Dan Stulbach fala sobre carreira e preferências: 'Gosto que possa navegar pela emoção'

por Agência Estado 02/07/2017 10:30

Estevam Avellar/divulgação
Pai de transexual em A força do querer, Dan Stulbach diz que novela pode ajudar a derrubar preconceitos (foto: Estevam Avellar/divulgação)
Dan Stulbach sabe o que quer. Direto, lista com facilidade o que um personagem precisa ter para chamar a sua atenção. E Eugênio de A força do querer, novela das 21h da Globo, conta com todos esses requisitos. Segundo o ator, é importante que o papel tenha certa relevância dentro da história. Nesse caso, a família de seu personagem está no centro da trama por causa dos dramas de Ruy (Fiuk) e Ivana (Carol Duarte) e do próprio casamento em crise com Joyce (Maria Fernanda Cândido). “Gosto de um tipo mais maduro, que possa navegar pela emoção. E esse é o mais íntegro, honesto e ético que já fiz na vida”, afirma.


Na trama de Glória Perez, Eugênio entregou seu posto na empresa ao filho Ruy para realizar o antigo sonho de ter o próprio escritório de advocacia. No entanto, a iniciativa abalou as estruturas de seu casamento com Joyce. Aos poucos, o advogado se envolve com Irene (Débora Falabella), que o escuta sem julgamentos.

“No início, tivemos as leituras de textos e a Glória (Perez) disse que, se tivesse algo para falar, eu poderia. Ela se mostrou uma autora aberta ao diálogo. Nunca liguei para um autor e reclamei ou pedi nada, mas é bom ter alguém com quem conversar. É um privilégio”, observa.

TRANS Durante o período de preparação, Dan quis entender melhor os transgêneros – pessoas que se identificam com um gênero diferente do biológico. Para isso, promoveu um encontro informal, em São Paulo, com um grupo. Assim, conheceu o assunto antes de ter de lidar com os dilemas de Eugênio e de sua filha, Ivana. No folhetim, a moça passará em breve por uma transformação ao se descobrir homem trans.

“Entrevistei cinco trans. Bati papo com eles, porque queria entender a questão. O preconceito é fruto da ignorância de todos nós. Quando você tem uma novela que chega à casa da grande maioria dos brasileiros propondo esclarecer um assunto como esse, há uma grande possibilidade de derrubar o preconceito Isso engrandece a minha profissão”, acredita.

AGRESSOR Não é a primeira vez que Dan participa de um núcleo com tema polêmico. Em Mulheres apaixonadas (2003), o ator viveu o violento Marcos, que batia na esposa Raquel (Helena Ranaldi) com uma raquete de tênis. Na época, a abordagem resultou em uma conscientização que fez aumentar o número de registros de casos de violência doméstica na Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam).

Segundo o ator, papéis como esse possibilitam uma reflexão da sociedade. Daí a expectativa de que o drama de Ivana também impacte de forma positiva fora da ficção. “Não tenho a pretensão de mudar leis, mas, sim, de deixar uma situação mais clara. Essa é uma das funções da televisão, sem ser chata ou didática. Converso com a Carol (Duarte) sobre isso. Se a cena e o texto forem bons, funciona”, acredita. Para ele, abordar a transexualidade de Ivana desde o começo, quando nem ela sabe quem é de verdade, foi um grande acerto. Dessa forma, o público pode simpatizar com a personagem antes de qualquer rejeição.

Do Saia justa ao CQC

Longe das novelas desde Fina estampa (2011), Dan Stulbach se dedicou a diferentes projetos: passou pelo CQC, da Band, e pelo Bola da vez, da ESPN, como apresentador; fez algumas séries e continuou como diretor artístico do Teatro Eva Herz, em São Paulo. Além disso, seguiu na Rádio CBN, onde começou em 2006 e comanda os programas Hora de expediente e Fim de expediente.

Dan gosta da função de apresentador, prefere fazer perguntas a dar respostas. Segundo o ator, é difícil comandar uma atração sem ter um personagem em quem se apoiar. Durante as férias de Fátima Bernardes, em 2014, ele a substituiu no Encontro com Fátima Bernardes (Globo). Também havia participado do Saia justa (GNT), entre 2012 e 2014. E assumiu o lugar de Marcelo Tas no CQC (Band), na última temporada do programa, em 2015.

“Gosto de dar opinião, mas não curto falar dos meus sentimentos. A dificuldade do programa da Fátima foi assumir uma produção em grande escala. No CQC, foi ser o capitão de um time e substituir alguém que tinha uma história muito longa ali. Adorei. Sou melhor apresentador hoje do que era antes”, conclui. (Raquel Rodrigues/Estadão Conteúdo)

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