Preenchimento é indicado para quem deseja remodelar e restaurar a beleza do rosto

Gel à base de ácido hialurônico é o melhor material por ser bem aceito pelo organismo, que não o considera estranho

por Lilian Monteiro 15/09/2017 12:11
Reprodução/Internet/D'Oro Estética Especializada
(foto: Reprodução/Internet/D'Oro Estética Especializada)

Ele ameniza os sulcos da boca, remodela as maçãs do rosto, trata cicatrizes deprimidas, rugas, olheiras, melhora a flacidez e a hidratação da pele local e recupera o volume do rosto, disfarçando os sinais de envelhecimento. Tudo isso você pode conquistar se tiver indicação médica para o preenchimento facial com ácido hialurônico, o melhor material para o procedimento por ser maleável e biocompatível, ou seja, molécula feita em laboratório, mas com uma substância que o organismo não reconhece como estranha, porque está presente em nossa pele.

A médica Eveline Bartels, especialista em dermatologia estética, membro da Sociedade Brasileira de Laser e da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), revela que o preenchimento facial evoluiu muito, tanto a técnica quanto o material. “Hoje, tem o gel de alto cross-linking (reticulação) que confere estabilidade com maior tempo e duração. Se, antes, durava até seis meses, agora é de um ano a um ano e meio. Mudou a densidade (textura). Antes era uma, agora são cinco, o que facilita ao escolhermos a profundidade e o local anatômico. Outra evolução é que o ácido hialurônico está mais puro e com mais qualidade, o que diminuiu a chance de inchaço e edema. E a aplicação também é menos agressiva. Fazemos com uma cânula com agulha bem fina.” Ela lembra ainda que há três tipos de anestesia local. O próprio gel tem anestésico misturado na fórmula e, por ser um procedimento tranquilo, o paciente pode sair da clínica direto para trabalhar.

Juarez Rodrigues/EM/D.A Press
A dermatologista Eveline Bartels diz que a aplicação de ácido hoje é bem menos agressiva (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)
Eveline Bartels avisa que a principal contraindicação a considerar é em termos de expectativa, ou seja, o paciente que quer um resultado irreal, incompatível com seu tipo e esquece que cada um tem seu biótipo e a beleza diferentes. Também não se faz em quem tem infecção no local, durante a gravidez e em portadores de doenças autoimunes, como lúpus e reumatismo.

De acordo com a dermatologista, atualmente, o preenchimento facial mais pedido é o contorno da mandíbula, porque retarda a cirurgia plástica, já que faz diminuir muito a sensação de rosto caído. Em alguns casos, pode até desaparecer. A médica lembra que muitos têm medo de engordar a face, mas, na realidade, emagrece o rosto, porque faz as vezes de osso. Imagine o preenchimento com o ácido hialurônico como se fosse uma gelatina, que consegue levantar a pele. Por isso, ele também é reparador, sendo aplicado em cicatrizes de acne e de acidentes, celulite e até no dorso da mão. Eveline Bartels explica que, em casos de paralisia de Bell, por exemplo, se for recente, o botox é mais indicado, porque a consequência da paralisia aparece mais no movimento. No entanto, se tem mais tempo, o preenchimento pode ser a opção.

PRECOCE

Eveline Bartels reforça que, apesar de antiga, o que há de mais atual no preenchimento facial é a técnica, que mudou. “É a harmonização facial por meio do MD Codes, códigos médicos, com uma técnica que foca em pontos da face.” A dermatologista enfatiza que não tem uma idade para fazer o preenchimento. “Em questão de rejuvenescimento, tudo que é precoce é melhor. O ideal é que se faça no primeiro sinal de perda de volume para que a recuperação tenha resultado melhor. Mas toda indicação é individualizada”.

Quanto ao valor, Eveline Bartels conta que tem de todo preço, dependendo da qualidade do produto - há ácido hialurônico manipulado, outros mais simples e modernos -, da técnica, da formação médica, da quantidade de ampolas necessárias e da área a ser preenchida. A média é de R$ 900, R$ 1 mil a R$ 3 mil por ampola.

A médica ressalta o perfil de segurança do preenchimento facial. “Além de ser absorvido pelo organismo, ele é reversível. A enzima hialuronidase dissolve o ácido hialurônico em até 24 horas.” Por outro lado, Eveline Bartels reforça a importância de escolher um profissional médico qualificado. “Há casos de cegueira por erro da técnica aplicada na hora do preenchimento”, alerta.

