Inspirada em filme, série Westworld estreia hoje em 10 episódios

HBO estreia hoje a superprodução Westworld, que se passa em um parque temático com robôs que acreditam ser humanos. Série criada por J. J. Abrams e Jonathan Nolan promete reviravoltas

por Mariana Peixoto 01/10/2016 06:00

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HBO/Divulgação
HBO/Divulgação (foto: HBO/Divulgação)
São Paulo – Todo dia ela faz tudo sempre igual. Abre os olhos, pensa como sua vida é perfeita, coloca seu vestido azul, beija o pai na varanda, vai até o centro da cidade. Com um cavalo, passeia pelo campo, por vezes com um rapaz por quem está apaixonada. Quando a noite cai, bem, a história pode mudar. Mas, no dia seguinte, ela vai novamente acordar, vestir a roupa, beijar o pai...

A loira Evan Rachel Wood é a primeira personagem a ser apresentada em Westworld, a superprodução da HBO que tem estreia mundial nesta noite. Série em 10 episódios e grande aposta do canal norte-americano para este semestre, traz nomes estelares na frente e atrás das câmeras.

Inspirada no filme Westworld – Onde ninguém tem alma (1973), um sci-fi com doses de thriller e western criado e dirigido por Michael Crichton (Parque dos dinossauros), a produção é encabeçada por Jonathan Nolan (Interestelar e Batman – O cavaleiro das trevas) e J. J. Abrams, que dispensa apresentações. No elenco, além de Evan Rachel Wood, estão Anthony Hopkins, Ed Harris e Thandie Newton.

Rodrigo Santoro, após uma frustrada participação em Lost (também de Abrams), volta, uma década depois, a participar de uma série americana. E sim, com um papel de destaque. Um fora da lei que chega já causando no mesmo cenário onde vive Dolores Abernathy, a loirinha de Evan Rachel Wood que habita um mundo perfeito. Já no primeiro episódio, ao som de Paint it black (The Rolling Stones) ao piano, ele surpreende uma cidadezinha do Velho Oeste ao protagonizar um tiroteio.

Bem, a história. A reportagem assistiu na semana passada ao episódio de estreia. A narrativa tem um início de western, com todos os clichês dos filmes do gênero (a mocinha, o vilão, os viajantes etc.). Só que nada ali é real. Estes personagens são robôs hiperrealistas que habitam um parque temático, chamado Westworld.

No entanto, eles não sabem disto, acreditam em sua própria humanidade. Os humanos pagam caro para um dia no parque, onde podem fazer o que quiserem com os personagens-robôs, inclusive matar. O ambiente real, por assim dizer, é no futuro. O criador do parque e das centenas de robôs é Robert Ford (Anthony Hopkins), que preside o local hoje disputado por outros profissionais.

O mau funcionamento de um robô vai afetar todo o universo artificial. Mais do que isto não dá para dizer. Todos os atores assinaram, com a HBO, um termo de compromisso em que não podem revelar detalhes da narrativa. “Não posso falar” foi o que mais Santoro disse na entrevista quando questionado se participa de todos os episódios, se há outros cenários além da vila do Velho Oeste e até mesmo com quais atores ele contracena.

É a estratégia da HBO que, mesmo com a ascensão da Netflix no universo serial, continua sendo a principal referência na produção de séries de entretenimento. Ao contrário da concorrente do streaming, que entrega todos os episódios de uma só vez, a emissora paga norte-americana ainda aposta nos episódios semanais.

Para conseguir segurar uma audiência hoje tão diluída, tamanha a diversidade de produções e de maneiras de assisti-las, tem que apresentar um conteúdo inteligente que “segure” o espectador até a semana seguinte. O primeiro episódio de Westworld garante isto, sem dúvidas. E alguns nós na cabeça, que até o próprio Santoro ainda não desatou totalmente.

WESTWORLD
A série estreia hoje, às 23h, na HBO. A partir do próximo domingo, a produção será exibida à meia-noite. Às 23h, será reprisado o episódio da semana anterior.

Três perguntas para...
Rodrigo Santoro, ator


São 10 anos desde sua primeira, e então única, participação numa série americana (Lost). E, pela segunda vez, trabalha com J. J. Abrams. A diferença entre os dois projetos foi muito grande?
Muito. Ali (em Lost), a gente tinha 20 episódios, não era uma série fechada, era TV aberta. O ritmo de filmagem em Westworld é mais artesanal. Agora, as duas séries trabalham com a reviravolta, o mistério. Mas Westworld é um mundo próprio e, apesar de estar categorizada como ficção científica, cabe muita coisa nela. Tem que ver para entender. Quanto a J. J., ele é um visionário. O Jonathan (Nolan) também, são uma dupla. Às vezes, você vem com uma pergunta, algo meio normal, sobre o que estão querendo em determinada cena, aí eles vêm com uma resposta muito mais complexa, dando um nó na cabeça. De nó em nó, fomos seguindo, mesmo que uns ainda não tenham sido desatados.

Seu personagem, Hector Escaton, foi inspirado no de Yul Brynner no filme original?
A inspiração pode ser o fora da lei do Yul Brynner, mas não é exatamente a mesma coisa. Na verdade, essa série não é um remake do filme, esqueça isto. A gente trabalha com o conceito do filme, que é o de um parque temático para satisfazer os desejos dos seres humanos. Na verdade, o mundo (da série) não tem regras para os humanos e nenhuma consequência para suas ações. Quando começamos a filmar, sabíamos muito pouco, o essencial para fazer o trabalho. Não recebemos as informações completas dos personagens. Adoraria que fosse como no Netflix (em que tudo é filmado de uma vez só), mas aqui você tem que se virar nos 30, recebe o material e tem dois, três dias para fazer. Não tinha muita informação. Por outro lado, como muita coisa foi reescrita no set, houve autonomia para fazer mudanças, algum espaço para improvisação do ator.

Você só participou de Velho Chico porque houve uma interrupção nas gravações de Westworld. Esta experiência na TV aberta no Brasil abriu outros horizontes?
A escolha de fazer uma novela foi muito consciente. Eu queria voltar a dialogar com o grande público. Há uma possibilidade de fazer alguma coisa com a HBO aqui no Brasil e na própria Globo. Também estou flertando com a ideia de voltar ao teatro. Estou muito inclinado a fazer novos trabalhos no Brasil.

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