Saiba por onde andam os personagens do Caso Pedrinho, que inspirou a novela 'Senhora do destino'

Com reprise anunciada pela Globo, trama do autor Aguinaldo Silva é baseada no drama real do caso brasiliense Jayro Tapajós e Maria Auxiliadora Braule Pinto, que teve um filho recém-nascido roubado na maternidade do Hospital Santa Lúcia

por Renato Alves 24/11/2016 18:32

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Divulgação/Globo
(foto: Divulgação/Globo)
A TV Globo vai reprisar Senhora do Destino, uma de suas novelas campeãs de audiência. Ela substituirá Cheias de Charme, em Vale a Pena Ver de Novo.

Senhora do Destino ficou marcada pela vilã Nazaré Tedesco. Interpretada por Renata Sorrah, ela rouba a bebê Lindalva (quando adulta, vivida por Carolina Dieckmann) de Maria do Carmo (interpretada por Dieckmann, quando jovem, e depois por Susana Vieira, quando adulta). Durante quase toda novela, do Carmo busca incessantemente por sua filha desaparecida.

A trama do autor Aguinaldo Silva - exibida entre junho de 2004 e março de 2005 - é inspirada no drama real do casa brasiliense Jayro Tapajós e Maria Auxiliadora Braule Pinto, que teve um filho recém-nascido roubado na maternidade do Hospital Santa Lúcia (Asa Sul), em 1986. Eles nunca desistiram de reencontrar o garoto, chamado Pedro, conhecido nacionalmente como Pedrinho.

Em 2002, a Polícia Civil do Distrito Federal encontrou Pedro em Goiânia, onde era criado como se fosse filho legítimo de Vilma Martins Costa e Osvaldo Martins Borges. Eles o registraram como Osvaldo Borges Júnior.
 
Vilma acabou condenada a oito anos e oito meses, em regime semi-aberto por subtração de incapaz e registro falso de Pedrinho. Logo depois, ela foi condenada pelo rapto e registro de Aparecida Fernanda Ribeiro da Silva. A jovem, que a ex-empresária registrou como Roberta Jamilly, era Aparecida Fernanda Ribeiro da Silva, roubada de uma maternidade em Goiânia em 1979. Somadas, as condenações de Vilma em primeira instância renderam 19 anos e nove meses de cadeia.


POR ONDE ANDAM E O QUE FAZEM OS PERSONAGENS DO CASO PEDRINHO?

 

Pai e advogado

 

Pedrinho, o protagonista do caso mais famoso de um menino roubado em maternidade no Brasil, hoje é um homem feito, o doutor Pedro. Advogado, casado, morador da Asa Norte, pai de um brasiliense de 4 anos, funcionário de um renomado escritório de advocacia, Pedro Júnior Rosalino Braule Pinto, 30 anos, leva a vida de um típico cidadão de classe média da capital do país. Pratica corrida de rua, joga futebol com os amigos no meio da semana, sonha com a estabilidade do serviço público e se vira para dar conta das obrigações de pai de família e de trabalhador.

Avesso à entrevistas, Pedrinho busca o anonimato. Mas, ainda, é reconhecido por boa parte dos brasiliense.

Daniel Ferreira/CB/D.A Press 12/9/2014
Pedro Rosalino Braule Pinto, o Pedrinho, beija a barriga da mulher Nábyla Galvão, grávida de João Pedro (foto: Daniel Ferreira/CB/D.A Press 12/9/2014)

O filho dele veio ao mundo com 3,2kg, 48cm e muito cabelo, em novembro de 2012. João Pedro, que ganhou o nome em homenagem aos avós maternos, nasceu no Hospital Santa Helena, na Asa Norte, em um parto cesariano, fruto da relação de Pedro Júnior com a administradora de empresas Nábyla Gabriela Queiroz Galvão, 28 anos. Eles se casaram em novembro de 2010. Nascida e criada em Santa Maria da Vitória (BA), Nábyla mudou para Brasília, distante quase 600km, aos 12 anos, para estudar. Fã de axé-music, conheceu Pedro aos 15, em uma festa sertaneja, o ritmo preferido dele, criado em Goiânia.

 


Em liberdade

 

Pedro mantém vínculos com Goiânia. Costuma viajar de carro pelos 200km do trajeto da BR-060 que liga Brasília à capital goiana para rever os amigos e a família de criação. Visita inclusive Vilma, a mulher condenada por raptá-lo e registrá-lo como se filho legítimo dela fosse. Também considerada culpada pelo sequestro e o registro falso de uma recém-nascida em Goiânia, crime ocorrido em 1979, ela ganhou a liberdade condicional em agosto de 2008, após cumprir 5 dos 19 anos das penas inicialmente imposta pela Justiça.

