Belo Horizonte recebe amanhã festival Sesi Bonecos do Mundo, que vai até domingo

Evento, que traz à capital mineira espetáculos nacionais e internacionais, faz homenagem ao mamulengo. Toda a programação tem entrada franca

por Walter Sebastião 06/06/2016 08:09

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Sesi Bonecos do Mundo/Divulgação
'Mão viva', espetáculo dos italianos Girovago & Rondella (foto: Sesi Bonecos do Mundo/Divulgação)
Um patrimônio da humanidade ganha reverência, em Belo Horizonte, no palco e em praça pública: o teatro de bonecos. Grupos de sete países que trabalham com manifestações tradicionais ou experimentação estarão na cidade, de amanhã até domingo, participando do Sesi Bonecos do Mundo. Toda a programação tem entrada franca e traz espetáculos do Brasil, Chile, Cuba, Espanha, Estados Unidos, Itália e Japão. Lina Rosa, idealizadora e curadora do evento, afirma que há montagens para todos os públicos, que fazem rir, chorar ou assustam. Ela garante também que a marca do projeto é a grande qualidade artística, tanto na forma como no conteúdo.


O evento reúne mestres que cultivam a tradição do fazer bonequeiro: Zé Lopes (PE), Chico Simões (DF), Josivan & Daniel (RN), Duda da Boneca (RN), Shicó (RN), Valdeck de Garanhuns (PE/SP) e Zé da Vina (DF). O Giramundo, grupo mais importante de Minas Gerais, participa com As aventuras de Alice no país das maravilhas, Desfile das torres andantes e Música de brinquedo, show com a banda Pato Fu.

O festival é proposta arrojada. Na Praça da Estação, vão ser apresentados espetáculos distintos em três palcos diferentes, todos com direito a transmissão em telão. Monitores estarão à disposição do público para oferecer informações a quem quiser saber mais sobre trabalhos, grupos e técnicas. A mostra chega trazendo exposição com peças raras do mamulengo, teatro popular de bonecos do Nordeste brasileiro, que mostra peça com mais de 200 anos, uma das mais antigas da América Latina, vinda de uma das maiores coleções do setor (a de Magda Modesto). “O projeto é grande não por megalomania, mas pela necessidade de tirar o teatro de bonecos da caixinha, criando condições para que ele possa abraçar o público”, justifica a curadora.

“Vamos mostrar que é possível ocupar o espaço público e o teatro com arte de alta qualidade, que encanta o público, forte, que empodera o cidadão”, afirma Lina Rosa, explicando que a marca do evento é a diversidade de estéticas e técnicas. “Trata-se de manifestação ancestral que leva a outro mundo, leva ao contato com a essência do ser humano, emociona e faz pensar”, acrescenta. A potência que faz essa arte milenar continuar existindo é um mistério. A empatia, para a curadora, vem de os bonecos produzirem ligação com a essência do ser humano. “O boneco do mamulengo, por exemplo, tem o mesmo DNA do brasileiro: é a mistura de elementos de rituais totêmicos indígenas e africanos com títeres portugueses e europeus”, explica.

A edição de 2016 destaca o mamulengo, que ganha uma pequena praça exclusiva para que os artistas possam instalar suas barracas. A manifestação foi tombada, em 2015, pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) como patrimônio imaterial do país. “Vão estar em Belo Horizonte ícones do teatro do Brasil”, observa, citando os mestres. “Eles representam a arte de resistência e um ponto de vista sobre o mundo de uma sociedade posta à margem”, acrescenta. A curadora avisa: a turma é chegada ao politicamente incorreto e critica tudo, implacavelmente.

Com relação aos grupos internacionais, destaca o japonês Kakashi-za e o espanhol LaSal como exemplos das distintas formas de “dar alma” aos bonecos, o que não é simples. “Fazer o boneco mexer não é a mesma coisa que fazê-lo interpretar”, observa. E, avisa Lina Rosa, estará na mostra o manipulador de boneco de fio considerado um dos melhores do mundo: o norte-americano Phillip Huber, que se tornou conhecido por dar vida aos bonecos do filme Quero ser John Malkovitch. “A atuação dele faz com que o fio deixe de ser linha e se torne corrente sanguínea do boneco”, elogia, lembrando que o ator chega a operar “com 48 fios sem se enrolar”, observa. “Teatro de bonecos é arte que continua expressiva e com potencial de comunicação incrível”, afirma.

