Hermes e Renato tentam se achar no teatro

Famoso pelo programa humorístico de mesmo nome na TV, grupo estreia a primeira peça, que tem sessão no sábado (1) em BH

por Redação EM Cultura 30/09/2016 10:18

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Gabriel Bianchini/Divulgação
(foto: Gabriel Bianchini/Divulgação)
 

 

Hermes é um professor de Física de um cursinho pré-vestibular. Renato, um peladeiro que jogava bola com os amigos nos anos 90. Juntos, eles ajudaram a nomear um dos grupos de humor mais celebrados da televisão brasileira, o Hermes e Renato, mas talvez não saibam disso, já que Fausto Fanti, um dos fundadores do grupo, pegou os nomes emprestados sem avisar, apenas porque achava que soavam adequados para uma sátira.

 

Quem conta a história são Felipe Torres e o irmão de Fausto, Franco Fanti. Neste sábado (1), eles estreiam em BH a primeira peça de teatro do grupo, Hermes e Renato: uma tentativa de show. O espetáculo ocorre às 21h no Cine Theatro Brasil Vallourec – ou, como prefere Felipe, “Esse nome chiquérrimo”.

 

Ao lado de Marco Antônio Alves e Adriano Pereira, e sob direção do estreante Mario Mathias, Felipe e Franco recuperam esquetes famosas do grupo, combinadas a material inédito e muitas sátiras sobre teatro.

 

Segundo Felipe, a peça “é sobre Hermes e Renato tentando se achar no teatro”. Com vontade de expandir as plataformas de atuação, há cerca de uma década o grupo já tinha trabalhado em um roteiro, que foi descartado por ser “megalomaníaco”, diz o ator. O roteiro atual surgiu este ano, incentivado por Mario, o diretor da peça.

 

Gabriel Bianchini/Divulgação
(foto: Gabriel Bianchini/Divulgação)
 

 

Felipe garante que só a nostalgia não é capaz de sustentar um espetáculo. Já Mario não tem dúvidas de que ela é um grande atrativo quando se fala em Hermes e Renato, que possibilitam “rever as décadas de 90 e 2000”.

 

O grupo estrelou o show homônimo na MTV entre 1999 e 2009, época em que a emissora fazia parte da grade de TV aberta. O que literalmente começou como brincadeira de criança, com cenas gravadas entre os pré-adolescentes dentro de casa com uma câmera para VHS, hoje se desdobra em uma série no canal Fox e uma banda de metal satírica que já abriu show para o Sepultura, a Massacration.

 

Em Hermes e Renato: uma tentativa de show, o público saudoso de esquetes clássicas da trupe vai conferi-la reencenar algumas ao vivo. É o caso de Padre Quemedo e o filho do Capeta, que mostra o debate entre um padre e um homem que alega ser descendente do Diabo, mas é incapaz de provar.

 

 

 

Quem também reaparece no palco é o garoto Charlinho, um garoto que vive no “Brasil mulambo” e já começa o dia andando “200 km a pé, em uma estrada cheia de cacos de vidro, farpas e pedras pontudas. Detalhe: ele faz todo o percurso descalço”. A aposta do grupo, em esquetes como essa, é refletir sobre situações problemáticas do país a partir do humor. Além, é claro, de exercitar uma de suas habilidades: a brincadeira às formas mais melodramáticas de se fazer televisão.

 

 

 

O teatro de Gerald Celsius


“Por mais que a gente pareça ignorante, a gente sempre pesquisa o que vai satirizar”, afirma Franco. Marcio, o diretor da peça, confirma. Segundo ele, o grupo passou meses observando o trabalho dos encenadores brasileiros Zé Celso e Gerald Thomas, famosos pelo experimentalismo no teatro, antes de unirem os dois em uma sátira à nudez em cena e outras situações do teatro contemporâneo: Gerald Celsius.

 

O que une as esquetes, tanto as inéditas quanto as clássicas, é justamente a metalinguagem. “Antigamente, eu achava que metalinguagem era sobre sexo oral”, brinca Felipe, “mas agora eu sei que é o teatro falando do teatro”.

 

Além das esquetes, haverá momentos de improviso, em que o diretor sairá das coxias e entrará em cena com o quarteto. Foi enquanto atuava com Felipe Torres no filme TOC, dirigido por Paulinho Caruso e Teo Poppovick e estrelado por Tatá Werneck e Ingrid Guimarães, que Mário incentivou o grupo a levar adiante a ideia do espetáculo.


Quinto elemento


O convite do grupo para Mario dirigir a peça veio logo após a finalização do texto. “Eu entrei mais pra ser esse cara chato”, diz o diretor. Ele não freia o humor negro do quarteto, mas acredita que um olhar exterior à trupe é importante para orientar o que dá certo na peça. Bastante coisa, pelo que conta: “Eu dou risada demais nos ensaios”.

 

O limite do humor de Hermes e Renato, segundo Felipe, é apenas o bom senso, mas não existem temas que o grupo ache que precisa evitar. “Você transformar um assunto em tabu é como abrir um véu de hipocrisia”, diz Franco Fanti.

 

O irmão de Franco, Fausto Fanti, foi a figura central de Hermes e Renato desde o começo do projeto. Em 2014, porém, o ator cometeu suicídio. A partir de então, Franco assumiu os personagens antes interpretados pelo irmão mais velho. Franco fala sobre o assunto sem problemas. Ele conta que, pouco tempo após a morte de Fausto, flagrou-se rindo de um vídeo bem-humorado sobre suicídio.

 

“A gente faz das nossas lágrimas, risada”, ele diz. Situações que incomodam são material fértil para o humor, acredita. Depois de receber um péssimo tratamento em um banco, por exemplo, Franco pensou na esquete sobre o Banco Tiamo, “o banco mais carinhoso do planeta”.

 

 

 

“A TV é nossa casa”, afirma Franco. Mas, admiradores da internet e já sonhando com o próximo espetáculo fora das telas, desta vez na forma de um show, os integrantes do Hermes e Renato parecem entusiasmados em expandir cada vez mais as próprias possibilidades. “A gente é uma metralhadora giratória de zoeira”, define Franco.

 

 

HERMES E RENATO: UMA TENTATIVA DE SHOW

Cine Theatro Brasil Vallourec, Praça Sete, Centro, (31) 3201-5211. Sábado, 21h. Inteira: R$ 80, R$ 70 e R$ 60. Meia-entrada na forma da lei.

 



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