneos são: não dirás a ninguém com quem fornicar; separar-me-á do Estado; e não buscará uma relação pessoal comigo.
Mas, afinal, Deus é mesmo brasileiro?

“Com certeza, não. Se ele é brasileiro, é imigrante ilegal em algum lugar”, conclui Miguel Falabella.

O DRAMATURGO
» Raia 30 anos (2015)
» Império (2006)
» A vida passa (2001)
» Como encher um biquine selvagem (1997)
» A maracutaia (1995)
» No coração do Brasil (1992)
» A partilha (1990)

Com Maria Carmem Barbosa:
» O paranormal (2008)
» Síndromes, loucos como nós (2003)
» South american way (2001)
» Capitanias hereditárias (2000)
» Submarino (1997)
» A pequena mártir do Cristo Rei (1995)
» Todo mundo sabe que todo mundo sabe (1995)
» Louro, alto, solteiro procura (1994)
» Querido mundo (1993)
» As sereias da Zona Sul (1987)

Com Mauro Rasi e Vicente Pereira:
» Pedra, a tragédia (1986)
» Finalmente juntos
e finalmente ao vivo (1985)

Com Vicente Pereira:
» As sereias da Zona Sul (1987)

Serviço
GOD
Texto: David Javerbaum. Adaptação e direção: Miguel Falabella. Com Miguel Falabella, Elder Gattely e Magno Bandarz. Cine Theatro Brasil Vallourec. Praça Sete, Centro. Sexta-feira (7/10) e sábado (8/10), às 21h; domingo (10/10), às 18h. Inteira: R$ 120 (plateia 1), R$ 100 (plateia 2A) e R$ 70 (plateia 2B). Meia-entrada de acordo com a lei.

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