Vida Alves fez história na televisão brasileira

Com dois beijos, a atriz se tornou pioneira na TV. O primeiro, com Walter Foster, causou escândalo em 1951. O outro, com Georgia Gomide, foi exibido 12 anos depois

por Estado de Minas 05/01/2017 08:00
Agência Estado
Walter Foster e Vida Alves na telenovela Sua vida me pertence, exibida pela TV Tupi (foto: Agência Estado)

A mineira Vida Alves, que marcou a história da televisão brasileira ao protagonizar, ao lado de Walter Foster, o primeiro beijo em uma telenovela nacional em Sua vida me pertence, na TV Tupi, em 1951, morreu na terça-feira à noite, em São Paulo. A atriz tinha 88 anos e sua morte foi causada por falência múltipla de órgãos.

Como na época de Sua vida me pertence não havia videotape, as novelas eram apresentadas ao vivo. Apenas um fotógrafo registrava as cenas, mas, neste caso, o profissional se recusou a registrar o beijo, alegando que nenhuma revista compraria uma imagem escandalosa como aquela.

Vida revelou à imprensa que a cena foi realizada sem qualquer ensaio: “Walter Foster era o diretor artístico, de certa forma meu chefe. Ele explicou ao meu marido, numa visita à minha casa, como seria. Absolutamente marcado: tal postura, tal olhar, a boca ligeiramente aberta, me aproximo e fico uns segundinhos. Assim foi feito, sem ensaio, tudo ao vivo. Foi esteticamente bonito, romântico e simples”.

GAY A atriz também foi pioneira ao protagonizar o primeiro beijo homossexual da televisão brasileira – foi em 1963, em um dos episódios do programa TV de vanguarda, exibido também pela Tupi.

A história de teleteatro se chamava Calúnia. Ela e Georgia Gomide interpretavam diretoras de um internato feminino acusadas de ser amantes. Ao final da história, as duas descobriram que realmente se amavam e, no último capítulo, trocaram um beijo. A atriz revelou que desta vez a cena foi recebida sem discriminação.

PAPAI NOEL Vida nasceu em Itanhandu, no Sul de Minas, em 15 de abril de 1928. Com 6 anos, mudou-se para a capital paulista. Aos 10, participou de um programa radiofônico, mas sua carreira começou no Clube do Papai Noel, de Homero Silva, na Rádio Difusora de São Paulo. Trabalhou nas rádios Panamericana, Cosmos, Cruzeiro do Sul, Standard Propaganda e Cultura.

Aos 18, foi contratada para a Rádio Tupi depois de ser aprovada em um teste feito por Lima Duarte. Ficou 22 anos na emissora. Foi lá que conheceu a televisão, trazida ao Brasil por Assis Chateaubriand, dono da Tupi.

Em 1949, Vida se casou com Gianni Gasparinetti, engenheiro italiano contratado por Chateaubriand. Além de atuar, ela escreveu para o rádio e para a televisão – foram 14 novelas. Entre seus livros estão Televisão brasileira: o primeiro beijo e outras curiosidades (2014) e Todas as Marias (2015). Em 2013, foi lançada a biografia Vida Alves: sem medo de viver, de Nelson Natalino.

Vida lutou pela criação oficial do Museu da Televisão Brasileira, que, por 13 anos, funcionou dentro de sua própria casa. (Estadão Conteúdo e Agência Brasil)

“VIRE ESTRELA”

Vida Alves era avó da cantora Tiê (foto). A artista lamentou a morte dela em seu perfil no Instagram. “Dona Vida Alves fez a passagem. Minha amiga, minha avó, minha parceira, minha musa beijoqueira. 88 anos de muita luz, amor, arte e vida. Vire estrela e descanse em paz. Te amo pra sempre e vou sentir saudades todos os dias”, escreveu Tiê.

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