Grupo Quatroloscinco apresenta Fauna neste fim de semana no Teatro Espanca

Espetáculo interativo discute histórias individuais, a dimensão comunitária e o papel político das relações

por Estado de Minas 24/09/2016 08:19

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Divulgação
(foto: Divulgação)
O diretor Italo Laureano, do Grupo Quatroloscinco Teatro do Comum, explica que Fauna, a nova peça da companhia, pode ser dividida em 60% de dramaturgia e 40% de risco. A dramaturgia fica por conta de Assis Benevenuto e Marcos Coletta, os dois atores em cena. O risco é resultado da interação dos atores com o público, que eles prometem ser intensa.

Fauna não conta uma história com começo, meio e fim como uma narrativa clássica. E se propõe a discutir algo, ao mesmo tempo, enorme e microscópico: a história da humanidade a partir de experiências pessoais dos atores e dos espectadores. “É um olhar sobre a fauna que somos nós”, diz Laureano, que divide a direção com Rejane Faria. Ele prefere não chamar a ação do espetáculo de “cenas”, e se refere a ela como “momentos”. Os atores tampouco interpretam “personagens”, são pessoas “trabalhando com a presença”.

Ao lado do público, sem divisão precisa entre plateia e palco, os dois atores travam diálogos roteirizados, que discutem as próprias histórias, combinadas à ficção, para refletir sobre violência, memória e o que aproxima os seres humanos enquanto espécie. Essa preocupação com o que há de comum e diferente entre todas as pessoas motiva a convocação do público a participar ativamente do espetáculo. Laureano chama a plateia de “sexto elemento” – além dos diretores, atores e do “provocador criativo”, Alexandre Dal Farra.

“A gente descobriu que a peça só acontece com o público”, afirma Assis Benevenuto. Ao longo do espetáculo, ele e Marcos Coletta convidam espectadores para diversos jogos cênicos. A plateia é convocada a adivinhar a história de alguém se baseando apenas na aparência da pessoa, por exemplo, e há um momento em que um espectador é chamado a atuar diretamente com Coletta.

Fósforos

Benevenuto acredita na importância da plateia em qualquer apresentação: “O lugar do público é muito ativo. É um lugar de conexões milhares: com a nossa vida, com outras coisas que a gente viu”. Em Fauna, a participação do público é tão importante para o Quatroloscinco que o grupo define o espetáculo como “peça-conversa”. A imagem do cartaz, idealizado pelo Estúdio Lampejo, retrata uma série de fósforos usados, entre os quais dois permanecem intactos. Benevenuto acredita que esse par seja ele e o colega Marcos Coletta. No entanto, a autoexposição dos atores e o jogo com público deve acender o fogo: “Eu o Marco vamos nos queimar”.

Fauna remonta a 2014 e foi sendo gestada a partir da turnê das peças Humor e Get out!, quando o grupo belo-horizontino percorreu diversas cidades. Além das apresentações, o grupo realizou oficinas de teatro, motivado pela “vontade de encontrar pessoas que estão territorialmente tão distantes”, segundo Benevenuto. Um dos temas trabalhados foi o da ancestralidade. Os participantes eram convidados a contar, por exemplo, a história dos tataravós. Benevenuto explica que essa reflexão era importante para reconstruir a trajetória pessoal das pessoas, mas, principalmente, para indicar origens comuns aos seres humanos. “Se a gente está aqui hoje, é porque muito já foi feito”, ele afirma.

A ideia para a nova peça amadureceu durante algum tempo, durante o qual o grupo estreou Ignorância, que Benevenuto considera uma “peça-irmã” de Fauna, e reuniu histórias, textos e inspirações para o trabalho que lança agora. Um dos pilares teóricos que movem Fauna é o livro O circuito dos afetos: corpos políticos, desamparo e fim do indivíduo, do filósofo e professor da Universidade de São Paulo Vladimir Safatle. O livro discute o papel dos afetos na política.

Um dos afetos que o Quatroloscinco examina é a violência, um dos temas mais caros ao teatro do “provocador criativo” da peça, o dramaturgo paulista Alexandre Dal Farra, que ajudou o grupo a encontrar o tom do espetáculo. Autor de peças como a Trilogia Abnegação, com o grupo Tablado de Arruar, Dal Farra acredita que a arte é um espaço para se encarar qualquer aspecto da humanidade. “Tem que abrir espaço para o que é terrível, aquilo dentro de nós que a gente não entende”, diz, argumentando que é necessário “olhar para melhorar”. Laureano e Benevenuto concordam. A aposta do grupo é de que o componente afetivo das relações tem reflexos na micropolítica e, consequentemente, são capazes de ganhar a dimensão macro.

FAUNA

Com o Grupo Quatroloscinco Teatro do Comum. Direção de Italo Laureano e Rejane Faria. Texto e atuação de Assis Benevenuto e Marcos Coletta. Hoje e amanhã, às 20h. No Teatro Espanca! (Rua Aarão Reis, 542, Centro, (31) 3657-7348). Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia). Em cartaz até 16 de outubro.

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