FIT-BH reúne 31 espetáculos com temas fortes e atuais

Festival começa nesta sexta-feira, em vários espaços da capital; confira a programação

por Carolina Braga 20/05/2016 11:34

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.

Flavio Charchar/FIT/Divulgação
Rosa choque, do Coletivo Os Conectores, aborda a violência contra a mulher (foto: Flavio Charchar/FIT/Divulgação)
A programação do Festival Internacional de Teatro Palco e Rua de Belo Horizonte (FIT-BH), que a partir de hoje ocupa diversos espaços – convencionais ou não – está formatada para surpreender. A ausência de nomes conhecidos faz da 13ª edição uma das mais instigantes. É hora de conhecer produções da Ucrânia, Grécia e a Escócia, assim como da França, Itália, Portugal, Argentina e Chile, países com uma relação mais estreita e antiga com o festival. Não tem ninguém famoso. É incógnita para todo mundo.

O tema do FIT-BH 2016 é resiliência. Para Dayse Belico, que integra a equipe de curadoria com Walmir José, com colaboração de Diego Bagagal e Eduardo Moreira, não há como abordar o assunto sem pensar no coletivo. Por isso, passarão pelos palcos discussões sobre política, religião, feminismo, imigração e humanidade. O teatro negro ficou de fora e protestou. Movimento liderado pelo Grupo Teatro dos 10 questionou a ausência de peças que abordassem questões de raça.

São 31 espetáculos, sendo 13 internacionais, seis nacionais, seis locais e seis montagens de alunos de centros de formação em artes cênicas. ''Existem diferenciações estéticas e elas vêm de grupos novos. São outros olhares'', comenta Belico. A decisão da equipe que está à frente do festival é combater a ideia de grandiosidade que o evento carrega. “Estamos em outros tempos, a grana já não dá mais para isso. Que festival a gente quer? É uma pergunta que precisa ser feita”, completa.

A escolha é por uma mostra com ações de formação, espetáculos mais intimistas, com temáticas fortes, que sejam capazes de tocar o espectador sem grandes empreendimentos de produção. Le Girafes, opérette animalière, do grupo francês Compagnie Off é um exemplo. O espetáculo escolhido para a noite de abertura, hoje, a partir das 21h, é um cortejo de girafas de fogo que vai circular a Praça da Estação. É como se um circo inusitado estivesse chegando à cidade. Durante uma hora e meia, há números pirotécnicos na mistura de circo e teatro.

''Chega com uma alma circense. O povo na rua novamente, se apoderando de um espaço que já é nosso. Corroborando aquele como um lugar da cultura'', diz Dayse. É um espetáculo com múltiplas linguagens para a família inteira. Além dele, há atrações para aqueles que gostam de fazer do teatro espaço para reflexão dos dias de hoje, que preferem linguagens mais clássicas, música ou até doses documentais no palco. “Estamos mineirinhos aqui, quietinhos, mas tenho certeza de que vamos surpreender”, afirma Dayse Belico.

 

Confira a programação completa:

 

PARA OS CLÁSSICOS

O sentido de clássico aparece bastante matizado na programação. A montagem argentina Mi hijo sólo camina un poco más lento, do Colectivo de Investigación Teatral Apacheta, chega respaldada pela crítica de Buenos Aires. Aproxima-se do que poderíamos chamar de uma linguagem teatral clássica, com as particularidades que fizeram dele um dos melhores em cartaz em Buenos Aires em 2015.

O grupo francês Théatre Diagonale apresenta uma releitura de Frankenstein, propondo uma relação entre o monstro e sua autora, Mary Shelley. Os gregos da Opera Theatre Company, por sua vez, se basearam em um romance do século 19 para criar a montagem multimídia Os mercadores das nações.

Entre os brasileiros que apostam em uma linguagem mais clássica estão a Cia. Azul Celeste, de São José do Rio Preto, com Mundomudo, e os mineiros da Cia. Absurda, com Migrações de Tennessee com contos, poemas e fragmentos de peças de Tennessee Williams.

Mary’s baby – Frankenstein 2018, com Théatre Diagonale (França)
27/5, às 20h, 28/5, às 22h, 29/5, às 17h. Cine Theatro Brasil Vallourec.

