Vale tudo para festejar, menos se endividar: veja dicas para o Natal

As festas de fim de ano são também um bom momento para falar de consumo com as crianças

por Gustavo Perucci 22/11/2016 13:30

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O Natal é uma boa hora para repensar nossa relação com o consumismo, principalmente quando há na família muitas crianças (foto: SXC.hu)
Segurar o impulso consumista no Natal é tarefa hercúlea para alguns. Mas se o orçamento está apertado, o melhor é botar a mão na consciência e economizar. Só que esse período do ano é tentador. A conta parece dar uma boa encorpada em dezembro, principalmente para o trabalhador com carteira assinada, que tem o 13º e, em alguns casos, adiantamento de férias.  Justamente por isso, o consultor financeiro Marcelo Claudino alerta: avalie bem as despesas do início do próximo ano.

“Qualquer um de nós precisa avaliar as despesas do início do ano, quando chegam o IPTU e o IPVA, por exemplo, para evitar começar o ano seguinte endividado. Ou seja, para que se saiba, de antemão, quanto poderá gastar com os presentes. Endividar-se, jamais. Como diz aquela frase, ‘é melhor você ficar amarelo uma vez do que ficar vermelho no resto da vida’”, alerta Marcelo, lembrando que os juros cobrados por instituições financeiras, cheque especial e cartão de crédito no Brasil são altíssimos, multiplicando a dívida em uma velocidade muito difícil de acompanhar.

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"Acho que esta expectativa de dar um presente de valor alto é do adulto. Porque a criança quer é brincar. E no sentido do brincar, o que o pai ou mãe oferecerem a ela, de estarem presentes nessa hora, é o que a criança quer" - Cristina Silveira, psicopedagoga e psicanalista (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)
Para o consultor financeiro, aproveitar o Natal para iniciar o controle rotineiro do dinheiro pode ser uma boa alternativa. Para economizar com os presentes, o especialista recomenda o bom e velho amigo-oculto, com as vantagens de ser um momento agregador e divertido.

Pensar em alternativas como amigo-oculto, presentes mais simples, objetos com pegada social – ligados a alguma instituição que tenha projeto de responsabilidade social ou de comunidades e organizações sem fins lucrativos –, confeccionar algo que você saiba também são alternativas viáveis (veja no quadro algumas sugestões). Essa é também uma boa hora para repensar nossa relação com o consumismo, principalmente quando há na família muitas crianças. Quantas vezes não enchemos a árvore de Natal com presentes e as crianças mais novas se divertem naquele momento muito mais com os embrulhos do que com o conteúdo do pacote?

A neurocientista e psicopedagoga Cristina Silveira acredita que, geralmente, a expectativa com relação à qualidade do presente vem muito mais dos adultos do que propriamente dos menores. É que, segundo ela, na maioria das vezes projetamos nossos anseios materiais nos filhos e nos sobrinhos. O meio social e a força da propaganda influenciam sim os mais novos. Mas, principalmente nos primeiros anos de vida, os valores da família têm muito mais peso na relação que essa criança tem com o Natal e o consumismo.

Arquivo Pessoal
"Qualquer um de nós precisa avaliar as despesas do fim de ano, quando chegam o IPTU e o IPVA, por exemplo, para evitar começar o ano seguinte endividado. Ou seja, para que se saiba, de antemão, quanto poderá gastar com os presentes" - Marcelo Claudino, educador financeiro (foto: Arquivo Pessoal)
“Acho que essa expectativa de dar um presente de valor alto é do adulto. Porque o que a criança quer é brincar. E no sentido de brincar, o que o pai ou a mãe oferecerem a ela, de estarem presentes nessa hora, é o que a criança quer. Ela quer brincar com outras crianças, quer brincar com os pais. Quer ter um tempo de troca com o outro. Na primeira infância, principalmente, a criança se desenvolve muito mais através de brincar e de brinquedos e do que através da verbalização ou outros meios de contato”, explica Cristina.

A psicopedagoga cita pesquisa realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a educação das crianças, que apontou que a influência mais importante na formação desse indivíduo vem da família. Em segundo lugar vem a escola, seguida pelo meio social em geral.

“Aí é que entram os valores familiares. Qual o valor dessa família? É dar presente de Natal caro, porque a criança vê isso na propaganda, ou porque o coleguinha tem? Ou é mostrar para ela que o valor da família é muito mais importante que esse presente? Que estar juntos no momento do Natal é importante? Mostrar para ela a simbologia da data? Quem educa é a família. É certo que, se a criança é pressionada por propagandas ou pelo ambiente escolar, influencia. Mas é a família que tem que lidar com isso. Ela tem que mostrar para essa criança um ponto de equilíbrio e de força. Se ela já está muito pressionada pelo lado social a consumir, é a família que tem que mostrar para ela um outro valor”, completa.

FRUSTRAÇÃO Mas nenhuma mãe e nenhum pai quer frustrar seus filhos, mesmo que para realizar a vontade da criança tenham que se sacrificar financeiramente. Cristina Silveira alerta, porém, que a frustração e tristeza fazem parte da construção do caráter desse jovem indivíduo. Para ela, não adianta blindar o rebento da realidade. O efeito, nessa situação, acaba sendo o contrário, fragilizando a relação dessa pessoa com as nuanças da vida.

“A frustração e a tristeza são necessárias para a criança. Ou seja, a criança, assim como todos nós, não tem que estar feliz o tempo todo. Temos que ser frustrados inclusive para amadurecer. A criança que não é frustrada e o adolescente que não é frustrado vão achar que o mundo é um mar de rosas, que a vida é uma maravilha, que ele vai poder ter tudo o que deseja todo o tempo. O adulto é o exemplo da criança. Se ele não for capaz de frustrar essa criança em prol de um valor, como ele vai ensinar essa criança a ser uma pessoa do bem, a ter uma relação boa com a vida?”, conclui a psicopedagoga.

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