Pedro Cardoso apresenta 'Nada no bolso', monólogo escrito há 23 anos

Pedro Cardoso afirma que, por causa da crise do país, não consegue parar de fazer o espetáculo O autofalante, sobre a situação de um desempregado.

por Mariana Peixoto 04/09/2016 10:40

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GUGA MELGAR/DIVULGAÇÃO
Ator Pedro Cardoso se apresenta hoje no Palácio das Artes; de BH a peça segue para o Rio (foto: GUGA MELGAR/DIVULGAÇÃO)
Há 23 anos Pedro Cardoso estreou o monólogo O autofalante. Ao longo desse período, remontou o espetáculo de tempos em tempos, sem nunca mexer uma vírgula no texto, que tem hoje sua segunda e última apresentação no Palácio das Artes.

O personagem de Cardoso – que além de atuar é o autor do texto – é um homem que espera o telefonema de um possível empregador. A ansiedade na espera – e o que ela provoca no personagem, que também perdeu a mulher – é que move a narrativa.

“Ter emprego é estar no mundo. Se estamos trabalhando, isto nos amarra à realidade. Imagino que uma pessoa que acorda de manhã, com o dia inteiro pela frente e sem ter uma tarefa para realizar, está vivendo um absurdo existencial”, afirma o ator.

Bem, no Brasil de 11 milhões de desempregados, a temática de O autofalante tem calado fundo na plateia. A remontagem está no palco há dois meses – reestreou em São Paulo e segue para curta temporada no Rio, depois de sua passagem por BH neste fim de semana.

“São 11 milhões sem emprego e a totalidade da população empregada com medo de perdê-lo. Não consigo parar de fazer esse espetáculo, talvez por esta razão”, diz ele. A despeito da gravidade da situação retratada, O autofalante leva ao riso.

A montagem ainda dialoga diretamente com a própria situação do ator. Após mais de três décadas de Rede Globo – sendo 13 anos como o Agostinho Carrara de A grande família – ele deixou a emissora. Seu contrato venceu em julho e não foi renovado. Cardoso havia apresentado à emissora projetos que não foram aprovados.

O ator prefere não usar a palavra desabafo ao comentar sua saída da Globo. “O que fiz foi dar conta ao público dos fatos”, afirma, a respeito de uma participação no programa Pânico no rádio, no final de junho, em que disse que a emissora teve “o mais absoluto desprezo” por sua história.

“Existe um desemprego imenso na classe artística. Estou sem voz e milhares de artistas também, pois não há emissoras de TV locais que façam um investimento.” Para Cardoso, a discussão é mais ampla, vai até a regionalização da programação da TV brasileira. “A televisão, como concessão pública, teria que amplificar a produção cultural.”

O discurso do ator e dramaturgo, ele observa, é muito anterior à sua “relação com a Globo ter acabado.” Ele afirma não guardar rancores. “É importante dizer: de todos os problemas que temos em relação à TV, a Globo é o menor, pois ela investe sistematicamente em produção. As outras emissoras investem muito pouco, não produzem”, acrescenta.

Desde o fim de seu contrato, o ator afirma não ter sido contatado por nenhuma outra emissora.

O AUTOFALANTE

» Hoje, às 19h, no Palácio das Artes, Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro, (31) 3236-7300.
» Ingressos: Plateia 1 – R$ 100 e R$ 50 (meia); Plateia 2 – R$ 90 e R$ 45 (meia); Balcão – R$ 80 e R$ 40 (meia).
» Na compra de uma inteira, o segundo ingresso terá 50% de desconto (promoção válida para compras na bilheteria).

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