Expressões brasileiras inspiram espetáculo da Cia. Mário Nascimento

Montagem propõe um olhar sobre o Brasil, mas fora dos clichês

por Carolina Braga 17/06/2016 15:24
Cia. Mário Nascimento/divulgação
(foto: Cia. Mário Nascimento/divulgação)

Em uma de suas idas e vindas a Natal, capital do Rio Grande do Norte, o bailarino e coreógrafo Mário Nascimento trouxe na bagagem um presente que ganhou por lá: A história dos nossos gestos, livro de Câmara Cascudo. Foi dele que nasceu Garrafa enforcada, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil até dia 27.

São oito bailarinos em cena, incluindo o próprio Mário e Rosa Antuña, com quem ele divide o trabalho de direção e coreografia. A montagem propõe um olhar sobre o Brasil, mas fora dos clichês. “Queremos enxergar e valorizar outras coisas da nossa cultura, estimulando a curiosidade para que as pessoas pesquisem mais a história dos nossos gestos”, comenta Rosa.

Publicado em 1976, o livro faz um inventário dos gestos brasileiros – coisas simples, tipo coçar a cabeça, estalar os dedos, pôr a mão na cintura. Cascudo acredita que o gesto é anterior à palavra. Para a Cia. Mário Nascimento, há outras maneiras de ser e estar no mundo além da palavra.

Garrafa enforcada – referência a um capítulo do livro – é um trabalho político. “Não vou me calar. Vou continuar gritando, falando, gesticulando e apontando o meu dedo. Existem culpados e eles estão aí. Minha função como artista é apontar para que as pessoas vejam com mais clareza o que está acontecendo”, diz Mário Nascimento.

“Este momento tem feito com que tudo seja mais político”, afirma Rosa Antuña. Ela diz que Garrafa enforcada é bem-humorado, leve e cheio de nuances sobre temas como preconceito racial e machismo. A trilha sonora de Fábio Cardia mescla referências de manifestações como cavalo-marinho, coco e maracatu com a pegada rock and roll.

Antes da coreografia Garrafa enforcada, a Cia. Mário Nascimento apresenta o duo Até que ponto chegamos, com Eliatrice Gischewski e Fábio Costa. Dirigido por Rosa Antuña, o trabalho leva para a cena a discussão sobre relações abusivas e violência de gênero.

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