Paulo Miklos tem desempenho perfeito na pele de Chet Baker

Ex-Titã representa trompetista norte-americano, flagrado num momento de insegurança e fragilidade em peça que iniciou temporada anteontem em BH

por Mariana Peixoto 16/07/2016 10:30

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VICTOR IEMINI/DIVULGAÇÃO
'Chet Baker - Apenas um sopro' se concentra na tensa volta do trompetista norte-americano às gravações após incidente em que perdeu os dentes (foto: VICTOR IEMINI/DIVULGAÇÃO)

Chet Baker perdeu os dentes no final dos anos 1960. Na época, o vício em heroína era proporcional à sua influência na música. Tocar e mentir era o que o trompetista norte-americano (1929-1988) mais fazia. Se perdeu quase todos os dentes por uma surra (traficantes? junkies?) ou em consequência do vício, não mais importa. Fato é que ele, mestre em seu ofício, teve que reaprendê-lo.


Dirigido por José Roberto Jardim, Chet Baker - Apenas um sopro, que estreou anteontem no CCBB-BH e cumpre temporada até o próximo dia 25, parte desse momento. É um espetáculo pautado na expectativa. Conseguirá Chet tocar?, questionam-se os músicos que o esperam num estúdio para a gravação de um álbum. Conseguirei me reerguer?, questiona-se o próprio personagem, que na história está há mais de um ano sem tocar. E conseguirá Paulo Miklos encarnar o mais icônico dos músicos do cool jazz?, questiona-se a plateia.

Num cenário enfumaçado e intimista, que simula um estúdio, três músicos e uma cantora aguardam a chegada daquele que é a razão de eles estarem ali. Na primeira meia hora da narrativa, em meio a solos de bateria, piano e contrabaixo, sequer o nome de Chet Baker é citado. O texto do dramaturgo Sérgio Roveri, neste momento, vai além do trompetista. Questões como ego, fragilidade, idolatria, sucesso, frustrações, calam fundo não só a todo artista, mas a qualquer ser humano.

A chegada do músico (Sr. Baker para o baterista iniciante, interpretado por Ladislau Kardos; Capitão para o baixista, companheiro de noite, vivido por Jonathas Joba; apenas Chet para a cantora-amiga, papel de Anna Toledo) impacta ainda mais as reações. Ora irônico, ora com uma delicadeza incomum, o personagem começa, ele próprio, a colocar seus medos em cena.

Estreando no teatro, o agora ex-titã Paulo Miklos (sua saída da banda, após 34 anos nos Titãs, foi anunciada segunda-feira passada) é também o produtor do espetáculo. Encarna Chet Baker à perfeição, inclusive fisicamente. Com boas passagens pelo cinema (O invasor, Estômago, Carrossel), com personagens fortes e de caráter dúbio, foi encontrar no teatro um personagem que lhe parece mais próximo.

A tensão na tentativa de gravação vai num crescendo até o monólogo final, em que “Chet Miklos” coloca os próprios esqueletos para fora do armário. No fim, a resposta à expectativa de todos (parceiros de cena, plateia e o próprio personagem-título) é surpreendente. A música tem várias formas, é o que Chet Baker, aqui personificado impecavelmente por Paulo Miklos, quer dizer.

CHET BAKER - APENAS UM SOPRO
De hoje a segunda e de 21/7 a 25/7, às 20h,
no Centro Cultural Banco do Brasil, Praça da Liberdade, 450, (31) 3431-9400. Ingressos: R$ 20 e R$ 10 (meia). Informações: bb.com.br/cultura

 

COTAÇÃO: Bom

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