Tecnologia une especialistas em prol do paciente

Sala de comando remoto permite compartilhar exames de alta qualidade com profissionais de qualquer região do Brasil

por Ellen Cristie 13/03/2017 15:32
Siemens/Divulgação - 21/2/17
Operadores ligados à internet conseguem acompanhar até três exames simultaneamente (foto: Siemens/Divulgação - 21/2/17)

Vamos supor que o hepatologista encontrou um pequeno nódulo em seu fígado por meio de um ultrassom abdominal e, posteriormente, pediu uma tomografia, mas precisa avaliar o caso de forma mais detalhada. Ao solicitar uma ressonância magnética, ele pede o auxílio de profissionais de outro estado para se certificar do diagnóstico. Mas como contar com o apoio de um médico que está do outro lado do país? Uma sala de comando remoto, criada pela Siemens Healthineers do Brasil, permite ao especialista em ressonância magnética visualizar imagens e realizar exames de qualquer lugar.


Paciente, auxiliares e operadores interagem e monitoram o ambiente. Anteriormente, a sala de comando concentra dados configurados do paciente, com histórico clínico e solicitação médica. O processo é simples: um computador é conectado à internet. Um especialista realiza os procedimentos presenciais utilizando os equipamentos de ressonância magnética, que estarão interligados a uma central por meio de um kit de hardware que inclui câmeras, interfaces de áudio e sensores. Esse conjunto se conecta a 65 equipamentos de ressonância. Cada tecnólogo consegue acompanhar até três exames simultaneamente.

Com a sala de comando, é possível garantir a qualidade dos serviços, a padronização dos exames e reduzir o índice de reconvocação de pacientes, com o especialista em ressonância visualizando as imagens por meio de um computador conectado à rede ou à internet, enquanto um auxiliar local realiza os procedimentos presenciais. No Brasil, a sala de comando foi instalada em São Paulo, mas permite acompanhar exames realizados em qualquer localidade do país.

Durante a 102ª Reunião Anual da Sociedade Americana de Radiologia, realizada em novembro, em Chicago, 52 mil radiologistas e especialistas em imagem de mais de 130 países foram incentivados a criar equipes multidisciplinares em busca de melhores resultados clínicos, visando especialmente à qualidade de vida do paciente. Com o tema ‘Além da imagem’, o encontro mostrou a importância da interação entre radiologistas e médicos de outras subespecialidades no que se refere aos avanços tecnológicos na área de saúde, somada à personalização do tratamento.

Segundo Guillermo Gabriel Raimondo, presidente da Siemens Healthineers para a América Latina, uma das grandes preocupações da empresa é oferecer maior acesso à saúde a preços mais acessíveis, com foco na prevenção, no diagnóstico cada vez mais preciso e na redução de emissões de radiação. “Não há dúvidas de que quanto melhor for o diagnóstico, melhor é o tratamento”, explica. “Se uma imagem é de qualidade inferior, com certeza o diagnóstico não será o mais correto. Se as emissões de radiação forem menores, melhor para o paciente e para os médicos que manipulam esses equipamentos.”

BIG DATA

Entre as tendências, ele aponta a análise de dados (big data) como um dos grandes saltos para a evolução do mercado na área de saúde. “A partir de estudos é possível verificar se em uma população há mais casos de câncer, de diabetes, de eventos cardiovasculares. E aí entra a tecnologia”, acrescenta.

Ellen Cristie/EM/D.A Press - 21/2/17
"Não há dúvidas de que quanto melhor for o diagnóstico, melhor é o tratamento" - Guillermo Raimondo, presidente da Siemens Healthineers para a América Latina (foto: Ellen Cristie/EM/D.A Press - 21/2/17)
Guillermo Raimondo destaca falhas de alguns governos que optam por comprar equipamentos e tecnologias mais baratas, mas que nem sempre revertem em melhores resultados. “O custo/benefício não vale a pena.”

Para Bernd Montag, presidente-executivo da Siemens Healthineers, se há 20 anos havia apenas um grande hospital que detinha a tecnologia, com médicos separados por departamentos, agora vemos sistemas multi-hospitalares com gerenciamento amplo. “A partir da industrialização dos processos, estamos buscando melhorar a produtividade, gerenciando a saúde em vez de tratar doenças.”

Como parte da estratégia da empresa para os próximos anos está o treinamento de tecnólogos e discussões com governos e planos de saúde. “Estamos iniciando um projeto no Brasil para debater sobre a saúde do brasileiro nos próximos 20 anos.”

* A repórter viajou a convite da Siemens Healthineers

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