Sem ter confessado em alguma delegacia ou em juízo os crimes atribuídos a ela e com 59 anos, Vilma mora no bairro Itanhangá, em Goiânia, com Roberta Jamilly Martins Borges, a menina levada de uma maternidade da capital goiana há 34 anos. Ela também casou e teve um filho. Mas, diferentemente do irmão de criação, não retomou o nome original, Aparecida Fernanda Ribeiro da Silva, nem o convívio com a família biológica. Sequer visita a mãe verdadeira, Francisca Maria Ribeiro, hoje com 76 anos.

Monique Renne/CB/D.A Press 18/8/2008
Vilma Martins Costa, durante audiência em que ganhou a liberdade condicional, no Fórum de Goiânia (foto: Monique Renne/CB/D.A Press 18/8/2008)

Vilma ganhou a liberdade condicional em 19 de agosto de 2008, após conseguir reduzir a pena e ganhar o benefício do regime semi-aberto. Desde então, não pode deixar Goiânia sem autorização judicial e tem de comunicar a Justiça a mudança de endereço. Também é obrigada a chegar em casa antes das 21h, mas não precisa comprovar trabalho. As normas valem até 16 de fevereiro de 2019, quando expira a pena imposta à ela. Ela e Roberta se recusam a dar entrevista.

 

Avós corujas

 

Morando na mesma casa, no Lago Norte, os verdadeiros pais de Pedrinho, Maria Auxiliadora Braule Pinto, a Lia, 62 anos, e Jayro, 63, curtem a tranquilidade da aposentadoria e os quatro netos: João Pedro e três meninas. Elas são da filha Cláudia, 33 anos. Pedro, Nábyla e João Pedro constumam visitar Lia e Jayro todos os fins de semana, especialmente aos domingos, no tradicional almoço de família.

Carlos Vieira/CB/D.A Press 11/3/2015
Maria Auxiliadora Braule Pinto e Jayro Tapajós, durante lançamento do livro O Caso Pedrinho (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press 11/3/2015)
 

Lia se dedica ao artesanato e à família. Já Jayro , após sofrer um enfarto em 2011 — em meio a uma partida de futebol entre amigos, em um clube do Lago Sul —, descobriu o gosto pela escrita. Publicou o primeiro livro, Direito Tributário para Concursos, lançado pela editora Gran Cursos, em 2012. Escreveu outra obra, também voltado a concurseiros, para quem deu aulas por 20 anos. Desde o susto em campo e a cirurgia a que teve de ser submetido, o fiscal aposentado da Receita Federal deixou a paixão pelo futebol de lado.

 

LINHA DO TEMPO:

 

O sequestro de Pedrinho é o caso mais famoso no Brasil de um bebê levado de maternidade. Tanto que a história virou tema da novela Senhora do Destino, sucesso de Aguinaldo Silva exibido entre 2004 e 2005.

1986 

Juscelino Somentino/CB/D.A Press 21/1/1986
Maria Auxiliadora Rosalino Braule Pinto, mãe de Pedrinho, logo após ter o bebê sequestrado no Hospital Santa Lúcia (foto: Juscelino Somentino/CB/D.A Press 21/1/1986)

21 de janeiro: Passando-se por enfermeira, uma mulher entra no quarto onde Maria Auxiliadora Braule Pinto se recupera do parto do filho Pedro. A desconhecida diz que vai levar o bebê para exames e some com ele. O crime ocorre nas dependências do Hospital Santa Lúcia, em Brasília.

 

2002

20 de agosto: Por meio de e-mail, um anônimo conta a história sobre um garoto nascido em Brasília e adotado por uma família goiana. A Polícia Civil candanga recebe provas apontadas pela pessoa de que se trata de Pedrinho, como fotografias e descrições do garoto. Agentes vão para Goiânia, onde ele mora.

José Varella/CB/D.A Press 14/11/2002
Retrato falado oficial da sequestradora do bebê Pedrinho em 1982 comparado com foto de Vilma Martins, rejuvenescida 16 anos (foto: José Varella/CB/D.A Press 14/11/2002)

7 de novembro: O Correio torna pública a investigação sobre o adolescente morador de Goiânia. Falta o DNA. O menino só doa material genético para o teste após uma troca de telefonemas com Jayro e a promessa da Polícia Civil que nada acontecerá com a mulher que o criou como filho legítimo, Vilma Martins Costa.
 
8 de novembro:
Sai o resultado do DNA: o menino registrado como Osvaldo Martins Borges é na verdade Pedro Rosalino Braule Pinto. O desfecho do caso vira notícia em todo o país e no exterior. Mas não significa o reencontro imediato do menino com os pais biológicos.

