'Apenas um sanguessuga': peça reúne política, humor e suspense

Escrita e dirigida por Ricardo Batista, a montagem fala sobre a realidade; em cartaz até o dia 28

por Estado de Minas 18/08/2016 20:03

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Marcilio Gazzinelli/DivulgaÇÃO
'Apenas um sanguessuga' fica em cartaz até o dia 28 de agosto (foto: Marcilio Gazzinelli/DivulgaÇÃO)

 

O público já sabe que quando se fala no dramaturgo e ator Ricardo Batista o assunto é humor. Mas, com a nova peça da Canastra Real, produtora cultural fundada há mais de três décadas por Batista, conhecido como Cadinho, o público pode se surpreender. Apenas um sanguessuga não abandona o tom humorístico de outras peças escritas e dirigidas por ele, como A tocaia e Defunto bom é defunto morto, mas acrescenta fortemente um novo elemento à trama: o suspense.


A afeição de Cadinho pelos filmes resulta no que ele chama de ''cinema ao vivo'' no palco. Ele aposta na atmosfera de thriller criada pela trilha sonora e elementos visuais para contar a história do encontro entre o velho político Brasílio Alcântara e a repórter investigativa Linda. A trama segue a visita de Linda à casa de Brasílio, nas redondezas de uma cidadezinha remota. O político é interpretado pelo próprio Cadinho, e a jornalista é representada por Fernanda Botelho, que já tem uma parceria de mais de 10 anos com o colega de cena.

 

Essa não é a única história contada na peça. Existe uma segunda, a real motivação do espetáculo, correndo nas entrelinhas. Fernanda explica que as peças da Canastra Real surgem da pergunta: “O que existe para a gente questionar e colocar para o público?”. Desta vez, a questão é a política brasileira. O assunto começa já no nome do protagonista: Brasílio é uma referência ao nome do país, enquanto Alcântara remete à família real do Brasil. O sanguessuga do título fala tanto sobre os políticos nacionais – ''político é meio sanguessuga'', diz Cadinho –, quanto sobre os vampiros, um ser que Brasílio muito bem pode ser, segundo os vários boatos que o cercam.

O figurino da peça é propositalmente escolhido para dificultar a precisão da época em que ela se passa, já que, para Cadinho, essa história fala de um Brasil que existe pelo menos desde a época dos grandes coronéis. Ele prefere não definir rigidamente o trabalho, porém chama Apenas um sanguessuga de sátira ''para assistir sorrindo, mas tomar alguns sustos''. Fernanda acrescenta: ''Como somos brasileiros, acabamos brincando com tudo. Mas a gente não deixa de brincar para falar a verdade''.

Apenas um sanguessuga
Texto e direção: Ricardo Batista. Com Fernanda Botelho e Ricardo Batista. No Teatro Alterosa (Av. Assis Chateaubriand, 499, Floresta, 31. 3237-6611). Até 28/8.  Sextas e sábados, às 21h; domingos, às 20h. Classificação: 12 anos. Ingressos:
R$ 40 e R$ 20 (meia); R$ 15 nos postos do Sinparc (preço único – promocional), pelo aplicativo Vá ao Teatro MG ou no site www.vaaoteatromg.com.br

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