'Nos porões da loucura' relembra o drama de pacientes do Hospital Colônia de Barbacena

Peça retorna em cartaz em Belo Horizonte neste fim de semana

por Carolina Braga 01/07/2016 08:55

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Leandro Couri/EM/D.A Press
(foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Mais do que transpor para o palco histórias narradas no jornal, Nos porões da loucura denuncia algo atemporal: a degradação humana. “A loucura é a justificativa para degradar um homem”, sintetiza o diretor Luiz Paixão. Depois da breve temporada de estreia, em maio, o espetáculo volta ao cartaz no Teatro Marília – palco mais intimista do que o imenso Sesc Palladium.


A montagem se baseia no livro homônimo de Hiram Firmino, que trazia reportagens publicadas no Estado de Minas na década de 1970. A série ganhou o Prêmio Esso de jornalismo. Hiram conta a trajetória do antigo Hospital Colônia de Barbacena, em Minas Gerais, fundado em 1903. Os violentos tratamentos impostos aos pacientes levaram cerca de 60 mil pessoas à morte.

O elenco da peça é formado por atores de várias gerações do teatro mineiro. Ao longo de quatro meses de ensaios, o principal desafio foi encontrar um tom de interpretação que não fosse caricato demais, um risco quando se representa a loucura, diz Luiz Paixão. “As pessoas perceberam que, apesar do peso do tema, conseguimos tratá-lo de uma maneira poetizada”, comenta ele.

Os atores iniciaram sua pesquisa a partir de fotos antigas dos internos. A iconografia foi fundamental para criar personagens. O exercício de interpretação se baseou em técnicas de aproximação e distanciamento entre o ator e as histórias dos personagens. “Isso nos afastou do melodrama”, acredita Paixão.

A trilha sonora é assinada por Marcus Viana, os cenários, por Décio Noviello e os figurinos, por Ronaldo Fraga, que procurou referências na história do manicômio. Como os pacientes usavam roupas azuis – traje chamado de azulão –, Fraga trabalhou com jeans desbotados. Nenhuma mancha é igual à outra, assim como cada uma daquelas pessoas tem suas particularidades.

A trama de Nos porões da loucura não é linear. Cenas autônomas e independentes se passam nos ambientes interno e externo do hospício. “O interno é dos pacientes, o externo se refere a personagens ligados à trajetória do hospital, com todo o processo social, moral e religioso que o rodeia”, explica o diretor.

“Esse espetáculo tem importância histórica, social e política. Resgatamos um tema de 35 anos atrás, que permanece atual. Não apenas pelas atuais ameaças à luta antimanicomial, mas porque a peça discute a desumanização, a animalização do homem”, conclui Luiz Paixão.

NOS PORÕES DA LOUCURA
Hoje e amanhã, às 20h30; domingo, às 19h. Em cartaz até 17 de julho, com sessões de sexta-feira a domingo. Teatro Marília, Avenida Alfredo Balena, 586, Santa Efigênia, (31) 99614-7097. R$ 30 (inteira), R$ 15 (meia) e R$ 12 (posto do Sinparc). Vendas on-line: www.vaaoteatromg.com.br.

DANÇA

Com direção da coreógrafa Dudude Herrmann, Perfume, solo da bailarina Nicole Vieira (foto), chega ao Espaço C.A.S.A. Por meio da dança experimental, o corpo busca sentido e poesia para a vida. A trilha sonora é executada ao vivo pelo duo Marcella The Post Modern. Perfume será apresentado hoje, às 20h, e amanhã, às 19h, com ingressos a R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia-entrada). Depois das sessões, haverá bate-papo com Nicole Vieira. O espaço fica na Rua Himalaia, 69, Vale do Sol, em Nova Lima. Informações: (31) 3517-8282.

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