Os mercadores das nações, Com Opera Theatre
Company (Grécia)
27/5, às 19h; 28/5, às 17h e 20h. Teatro Alterosa

Mi hijo sólo camina un poco más lento, com Colectivo de Investigación Teatral
Apacheta (Argentina)
24/5, às 21h. Galpão Cine Horto.

Mundomudo, com Cia. Azul Celeste (SP)
23/5, às 21h; 24/5, às 20h; 25/5, às 18h. Teatro Alterosa.

Migrações de Tennessee, com Cia. Absurda (MG)
21/5, às 19h; 22/5, às 20h. Galpão Cine Horto.

 

PARA AS FAMÍLIAS

Espetáculo na rua é marca registrada do FIT. É também espaço convencional para que famílias inteiras desfrutem a experiência teatral. Este ano, foram escolhidas seis montagens do gênero. Con su permiso, do palhaço chileno Tuga, é uma das apostas da curadoria para incluir humor na programação. É praticamente uma intervenção urbana. Montagens como Le cabaret des acrostiches e Clake acentuam a linguagem circense.

Na programação dedicada ao público infantojuvenil, destaque para os veteranos do Grupo de Teatro Clowns de Shakespeare, de Natal. É a única companhia da programação nacional que já é conhecida do público de BH. Será a estreia na cidade de Abrazo, baseada em O livro dos abraços, de Eduardo Galeano. Também em palco convencional, tem Cinco semanas em um balão, do grupo paulistano Sabre de Luz Teatro.

Le cabaret des acrostiches, com Les Acrostiches (França)
25/5, às 15h, Praça Sete; 26/5, às 11h e às 15h, Parque das Mangabeiras. Teatro de
Arena; 27/5, às 15h, Barragem Santa Lúcia.

Cinco semanas em um balão, com Sabre de Luz Teatro (SP)
21 e 22/5, às 16h; 23/5, às 15h. Centro Cultural Banco do Brasil.

Abrazo, com Grupo de Teatro Clowns de Shakespeare (RN)
27/5, às 19h; 28/5, às 17h; 29/5, às 19h. Teatro Francisco Nunes

Con su permiso, com Tuga Intervenciones (Chile)
21/5 e 22/5, às 11h – Pça Duque de Caxias e 16h – Pça Liberdade; 24/5, às 15h – Av. Augusto de Lima (em frente ao Mercado Central); 26/5, às 15h – Praça da Liberdade.

Les Girafes, opérette animalière, com Compagnie Off (França)
20/5, às 21h – Praça da Estação; 22/5, às 16h30 – Praça Geralda Damata Pimentel (Nova Praça da Pampulha).

 

Le cabaret des acrostiches, com Les Acrostiches (França)
25/5, às 15h – Praça Sete; 26/5, às 11h e às 15h – Parque das Mangabeiras – Teatro de Arena; 27/5, às 15h – Barragem Santa Lúcia.

Clake, com Circo Amarillo (Argentina/Brasil)
28/5, às 16h – Teatro Raul Belém Machado; 29/5, às 10h – Praça JK e às 16h – Viaduto Santa Tereza.

 

 

PARA OS DOCUMENTAIS 

A força que o teatro documental, ou seja, aquele que aposta na encenação de fatos e situações reais da vida cotidiana, ganha no cenário internacional reverbera na programação. O grupo português Casa da Esquina fala sobre imigração e crise econômica em O meu país é o que o mar não quer. A peça nasceu da experiência do próprio ator, Ricardo Correia, na temporada que viveu em Londres.

A Compagnie di Théâtre K traz da França uma história inspirada em fatos reais ocorridos em Barbacena. O texto aborda a paixão de Maria Aparecida e José Marcelino no Hospital Colônia, especializado no tratamento psiquiátrico. Tropa, do grupo Laje, de SP, é a biografia de Capitão Nascimento, o protagonista de Tropa de elite, antes e depois da saída do Bope.

A montagem de rua mineira À tardinha no Ocidente faz do humor licença poética para falar sobre a história do Brasil. Faz coro com Real, do Grupo Espanca!, que encena um linchamento, um atropelamento, um movimento grevista e uma chacina policial.

