Casal Underwood está ainda mais infame na nova temporada de House of cards

Sucesso da Netflix, série teve sua quinta sequência de episódios lançada no fim de maio

por Agência Estado 25/06/2017 08:00


Netflix / Divulgação
(foto: Netflix / Divulgação)
Na quinta temporada da icônica House of cards, no canal Netflix, chove em vários momentos; faz frio e o céu está nublado. Bem, esse é o clima do seriado nessa fase – para o bem e para o mal. A trama se mantém nos cascos. O casal presidencial, Frank e Claire Underwood, está francamente infame e sua presença cada vez mais frequente nas saletas da rigorosamente real Casa Branca reconstruída pela cenografia ganhou em cinismo.

Frank está mais velho, mais gordo e mais canalha. O tempo também passou para Claire. Continua bonita; antes, era linda. A atriz Robin Wright decidiu capitalizar seus 51 anos – não esconde as rugas do pescoço e das mãos. O corpaço está lá e ela mostra orgulho. Kevin Spacey, de 59 anos, está grisalho. Ele, além de encarnar o presidente Frank, também é um dos produtores da série. Dá pitacos o tempo todo, contam os outros atores e o pessoal da equipe de apoio. Ao constatar que a maior parte da temporada de 2017 seria uma espécie de teleteatro e se passaria em ambientes fechados, aumentou os momentos em que se desprega da ação, volta-se para a câmera e conversa com o público. É um recurso e tanto.

No final do 13º e último episódio, Claire, feita presidente, não atende a um telefonema de um ansioso Frank, preocupado em obter dela o perdão de seus crimes, comuns e políticos. Ela ignora o celular. Olha para a frente e diz: “É a minha vez”.

Poderia perfeitamente ter sido assim desde o início. Todavia, sem o roteirista principal, Beau Willimon – trocado pelos experientes Melissa Gibson e Frank Pugliese –, a linha das sutilezas sumiu. A história continua trepidante, claro. Mas, faltou apostar, por exemplo, em um novo Freddy, o churrasqueiro. No começo da série, o personagem, vivido por Reg Cathey, tem uma casa de assados, especializada em preparar costelas à moda sulina, cobertas com seu molho secreto. O então deputado Underwood é um visitante fiel. Os dois pouco se falam, mas as visitas de Frank são fantásticas, reveladoras, psicanalíticas. House of cards não tem mais isso.

Agora, é assim. O presidente Frank tenta convencer a Secretária de Estado (a Secretária de Estado!) a não depor em uma comissão de investigações do Legislativo. Cathy Durant (Jayne Atkinson) se recusa. E Frank a empurra escada abaixo. Na Casa Branca. Hospital, sem depoimento. Bom.

Claire Underwood vira vice e sente que o Salão Oval está ali, bem perto. Para tirar da frente uma ameaça potencial, envenena o amante, Tom Yates (Paul Sparks) – ele morre enquanto fazem sexo. Há mais abrasão. Candidato da oposição esquizofrênico. Um chefe de gabinete que assume assassinatos e ao menos uma forte cena de sexo em cada capítulo. O estilo mau-caráter que aparecia nebuloso, no subtexto, e por isso fascinava, se perdeu na quinta etapa da série. Quem imaginaria, há dois anos, aquela cena do presidente e seu personal trainer nos porões de um baile oficial?

Na sexta etapa, em 2018, o comando nuclear dos EUA estará nas mãos de Claire, que já aparece agora brincando com a maleta do fim do mundo. Talvez seja isso mesmo, o fim de tudo. (Rogério Godoy/Estadão Conteúdo)

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