Saiba quais são os riscos de se treinar apenas aos finais de semana

A constância dos treinos é mais importante - e saudável - do que a intensidade

por Revista do CB 05/12/2016 11:30
Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press
O estudante Rafael Real pratica futebol somente aos sábados, o que tende a sobrecarregar as articulações (foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)
Aviso aos sedentários: o futebol de domingo pode trazer mais prejuízos do que se imagina. As consequências dos exercícios esporádicos podem ir desde lesões nas articulações até infarto. Porém, só é perigoso caso o exercício seja praticado com muita intensidade. “O exercício físico leve ou moderado traz diversos benefícios e deve ser praticado por todos”, garante o cardiologista Fausto Stauffer.

O problema dos atletas de fim de semana é a intensidade e a periodicidade do treino — falta a eles preparo físico. A personal trainer Carla d’Arcanchy explica que as lesões são consequência da falta de hábito. “Eles não têm uma base cardiovascular, neuromuscular nem a flexibilidade demandada. Em apenas um treino, dão o seu máximo, exigindo das articulações e dos músculos um condicionamento que não possuem”, adverte.

Se a pessoa já é sedentária há muito tempo e quer começar a praticar exercícios físicos, é importante começar devagar. “Esse indivíduo precisa de orientação para começar a prática. Jamais pode começar com uma atividade de alto impacto. É melhor começar de forma mais amena antes de subir a carga do exercício”, esclarece o ortopedista Julian Machado. Antes de tudo, é importante fazer exames para verificar possíveis problemas nas articulações e no sistema cardiorrespiratório (coração e pulmão). Fausto Stauffer reforça a importância dos exames até mesmo para os mais novos: “Seja jovem, seja de meia-idade, é importante fazer exames para conhecer a pressão arterial, as taxas de colesterol, de glicose. Também é preciso averiguar possíveis problemas congênitos, como a arritmia, que podem levar à morte súbita em todas as idades”, explica.

O estudante de direito, Rafael Real, 25 anos, tem uma rotina corrida, com aulas na faculdade pela manhã e à noite, além de estudar para concursos durante a tarde. Sendo assim, Rafael não encontra tempo para atividades físicas durante a semana. “Tentar eu tento, mas não tenho conseguido. Uma vez ou outra vou à academia, mas não passa de duas vezes na semana”, relata. Apesar dessas atividades esporádicas, Rafael não perde o jogo de futebol com os amigos aos sábados. Ele não tem nenhum tipo de acompanhamento médico e desenvolveu dores no joelho direito.

Na faixa dos 20 anos, o risco do exercício de fim de semana é considerado baixo, mas a falta de coordenação motora pode, sim, causar lesões nos ombros e nos joelhos. A probabilidade de lesões aumenta gradativamente de acordo com a idade e, aos 40, há risco de as artérias do coração já estarem obstruídas, podendo levar ao infarto se a malhação for pesada. “Todo paciente acima dos 40 deve fazer eletrocardiograma e avaliação física antes de começar a praticar exercícios”, reforça o cardiologista Fausto. Também é importante cuidar da coluna, do quadril e do joelho. “Essas são as articulações que mais sofrem com os exercícios irregulares”, explica Julian Machado.

Não vale a pena arriscar. “A gente precisa de repetição. Quando o treino é intenso, ele precisará ser repetido dentro de algum intervalo”, enfatiza Carla d’Arcanchy. Não dá para alcançar os objetivos rapidamente. “Não se consegue resultados do dia para a noite. Você não começa a correr e já vai para a maratona de Nova York”, explica Julian Machado.

De acordo com a OMS (Organização Mundial de Saúde), é necessário pelo menos 150 minutos semanais de exercício. “Se não tem regularidade, não tem benefícios do ponto de vista cardiovascular”, assegura Fausto Stauffer. Para considerar-se ativo, eis um bom parâmetro: pelo menos 40 minutos três vezes por semana. A personal Carla d’Arcanchy reforça que 30 minutos de fortalecimento muscular, pelo menos duas vezes na semana, já ajuda. “Em casa mesmo, faça uma sessão de 15 a 30 minutinhos de fortalecimento — não precisa de muita coisa, é só força de vontade”, garante.

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