Domingos Montagner ganha homenagem no Circovolante, em Mariana

Personagem mais conhecido do ator morto no dia 15, o palhaço Agenor foi relembrado pela população da cidade mineira

por Ana Clara Brant 26/09/2016 08:25

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Gladyston Rodrigues/EM/DA Press
Passeata de palhaços alegrou Mariana (foto: Gladyston Rodrigues/EM/DA Press )
Mariana – Domingos Montagner esteve em Mariana pelo menos quatro vezes com o La Mínima – dupla de palhaços que formou, há 19 anos, com Fernando Sampaio. Morto no último dia 15 ao se afogar no Rio São Francisco, o ator deixou saudades na cidade mineira. E ganhou homenagem no 8º Circovolante – Encontro Internacional de Palhaços, encerrado neste domingo (25), que reuniu artistas do Brasil, Itália, Chile, Peru e Argentina.

 

Citado em apresentações, lançamento de livros e rodas bate-papo, Domingos – ou melhor, palhaço Agenor – ganhou um tributo especial do amigo Biribinha, o homenageado do 8º Circovolante. Sábado à noite, ao encerrar Magia, na Praça Gomes Freire, o alagoano, de 65 anos – e 58 de picadeiro –, lembrou o amigo.

 

“Na semana passada, um anjo que veio aqui pra Terra há 54 anos cumpriu a sua missão. Quando tudo estava certo, pois seu espírito estava evoluído, ele abriu as asas e voou. Foi embora até os páramos do infinito, da luz. Domingos Montagner, o palhaço Agenor, nos deixou materialmente, mas espiritualmente vai estar com a gente sempre. É por isso que o Circovolante oferece este espetáculo e faz esta homenagem simbólica e simples a ele”, afirmou Biribinha. Em seguida, uma chuva de serpentinas coloridas caiu sobre o palco.

 

Protagonista da novela Velho Chico, exibida pela TV Globo, Montagner também “compareceu” ao festival. Um singelo estandarte confeccionado pela Cia Circunstância de Belo Horizonte com o rosto de Agenor circulou por Mariana. “Só uma figura tão mágica como o palhaço tem essa capacidade de transformar a tristeza em alegria. A gente consegue sorrir mesmo neste momento difícil, com a morte do Domingos Montagner e a recuperação de Mariana depois da tragédia do rompimento da barragem”, resumiu Cleia Fernandes, de 46. Moradora da cidade, ela sempre faz questão de se fantasiar para participar do encontro.

 

Assim como Cleia, muita gente pintou a cara, pôs nariz vermelho e calçou aquele sapatão desengonçado para sair pelas ladeiras históricas distribuindo felicidades. Katherine Veloso, de 7, foi de Itabirito para Mariana com a família. Encantou-se com “o palhaço mais bonito de todos”: Viralata, personagem de Rodrigo Robleño. “Todo mundo tem um carregador de celular. Tenho uma carregadora de guarda-chuva. Olha que belezinha”, comentou Robleño, apontando a pequena Kate, que não desgrudava dele. “Quero ser artista. Até já tenho meu nome de palhaço: Arco-íris”, contou a espevitada menina.

 

Na tarde de sábado, a procissão de narizes vermelhos percorreu Mariana, levando música e diversão para o povo. À frente do percurso estavam João Pinheiro (palhaço Juaneto) e Xisto Siman (Xinxin), idealizadores do Circovolante. A Charanga Mutante tocava temas carnavalescos e do cancioneiro popular.

 

“O festival tem tudo a ver com o jeito de ser do marianense, pois promove o encontro, a confraternização. A cidade estava com a autoestima muito abalada. De certa forma, o evento vem mudar um pouco essa energia meio pesada”, comentou João Pinheiro, referindo-se à tragédia provocada pelo rompimento da barragem da Samarco, em novembro de 2015, matando 19 pessoas no distrito de Bento Rodrigues. Foi o maior desastre ecológico do Brasil.

 

Impressiona ver como a figura de nariz vermelho, aparentemente singela, consegue encantar todas as gerações – sobretudo a criançada desta era tecnológica. Para Pinheiro, o palhaço subverte a lógica da vida e tira as pessoas do lugar comum. “Todo mundo sente falta disso, mas a criança se aproxima mais dessas características. Diariamente, ela busca outro olhar, uma maneira de ser diferente”, conclui Juaneto.

 

O clã dos picadeiros

Astro do Circovolante, Biribinha, de 65 anos, vem de família circense. “Não poderia estar mais feliz”, afirmou o alagoano Teófanes Antônio Leite da Silveira sobre a homenagem que recebeu em Mariana. Herdado do pai, o palhaço Biriba, o ofício se perpetua com Mixuruca, Mixaria, Cuscuz e a pequena Tapioca, a caçuça de apenas 5 meses.

“Tenho filhos palhaços de 40 anos e de 5 meses. Não tem jeito: quando está no sangue, a gente não pode fugir. O palhaço italiano Fratellini costumava dizer uma frase que é meio o nosso lema: sabe qual é a grande diferença entre a gente e o ator? O ator interpreta; o palhaço vive’”, diz Biribinha.

 

 

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