O projeto nasceu em 2004, articulado em dois segmentos: bonecos do Brasil e do mundo. “Com o tempo, percebemos que evidenciar o sentimento do mundo através dos bonecos, integrando os dois setores, enriquecia a mostra”, conta Lina. A primeira edição já como Bonecos do Mundo foi em 2011. A primeira edição da mostra, em Olinda, reuniu mais de 50 mil pessoas, surpreendendo os próprios idealizadores do festival. “Para quem via de longe, parecia carnaval. Mas, quando você chegava perto, via a multidão em silêncio vendo teatro. Foi lindo”, recorda. Para acentuar a diversidade de estéticas, os realizadores decidiram reduzir a itinerância e enfatizar a dimensão de mostra internacional.

“Bonecos do Mundo é um trabalho de inclusão cultural que desperta sentimento de pertencimento. Cultura, na minha opinião, é mais importante do que a educação. Ela cria sentimento de pertencimento, dialoga com as identidades. Através dela você aprende outras coisas como ler, escrever, refletir, questionar, compreender melhor o processo social em que está inserido. O teatro de bonecos está em todas as civilizações”, recorda. O Brasil, conta Lina Rosa, tem teatro de bonecos forte e criativo. “Falta tornar esses trabalhos mais acessíveis ao público”, afirma. “A importância do tombamento, pelo Iphan, é o reconhecimento do valor dessa arte, eternizando um saber que deve ser resguardado, pois é memória histórico-cultural do Brasil”, conclui a produtora.

 

Programação (veja também em http://sesibonecos.com.br/2016/)


• CINE THEATRO BRASIL
Sessões às 19h30 e às 21h

• Amanhã – Animação suspensa, com The Huber Marionettes (EUA)
• Quarta-feira – Sombras de mão, com Kakashi-za (Japão)
• Quinta-feira – O grande traje, com LaSal (Espanha)

Cine Theatro Brasil – Avenida Amazonas, 315, (31) 3201-5211, Centro. Entrada franca, mediante retirada de ingressos (dois por pessoa) na bilheteria, a partir das 12h, no dia da apresentação.


• PRAÇA DA ESTAÇÃO

• Sábado

16h30 – Abertura: Torres andantes, com Giramundo
17h às 20h – Mestres mamulengueiros: Valdeck de Garanhuns (PE/SP), Zé de Vina (DF) e Duda da Boneca (RN). Praça dos Mamulengos
17h30, 18h30 e 19h30 – Corsários inversos, com Grupo Mosaico Cultural (RS). Praça dos Mamulengos
17h às 20h – O trampolinista, com Jordi Bertran (Espanha/Chile). Tablado
16h30 às 21h30 – Exposição Mamulengo: Patrimônio imaterial brasileiro. Pavilhão
17h às 20h – Mão viva, com Girovago & Rondella (Itália)Palco 3
17h às 20h – Avua, com Contadores de Histórias (RJ). Palco 3
17h – Animação suspensa, com The Huber Marionettes (EUA). Palco 1
18h – Sombras de mão, com Kakashi-za (Japão). Palco 2
19h – O grande traje, com LaSal (Espanha)
20h – Alice live, com Giramundo e Pato Fu (MG). Palco 2

• Domingo

16h30 – Abertura: Torres andantes, com Giramundo
16h30 às 21h30 – Exposição Mamulengo: Patrimônio imaterial brasileiro. Pavilhão
17h às 20h – Mestres mamulengueiros: Zé Lopes (PE), Chico Simões (DF), Josivan & Daniel (RN), Duda da Boneca (RN) e Shicó (RN). Praça dos Mamulengos
17h30, 18h30 e 19h30 – Corsários inversos, com Grupo Mosaico Cultural (RS). Praça dos Mamulengos
17h às 20h – O trampolinista, com Jordi Bertran (Espanha/Chile). Tablado
17h às 20h – Mão viva, com Girovago & Rondella (Itália).Palco 3
17h às 20h – Avua, com Contadores de Histórias (RJ). Palco 3
17h às 20h – Jacinta, com Casa Volante (MG)
17h – Animação suspensa, com The Huber Marionettes (EUA). Palco 1
18h – Os músicos de Bremen, com Búho & Maravilhas (Espanha). Palco 2
19h – Cadê meu herói, com Sobrevento (SP). Palco 1
20h – Burudanga, com Teatro las Estaciones (Cuba). Palco 2

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