Grupo Sutil Ato encena cinco obras de Plínio Marcos em duas peças que expõem as mazelas do Brasil

Com direção de Jonathan Andrade, 'Autópsia 1' e 'Autópsia 2' estão em cartaz de hoje a segunda-feira, no Centro Cultural Banco do Brasil

por Walter Sebastião 03/06/2016 10:44

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Layza Vasconcelos/Divulgação
(foto: Layza Vasconcelos/Divulgação)
Para criar 'Autópsia', o grupo Sutil Ato reuniu cinco obras emblemáticas de Plínio Marcos, divididas em dois espetáculos. No primeiro, 'Autópsia 1', estão 'Quando as máquinas param', 'Navalha na carne' e ''Querô'. No segundo, 'Abajur lilás' e 'Dois perdidos numa noite suja'. “O que está no palco é uma autópsia do sistema de poder e da desigualdade social, mostrada de forma mais crua possivel”, explica o diretor Jonathan Andrade. Ambos estarão em cartaz até dia 13, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB).

Andrade diz que quando se mergulha no universo do escritor paulista, o que se encontra é o desnudamento das relações entre opressores e oprimidos por meio de personagens que são constantemente invisibilizados – a prostituta, população de rua, subempregados e desempregados, por exemplo.

“É um mundo cruel, violento, de relações sórdidas”, conta Andrade. “O surpreendente é que, em meio a tudo isso, estão motivos comuns a todos os humanos: a luta pela sobrevivência, o desejo de um mundo melhor, de amar e ser amado e de mudança”, exemplifica o diretor. Para ele, são excelentes histórias, com palavras e expressões do contexto onde vivem os personagens. Isso valeu censura às peças de Plínio Marcos durante o governo militar.

“São textos dinâmicos, com cenas fortes e muitas reviravoltas que envolvem o espectador e fascinam os atores pela diversidade de sentimentos que cobram”, explica o diretor. Ele optou por dar viceralidade à encenação: “É rinha. A montagem de Plínio Marcos é quente, fervendo mesmo. Caso contrário, não consegue atingir o que ele quer mostrar”, garante.

O projeto surgiu em 2011, na Faculdade Dulcina de Moraes, instituição localizada em área abandonada de Brasília (hoje ocupada por grupos alternativos). Jonathan Andrade, coordenador do curso de artes cênicas, propôs aos alunos algo que colocasse no palco um autor brasileiro expressivo, com obra contundente que falasse sobre a realidade do país.

“Plínio Marcos é um grande e emblemático autor da cultura brasileira. As obras dele colocam questões invisibilizadas, mas que estão enraizadas na nossa educação e o Brasil tem dificuldade de ver: feminicídio, racismo, machismo, homo e transfobia. Os textos são obras-primas e continuam profundamente atuais. Qualquer um entende o que ele mostra”, defende.

O Grupo Sutil Ato está preparando para 2017 uma continuação da proposta de Autópsia, com mais cinco histórias do autor paulista. “Plínio integra o cânone do teatro brasileiro, é obrigatório para quem se interessa pela produção dramatúrgica nacional. Ele nos traz outra consciência do Brasil”, afirma.

Em 2014, a peça foi escolhida pelos leitores do jornal Correio Braziliense e pelo crítico Diego Ponce de Leon como melhor espetáculo do Festival Cena Contemporânea.

AUTÓPSIA
Com o grupo Sutil Ato (DF). Direção: Jonathan Andrade. Com Alneiza Faria, Jeferson Alves, Maria Eugênia Félix, Mário Luz, Pedro Ribeiro, Regina Sant’Ana, Ricardo Brunswick, e Maria Claudia Fernandes.

Autópsia 1 – Hoje e domingo, às 20h.

Autópsia 2 – Amanhã e segunda-feira, às 20h.CCBB. Praça da Liberdade, 450, Funcionários, (31) 3431 9400. R$ 20 e R$ 10 (meia). Classificação: 18 anos.

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