Acácio Pinheiro/CB/D.A Press/Brasil, Brasília - DF 8/11/2002
Jairo Tapajós, pai do bebê Pedrinho sequestrado por Vilma Martins em 1986, fala à imprensa e mostra resultado do exame de DNA, que comprova que Pedrinho é seu filho (foto: Acácio Pinheiro/CB/D.A Press/Brasil, Brasília - DF 8/11/2002)

2003

Edilson Rodrigues/CB/D.A Press/Brasil, Goiânia - GO 3/5/2003
Roberta Jamilly chora durante entrevista coletiva, em Goiânia (foto: Edilson Rodrigues/CB/D.A Press/Brasil, Goiânia - GO 3/5/2003)
 

12 de fevereiro: A polícia goiana confirma, também por meio de DNA, que outro bebê levado de uma maternidade em Goiânia, 24 anos antes, havia sido criado por Vilma como filho verdadeiro dela. A menina que a ex-empresária registrou como Roberta Jamilly, era Aparecida Fernanda Ribeiro da Silva, roubada em 1979.

28 de abril:
O Tribunal de Justiça de Goiás decreta a prisão preventiva de Vilma no processo que investiga o sequestro de Pedrinho. A decisão parte do juiz Adegmar José Ferreira, da 10ª Vara Criminal. Agentes vão à casa da acusada munidos do mandado de prisão, mas não a encontram. Ela é dada como foragida.
 
12 de maio: No início da manhã, Vilma Martins é surpreendida com fortes batidas na porta da casa onde buscou abrigo. Três policiais forçam a porta e entram no imóvel localizado em Aparecida de Goiânia. Eles encontram a empresária de 47 anos sob um enorme sofá e lhe dão voz de prisão.

Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press/Brasil, Goiânia - GO 13/5/2003
Vilma Martins, durante sua prisão pelo sequestro do menino Pedrinho (foto: Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press/Brasil, Goiânia - GO 13/5/2003)
 

24 de agosto: Oito anos e oito meses, em regime semi-aberto. O juiz Adegmar José Ferreira assina a sentença de Vilma, já presa. A pena diz respeito à subtração de incapaz e registro falso de Pedrinho. Logo depois, ela é condenada pelo rapto e registro de Aparecida Fernanda Ribeiro da Silva. Somadas, as condenações de Vilma em primeira instância renderam 19 anos e nove meses de cadeia.

2004
 
28 de maio:
Desembargadores goianos reduzem em três anos e seis meses a pena imposta à ex-empresária no caso do sequestro de Pedrinho. Eles acatam uma das alegações da defesa, a de que o crime de parto suposto já prescreveu, pois ocorreu há mais de oito anos.

30 de maio: Vilma tem pena reduzida em seis meses no processo em que foi condenada por registro falso de Aparecida Fernanda Ribeiro da Silva. Já conseguiu reduzir quatro anos da pena com os recursos.

2005
 
27 de dezembro: Vilma começa a cumprir pena em regime semi-aberto. Só terá que dormir na Casa do Albergado, em Goiânia. Agora, divide um pequeno quarto com cinco jovens detentas.

2006
 
A sequestradora de bebês passa a maior parte do ano fora da Casa do Albergado. Graças aos 12 atestados médicos apresentados à Justiça, ela ficou cerca de 200 dias na confortável chácara da família ou em uma clínica.

2007
 
9 de janeiro: Vilma é transferida de um hospital para a CPP. O juiz ordena a remoção após analisar relatório da Casa do Albergado, para onde a detenta não retornou após a saída de Natal. Enfermeiros e agentes constataram que ela jogava fora os remédios prescritos e se alimentava de forma prejudicial à saúde.

2008

 
Junho: Após cinco anos na cadeia, Vilma ganha o direito de cumprir pena em regime aberto. Ela começa a desfrutar do benefício na última semana do mês e até o fim do ano.

19 de agosto:

Vilma ganha a liberdade condicional. Não poderá deixar Goiânia sem autorização judicial, terá de comunicar à Justiça a mudança de endereço, será obrigada a chegar em casa antes das 21h, mas não terá que comprovar trabalho. As normas valem até 16 de fevereiro de 2019, quando expira a pena.

2011
 
19 de novembro: Pedrinho se casa com a baiana Nábyla Gabriela Queiroz Galvão, em Brasília. A cerimônia reúne seus familiares brasilienses e goianos do noivo. Três meses depois, ele descobre que vai ser pai. O bebê nasce em dezembro.

 

 

» PARA LER

Título: O Caso Pedrinho
Autor: Renato Alves
Formatos: impresso e e-book
Número de páginas: 240
Editora: Geração Editorial
Preços: a partir de R$ 29,90 (impresso) e R$ 9,90 (digital

» A versão digital pode ser baixada em leitores de e-book (como Kobo e Kindle), tablets, smartphones, laptops e computadores comuns. Está à venda nos sites das grandes lojas do país, como a Amazon.com.br, a Saraiva e a Cultura. Digite O Caso Pedrinho e ele aparecerá. Para fazer o download, é preciso ter instalado no aparelho o aplicativo da loja 

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