História de Silvio Santos é tema de exposição em São Paulo

Em cartaz no Museu da Imagem e do Som, mostra conta conta a inacreditável saga do comunicador, cuja história se mistura com a da televisão brasileira

por Agência Estado 22/12/2016 08:50

A história de Silvio Santos está sendo contada em uma exposição no Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo, e foi programada para coincidir com seu aniversário de 86 anos, comemorados no último dia 15. A proposta surgiu como fruto de um improvável pedido de Porta da esperança, um encontro furtivo de Namoro na TV, uma aposta na sorte de Roletrando. Silvio surpreendeu a equipe do museu, capitaneada pelo diretor André Sturm e a cocuradora Gabrielle Araújo. Arredio a homenagens, aceitou a ideia pedindo apenas para não se envolver. Depois, diante das dúvidas dos pesquisadores com datas e dados históricos, aceitou recebê-los em seu camarim.

 

Acervo SBT/Divulgação
Exposição reúne objetos pessoais do apresentador e relíquias que estavam guardadas no SBT. (foto: Acervo SBT/Divulgação )

Silvio e a saga da TV no Brasil têm linhas do tempo que correm paralelas e se cruzam o tempo todo. O trabalho inicial, então, foi localizar essas histórias em imagens de arquivo, áudios, matérias de jornais e revistas da época. ''Foi difícil, porque a preocupação em preservar a memória televisiva é algo que só começou no final dos anos 1990'', diz Gabrielle. O garimpo, no entanto, aparou pérolas como raras imagens de programas como Clube dos 15 (TV Tupi); Ela disse, ele disse (TVS), e Boa noite Cinderela (Globo). Há entre as fotos algumas de Silvio com menos de 3 anos e áudios como o que mostra sua voz trabalhando para a Rádio Nacional, nos anos 1970.

Outra face de Silvio, jogada nos porões da memória, mostra o único produto realizado nos tempos em que ele tentou se tornar um homem do cinema. Produzido pelos Estúdios Silvio Santos, em 1976, com produção de Luciano Callegari, o longa Ninguém segura essas mulheres, com Toni Ramos, Dennis Carvalho, Vera Gimenez e Anselmo Duarte, foi um fracasso tão indefensável que nem a câmera de 35mm de Silvio, importada dos Estados Unidos, salvaria. Apesar de ter no papel outros dois filmes, Silvio se despedia do sonho.

As câmeras, por si, traçam uma linha do tempo mesmo para quem não conhece tecnologia. Silvio cedeu peças históricas que guarda no SBT. Aparelhos de TV também cumprem essa função. Estarão lá o primeiro modelo lançado no Brasil, a primeira televisão em cores do país e a primeira câmera de TV, usada para inaugurar a Tupi.

''As histórias vão surpreender'', diz o diretor-executivo e curador André Sturm. Ele conta que, no fim dos anos 1960, Silvio contabilizava 43 programas no ar em canais variados. ''Ele fazia naquele tempo o que as pessoas fazem hoje, já era um produtor independente.''

 

Silvio Santos inventou os domingos na televisão. ''Antes dele, domingos eram dias mortos. Ele resolveu comprar um horário e criar isso.'' O diretor diz que até poderia ter feito a exposição sem consultar o homenageado, mas que, sem sua ajuda, seria difícil conseguir vídeos, imagens e objetos pessoais. ''A exposição de Silvio foi o mundo ideal. Ele a permitiu e não interferiu em nada. Foi exatamente o contrário da mostra do cineasta Tim Burton, que teve de contar com a aprovação de sua equipe em cada centímetro.''

 

IMERSÃO

 

Os frequentadores poderão se aproximar da experiência de participar de quatro quadros famosos do Programa Silvio Santos: Roletrando, Qual é a música?, Show do milhão e Domingo no parque. As réplicas foram feitas com fidelidade, para que a memória afetiva de três gerações fosse ativada. Haverá também uma réplica do automóvel Jeep com o qual Silvio percorria quilômetros para realizar seu quadro A caravana do peru que fala, uma estratégia do apresentador, criada no final dos anos 1950, para divulgar e vender carnês de seu Baú da Felicidade. Silvio era o próprio peru, um apelido colocado por Ronald Golias, um dos comediantes que seguiam na caravana com outros humoristas e cantores.

Outra ideia da curadoria tem apelo e tudo para causar comoção. Depois de fazer anúncios em jornais, os profissionais localizaram alguns casais que se conheceram graças a quadros de relacionamento de Silvio, como o Casamento na TV e o Namoro na TV. O casal mais antigo, João e Joselina, se encontrou em um episódio de Casamento na TV, de 1968, da TV Paulista (hoje Globo). Eles se casaram um ano depois, e tiveram toda a festa paga e televisionada por Silvio. Alguns dias depois, o apresentador recebeu em outro programa João, Joselina e mais quatro casais que haviam passado pelo quadro. ''Quem aparecer com um filho daqui a nove meses ganha um prêmio'', prometeu o apresentador. E lá estava, nove meses depois, o casal com sua filha recém-nascida. Os depoimentos da família e as fotos do casamento estarão na mostra.

''Gosto muito da parte dos depoimentos'', diz Gabrielle. Eles foram tomados de funcionários que trabalham com Silvio há muitos anos e de artistas e apresentadores que foram lançados por ele, como Eliana, Nelson Rubens, Gugu Liberato e Roque. É o atestado de que os homens não se tornam grandes por acaso. 

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