Dedé Santana volta aos palcos e traz a BH o espetáculo 'A última vida de um gato'

Na peça em cartaz no Teatro Alterosa, eterno trapalhão interpreta aposentado que desanimou da vida

por Ana Clara Brant 02/09/2016 08:46

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Em 29 de abril de 1936, a contorcionista Ondina Santana teve um parto bastante complicado. Ela e o bebê correram risco de morte. A artista circense precisou de uma transfusão urgente. Foi aí que apareceu seu salvador, o alemão Manfried.

 

“Por conta desse ato solidário, meu pai decidiu me batizar de Manfried para homenagear o homem que salvou a gente. Mas quase ninguém me chama assim, só uma irmã. Sou mesmo é o Dedé”, diz o eterno Trapalhão, que traz a Belo Horizonte um dos projetos mais desafiadores da sua carreira: a peça A última vida de um gato, em cartaz no Teatro Alterosa, promoção cultural do Estado de Minas.

Arthur Senra/Divulgação
Dedé completou em abril 80 anos e ainda tem muitos planos pela frente (foto: Arthur Senra/Divulgação)

Dedé, que começou a vida artística aos três meses, no colo da mãe, enquanto ela se apresentava no picadeiro, completou 80 anos. Ainda sente frio na barriga nas estreias, mas não teme desafios.

 

“Não vou negar: fiquei com muito medo de estar nos palcos novamente, porque fiz teatro só no começo da carreira. Era uma coisa bem diferente de hoje, era teatro de revista. O ator mineiro Felipe Cunha, que também está no elenco, me convidou e me mostrou o texto do Alexandre Ribondi. Quando comecei a ler, já decidi que iria fazer”, conta.

Dedé interpreta o doutor Santiago, um aposentado que parece ter desistido de tudo. Ele não esperava que o vizinho, também Santiago e interpretado por Felipe Cunha, passaria a fazer parte de sua vida.

 

Além do apreço pela história, o ex-parceiro de Didi, Mussum e Zacarias revela que a escolha de Victor Garcia Peralta para dirigir a montagem foi determinante para sua decisão. “Peralta me ajudou demais e a química com o Felipe em cena é ótima. Esse trabalho ficou bem bacana.”

A última vida de um gato estreou no começo do ano, mas a turnê foi interrompida devido a outros compromissos profissionais de Dedé.

 

Apresentador, diretor, humorista e roteirista, o ator rodou três filmes: Shaolin do sertão, dirigido por Halder Gomes; um longa dirigido por José de Abreu; e Os saltimbancos Trapalhões – Rumo a Hollywood, recriação, prevista para 2017, do filme protagonizado em 1981 por Didi, Dedé, Zacarias e Mussum.

 

“É uma nova história. Não é remake nem continuação. Tem várias canções do longa original, com um quê mais musical. Foi ótimo fazer, sem contar que contracenei novamente com o Renato (Aragão), meu grande amigo”, afirma.

 

Por falar em Didi, a relação com Aragão continua ótima, ressalta Dedé. O humorista também mantém contato com a família de Mussum. Um dos filhos dele, aliás, é advogado de Dedé Santana. “Só com os familiares do Zacarias, infelizmente, não tenho muita ligação. Como eles moram em Minas, fica mais complicado”, justifica.

VOLTA?

Assim como ocorreu com a Escolinha do Professor Raimundo, a Globo, em parceria com o canal Viva, planeja relembrar o quarteto mais engraçado do Brasil. Episódios especiais devem contar com novo elenco. Dedé diz não estar por dentro do projeto, mas não parece muito favorável a ele.

 

“No caso da Escolinha, eram personagens. Por mais que eles tivessem sido eternizados por grandes humoristas, outros atores poderiam interpretá-los. No nosso caso, somos nós mesmos – e não personagens. Não sei como seria isso”, opina.

Arthur Senra/Divulgação
O humorista participou de um ensaio inédito do fotógrafo mineiro Arthur Senra (foto: Arthur Senra/Divulgação)

O comediante não se entusiasma muito com o humor feito atualmente. “Hoje, a pessoa decora um stand up e faz aquilo. É humor decorado. É raro a gente encontrar alguém espontâneo, que tem realmente a vocação.

 

Desta nova safra, gosto muito do Marcelo Adnet e, especialmente, do Leandro Hassum. Ele dá show, improvisa e tem humor próprio”, afirma.

Dedé Santana lamenta o desprezo às artes circenses. “Tudo o que sei aprendi no picadeiro. Fui palhaço, fiz trapézio, globo da morte. O circo une tudo. Mesmo pouco valorizado e tendo perdido espaço, ele continua a exercer fascínio. Minas Gerais é o lugar que mais valoriza artistas circenses e palhaços. Sempre sou convidado para participar de festivais e eventos mineiros”, elogia ele, nomeado recentemente Embaixador do Circo no Brasil.

Além da mãe, contorcionista; do pai, Oscar Santana (palhaço Picolino); do irmão, Dino (diretor de cinema e de programas dos Trapalhões); e do tio Colé Santana, grande nome da comédia brasileira, Dedé, mesmo à revelia, tem nova artista na família.

 

Sua filha, a atriz Yasmin Santana, participou de alguns filmes e está em cartaz com a peça espírita Violetas na janela, que chega em novembro a BH. “Não era muito favorável aos filhos seguirem a profissão, tanto que a Yasmin começou meio escondida de mim. Já que ela quis, estou feliz e muito orgulhoso. Quando está no sangue, não tem jeito”, conclui.

Ensaio  
O fotógrafo Arthur Senra desenvolve um projeto de retratos em seu estúdio, em BH. Convida pessoas que acredita serem relevantes e se conectam com o seu modo de perceber o mundo. O resultado é uma série de portraits, acompanhada de textos poético-filosóficos. Dedé Santana é o novo convidado. O trabalho final será divulgado em breve, no site www.ponto618.com.br e nas redes sociais. As imagens que ilustram esta reportagem são assinadas por Senra.

A ÚLTIMA VIDA DE UM GATO
Com Dedé Santana e Felipe Cunha. Hoje e amanhã, às 21h; domingo, às 19h. Teatro Alterosa. Avenida Assis Chateaubriand, 499, Floresta. Ingressos: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia). Vendas on-line: www.centraldoseventos.com.br. Informações: (31) 3237-6611.

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