Alimentos transgênicos ocupam gôndolas do mercado: tire suas dúvidas

Pesquisa revela que 33% das pessoas acreditam que esses alimentos podem fazer mal à saúde

por Revista do CB 07/10/2016 17:00

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Reprodução Internet
33% da população acredita que esses alimentos podem fazer mal à saúde (foto: Reprodução Internet)
A definição “transgênico” ainda assusta o consumidor na hora de fazer compras no supermercado. A letra “T” dentro de um triângulo amarelo identifica os produtos que foram geneticamente modificados e que receberam o DNA de outra espécie, deixando os consumidores desconfiados. Segundo pesquisa realizada, este ano, pelo Ibope Conecta — que coletou dados de 2.011 pessoas, com idade a partir de 18 anos, das classes A, B e C — cerca de 33% dos entrevistados acreditam que esses alimentos podem fazer mal à saúde.

Outro dado importante é que 73% das pessoas afirmaram que já consumiram transgênicos. Já 27% dizem não saber ou afirmam que nunca consumiram produtos com tais características. Desses, 59%  garantiram, porém, que estão dispostos a experimentar. Apesar da resistência, os organismos geneticamente modificados (OGMs) estão por toda parte: nos combustíveis, nos medicamentos, nas lavouras e, claro, nas prateleiras de supermercado.

“Atualmente, o Brasil produz principalmente soja, milho e algodão. Em 2015, 93% da nossa safra de soja veio de plantas geneticamente modificadas. Também está aprovado um feijão pesquisado pela Embrapa, que é resistente a um vírus transmitido pela mosca branca, e um eucalipto, que cresce mais rapidamente, mas ainda não estão no campo”, afirma Adriana Brondani, bióloga e diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB), entidade não governamental que encomendou a pesquisa.

Saiba mais
O primeiro transgênico criado foi uma bactéria geneticamente alterada para produzir a insulina, em 1978. Em 1994, foi lançada a primeira planta transgênica aprovada para o consumo, um tipo de tomate, nos Estados Unidos. De lá para cá, o mundo viu o boom da comercialização de produtos que contêm genes modificados. Para identificá-los no supermercado, é preciso ler as especificações nos rótulos (veja quadro). Essa é a única forma de reconhecê-los, uma vez que não é permitido que um alimento transgênico apresente diferenças perceptíveis visualmente se comparado a outro sem modificação.

PRÓS E CONTRAS


Regulamentação no Brasil
O Brasil tem uma das legislações mais rigorosas do mundo. “A lei 11.105, de 2005, é um marco regulatório eficiente e muito funcional. Nela, são definidos quesitos importantes, como o relatório de biossegurança, ferramenta que avalia o impacto da introdução de um gene em outro organismo na saúde humana e animal, além de verificar as possíveis mudanças ambientais provocadas por ele”, explica Adriana Brondani, bióloga e diretora-executiva do Conselho de Informações sobre Biotecnologia (CIB).

“O conselho do CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança), responsável pela aprovação de novos transgênicos, é composto, em sua maioria, por pessoas ligadas às empresas interessadas nas licenças”, contesta Ana Paula Borboletto, nutricionista do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec).

Malefícios à saúde
“Todas as pesquisas passam pelo acompanhamento do CTNBio, que interfere, desde o início, nas pesquisas para aprovar, ou não, o seguimento dos trabalhos. O projeto é descontinuado se houver qualquer possibilidade de prejuízo à saúde humana. Estudos recentes, promovidos pela Associação Americana de Ciência, analisaram o impacto de um organismo geneticamente modificado no ser humano e no meio ambiente. Se comparados aos organismos convencionais, não demonstraram perigos ao corpo humano”, atesta Brondani.

“Esses alimentos sofrem muitas mutações e muito difíceis de ocorrerem de forma natural. Não sabemos calcular os efeitos desse tipo de interferência sobre o corpo humano, porém, os indicativos não parecem animadores. Atualmente, existem grupos de pesquisas independentes, sem financiamento de empresas agrícolas, que mostram como eles podem causar danos à saúde. A maioria das pesquisas, que não apontam malefícios, é realizada pelas próprias empresas produtoras da planta. Não dá para confiar!”, defende a especialista do Idec.

Reações alérgicas
Brondani afirma que não há esse risco: “Assim que um gene é caracterizado, se ele possui alguma chance de causar alergia, já é descartado. São anos de pesquisas, então, não é nada interessante colocar em risco o produto final.”
“É necessário que as especificações sobre o componente transplantado sejam claras. Imagine se alguém tem alergia a tomate e colocam o gene dele em alguma variedade de milho... A pessoa pode ter uma reação alérgica a esse milho”, adverte Borboletto, nutricionista do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec).

Modificações genéticas

“A maioria dos transgênicos é produzida a partir de genes de bactérias conhecidas há mais de 40 anos. São organismos encontrados na natureza, em locais próximos de onde são cultivadas as plantas receptoras. Hoje, grande parte dos vegetais são desenvolvidos para ter resistência a herbicidas e a insetos. Agora, surge uma nova geração que busca ganhos nutricionais, como um arroz com mais betacaroteno ou uma alface com mais ácido fólico”, explica Brondani.

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