Lucas Bacelar/Divulgação
(foto: Lucas Bacelar/Divulgação)
Palavra de especialista
Tathya Taranto membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia e da Sociedade Bras. de Cirurgia Dermatológica

Análise tridimensional

“O ácido hialurônico é uma das principais substâncias usadas no preenchimento facial, mas a forma de realizá-lo mudou muito nos últimos tempos. Se, antes, os profissionais de dermatologia tratavam as necessidades do paciente de maneira pontual, preenchendo um sulco aqui, aplicando uma toxina botulínica em uma ruga ali, agora, com as novas tecnologias, é possível ter um ganho estético facial mais amplo, o que chamamos de harmonização da face, que aperfeiçoa traços e realça a beleza natural, e utiliza juntos o preenchimento e a toxina botulínica. A análise tridimensional é primordial para determinar os procedimentos a serem empregados pelo dermatologista, seja para rejuvenescer seja para embelezar. Se uma mulher tem o olhar mais caído, por exemplo, optamos por pontos de toxina botulínica para elevá-lo. Usamos o ácido hialurônico, por outro lado, para dar volume, sustentar a face, repor gordura, corrigir rugas ou fazer pequenos acabamentos. Trabalhar em cima desse conceito significa parar de tratar rugas somente. Por meio da associação de procedimentos minimamente invasivos, planejada de forma personalizada, melhoramos a aparência, de forma natural, sem exageros, e elevamos a autoestima.”

Estudo com células-tronco

Arquivo Pessoal
Denise Steiner, dermatologista, reforça que a técnica pode controlar o avanço da flacidez (foto: Arquivo Pessoal)
As células-tronco, também chamadas de células-mãe, são capazes de se transformar e gerar células idênticas aos mais diferentes tipos de tecidos e partes do corpo. No tecido adiposo, onde ficam as células de gordura, as células-tronco são únicas, com uma enorme capacidade de multiplicação, e podem ser isoladas por meio de lipoaspiração ou abdominoplastia. As chamadas células-tronco mesenquimais, derivadas do tecido adiposo, se mostram eficazes como fonte de terapia celular para diferentes tipos de tratamentos. Na dermatologia, elas vêm sendo utilizadas para cicatrização de feridas, tratamento de queimados, tratamento de epidermólise bolhosa (doença genética grave), além de protocolos em cirurgias de enxerto de pele e preenchimento cutâneo. Há também alguns trabalhos utilizando a célula-tronco para tratar a calvície.

Denise Steiner, médica e especialista em dermatologia pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), da qual foi presidente entre os anos de 2013 e 2014, e coordenadora do Serviço Credenciado de Dermatologia da Universidade de Mogi das Cruzes, apresentou protocolo para estímulo da produção de colágeno criado a partir de fração estromal vascular (FVE), que é uma fração descartável da lipoaspiração e tem grande quantidade de células-tronco mesenquimais.

Para o estudo, foram selecionadas 10 pacientes de 30 a 48 anos, sem doenças graves, sem reposição ou tratamentos hormonais. Cinco mulheres foram submetidas à lipoaspiração para retirada do tecido gorduroso. Houve, então, o preparo específico para isolar a fração estromal vascular, que foi aplicado no sulco nasogeniano. Outras cinco mulheres foram tratadas com um preenchedor convencional sintético, que estimula o colágeno nas mesmas regiões do rosto.

ESTÍMULO DE COLÁGENO

“O que fizemos foi um estudo comparativo entre o preenchimento com um produto sintético e o preenchimento com a fração estromal vascular. Essa fração foi retirada de material coletado por meio de lipoaspiração em tecido gorduroso, centrifugada e preparada com uma técnica específica para isolar células mesenquimais/células-tronco da gordura. Depois da aplicação, notamos que os resultados foram muito similares entre preenchedor sintético e fração estromal, mostrando o potencial para preenchimento e estímulo de colágeno deste último. Por isso, novos estudos nessa área são essenciais”, explica Denise Steiner.

Doutora em dermatologia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Denise Steiner reforça que, pelo resultado, “o uso das células de gordura pode ser sim uma opção para o tratamento de envelhecimento cutâneo. A possibilidade de usarmos nossas próprias células para estímulo do colágeno é alentadora. Estudo isolando as células-tronco e provocando a especialização da mesma ocorrem no mundo todo. Nossas pacientes ainda apresentam resultados positivos cerca de três anos depois da aplicação, demonstrando que a técnica pode controlar o avanço da flacidez e do envelhecimento cutâneo”.

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