Terapia do sal promete ajudar a vida de quem sofre com doenças respiratórias

A ideia é que o paciente respire por alguns minutos dentro de uma sala revestida com o mineral

por Revista do CB 08/11/2016 15:51

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	Ed Alves/CB/D.A Press
Ana Paula comemora a melhora de Luísa (D) e Gabriela: crises de rinite e resfriados tornaram-se menos frequentes depois da terapia do sal (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Um novo conceito de terapia promete melhorar a qualidade de vida dos portadores de doenças respiratórias. A haloterapia, ou terapia do sal, consiste em colocar os pacientes em uma sala revestida de sal, do teto ao chão, e deixá-los respirando o mineral durante 45 minutos. A prática ajuda a limpar as vias respiratórias, contribuindo para a diminuição de crises de bronquite ou de asma, por exemplo.

No Brasil, há apenas cinco clínicas como essa. Ana Cristina Borges, 49 anos, tomou conhecimento da terapia quando ainda morava na Itália e teve uma forte crise de rinite e sinusite. Como ela estava grávida, seu médico evitou os antibióticos e recomendou a haloterapia. “De início, não estava dando credibilidade. Como é que respirar sal me faria melhorar? Meu marido me levou mesmo assim, e o resultado foi surpreendente: não só melhorei, como fiquei um bom tempo sem crise”, afirma Cristina. A empresária conta que, a partir daí, se apaixonou pelo tratamento e, quando voltou para o Brasil, resolveu abrir uma clínica própria com o marido.

O sal vem da Holanda em sacos de 25kg e é despejado em pequenas quantidades dentro de um micronizador que espalha o sal pelo ar, possibilitando, assim, que o paciente o inale. Cristina explica que a haloterapia não tem contraindicações. Pode ser feita por crianças a partir dos 6 meses, idosos, grávidas, mas não é recomendada para quem esteja passando por quimioterapia ou que tenha doenças infectocontagiosas. “A sessão pode ser feita com até quatro pessoas dentro da sala, e os pacientes têm a liberdade de ler um livro ou até tirar um cochilo. Para as crianças, nós disponibilizamos uns brinquedos para que tenham algo para se distrair”, conta a empresária.

Resultados positivos
A fisioterapeuta Ana Paula Caldeira, 38 anos, é mãe das gêmeas Gabriela e Luísa, de 2 anos. Ela conta que iniciou o tratamento em novembro de 2015, depois que as filhas tiveram uma sequência de resfriados e rinites. “Soube da terapia por meio de um grupo de mães e resolvi levar as minhas filhas. Fiquei surpresa, porque já na primeira sessão as meninas dormiram melhor. Quando terminei o pacote de dez sessões, elas estavam zeradas”, vibra Ana Paula.

A fisioterapeuta afirma que, após o primeiro pacote, as meninas não precisaram voltar à terapia por cerca de três meses. Mas, devido a uma branda crise de asma de Gabriela este ano, foi necessário que a criança tomasse corticoide e, então, ela optou por retomar o tratamento. “É uma forma de fugir de remédios fortes, que podem fazer mal, mas não é milagroso. É preciso ter uma frequência e voltar sempre. Atualmente, vou duas vezes por semana, mas, em época de crises, cheguei a ir o dobro”, acrescenta Ana Paula. Além disso, ela afirma que a terapia também a tem ajudado, já que ela, igualmente, sofre de asma e de rinite.

A pneumologista Rosa Elisa Strong, da Clínica Médica Saúde e Bem-Estar, confirma que a haloterapia é indicada para pacientes com doenças respiratórias, mas acrescenta que é importante ter sempre um acompanhamento médico. “O sal é bactericida, por isso, auxilia na limpeza do muco, melhora a imunidade e diminui as crises alérgicas. Ainda assim, é um tratamento coadjuvante e, às vezes, precisa ser complementado com o uso de corticoide”, frisa a médica.

A médica ainda aposta que a nova terapia pode ser bastante útil aos moradores de Brasília, onde o ar seco e a poluição contribuem para a proliferação de micro-organismos, favorecendo o aparecimento de doenças respiratórias. Além disso, Rosa afirma que, se seguido de forma correta, o procedimento ajuda crianças e adultos a manterem as vias respiratórias limpas por mais tempo, possibilitando, por exemplo, a prática de esportes com mais qualidade.

Os efeitos positivos de respirar em uma sala revestida de sal também foram sentidos por Cauã, de 3 anos. Luciana Salim, 37 anos, mãe de Cauã, conta que começou a prática em junho deste ano, pois o filho sofre com crises fortíssimas de bronquite e asma, o que o obrigava sempre a tomar corticoide e antibióticos. O problema é que a criança também sofre com a rejeição aos remédios. “O Cauã tem muita alergia. Alergia respiratória, ao toque, a medicamentos. Então, sempre foi muito difícil tratá-lo. A gente recorria à homeopatia quando ele tinha crises, até que uma prima me indicou a haloterapia”, lembra Luciana. Ela relata que de início ficou apreensiva, pois nunca havia ouvido falar dessa alternativa e já tinha muitos gastos com remédios e pediatras para o filho.

Mesmo assim, Luciana resolveu experimentar e se surpreendeu. “Chegou um momento em que não sabia mais o que fazer para ajudá-lo, não via mais alternativa. Depois de algumas sessões, Cauã já teve uma melhora notável! As crises ficaram bem mais brandas e ele parou de ficar doente o tempo todo. Reconheço que, se tivesse sido um pouco menos receosa, talvez ele pudesse ter sofrido menos”, finaliza.

Cauã também ganhou peso e cresceu o dobro do esperado, já que não sofre mais com tantas infecções e tem dormido melhor. Atualmente, já não faz mais uso diário da bombinha para asma, além de ter reduzido as visitas à clínica de três vezes por semana para apenas uma. “A minha qualidade de vida também aumentou depois do tratamento. Agora, não preciso mais ficar correndo atrás do meu filho o dia todo com remédio”, comemora Luciana.

Controvérsia

Há quem diga que a terapia do sal também pode ser utilizada no caso de dermatite, porém o dermatologista Rubens Marcelo Souza não defende a prática. “Não temos nenhuma base científica para defender a utilização da haloterapia para tratamentos de pele. Uma terapia alternativa indicada para dermatite seria a balneoterapia, uma forma de tratar a doença por meio de banhos, já que a base dos tratamentos das dermatites é a hidratação. O sal limpa o ferimento, mas não ajuda na cicatrização. Ele também resseca, o que pode causar coceiras em uma pele que já está irritada. Creio que essa alternativa para tratar doenças de pele deveria ser mais bem avaliada”, pondera o médico.


Agradecimento:
Salus Naturalis Haloterapia

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