 

O meu país é o que o mar não quer, com Casa da Esquina (Portugal)
21 e 22/5, às 20h. Centro Cultural Banco do Brasil.

Uma Maria, um José, com Compagnie di Théâtre K (França)
21/5, às 21h; 22/5, às 19h. Teatro de Bolso Sesc Palladium.

Tropa, com Grupo Laje (São Paulo)
23/5, às 16h – Viaduto Santa Tereza – embaixo; 24/5, às 16h – Praça da Savassi – Rua Pernambuco entre Getúlio Vargas e Tomé de Souza; 25/5, às 15h – Parque Municipal – em frente ao Teatro Francisco Nunes.

Real, com Espanca!, (MG)

23/5, às 20h; 24/5, às 18h.
Teatro Francisco Nunes.

À tardinha no Ocidente, com Primeira Campainha (MG)
28/5, às 16h – Praça Duque de Caxias; 29/5, às 16h – Praça da Liberdade.

 

PARA OS ENGAJADOS

Um olhar atento – e crítico – para nosso tempo é função da arte. Na programação principal do FIT-BH, pelo menos seis montagens fazem isso com tintas mais acentuadas. O monólogo escocês The gospel according to Jesus, queen of heaven foi o mais procurado. Os ingressos esgotaram-se uma semana antes do início do festival. Nele, a atriz Jo Clifford interpreta Jesus como uma mulher trans que vive em 2016.

A La Vaca Cia de Artes Cênicas, de Florianópolis, apresenta duas montagens com pegada crítica. Uz é uma comédia mordaz sobre uma família de evangélicos. Já Kassandra é um solo da atriz Milena Moraes, apresentado dentro de uma boate de striptease. A personagem é uma travesti que faz confidências ao público.

Há ainda três montagens da programação local. Cada uma à sua maneira tensiona reflexões sobre violência (Maxilar viril) e feminismo (Calor na bacurinha e Rosa choque).

The gospel according to Jesus, queen of heaven, com Queen Jesus Plays (Escócia)
21, 22 e 23/5, às 21h, no Museu Mineiro.

UZ, com La Vaca Cia de Artes Cênicas (SC)
21/5, às 16h e 21h. 22/5, às 18h. Teatro Sesiminas.

 

Kassandra, com La Vaca Cia de Artes Cênicas (SC)
24, 25 e 26/5, às 21h. Sayonara Night Club.

Maxilar viril, com Maldita Cia de Investigação Teatral (MG)
21/5, às 19h e 22/5, às 21h. Teatro Francisco Nunes.

 

Calor na bacurinha, com Bacurinhas (MG)
25/5, às 20h e 26/5, às 19h. Galpão Cine Horto.

Rosa choque, com Coletivo Os Conectores (MG)
28/5, às 20h e 29/5, às 19h. Galpão Cine Horto.

 

PARA OS MUSICAIS

Uma montagem italiana e outra da Ucrânia são as que prometem musicalidade em níveis mais altos neste FIT. Toledo suíte, da Compagnia Teatral Ana e Enzo Moscato, da Itália, é um recital. Enzo interpreta canções de sua autoria mescladas com citações de grandes nomes do teatro mundial, como Brecht. A mesma companhia apresenta outra montagem: Compleanno aposta em uma experimentação com sons e gestos.

Dakh Daughters Band é criação de uma trupe de cinco mulheres chamada Dakh Theatre. Elas fazem um cabaré pouco convencional. Misturam melodias ucranianas com punk e ritmos orientais. Será, no mínimo, curioso.

Toledo suite, com Cia. Teatral Ana e Enzo Moscato (Itália)
27/5, às 20h e 28/5, às 19h. Centro Cultural Banco do Brasil.

Compleanno, com Compagnia Teatrale Enzo Moscato (Itália)
24/5, às 20h. 25/5, às 19h. Teatro Marília.

Dakh Daughters Band – Freak cabaret, com Dakh Theatre (Ucrânia)
26 e 27/5, às 22h e 28/5, às 19h. Teatro Bradesco.

 

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE TEATRO