Cientistas desvendam por que algumas crianças têm defesa natural contra o HIV

Meninos e meninas que não têm a manifestação da Aids sem receber tratamento são chamadas de pacientes não progressores pediátricos. Quando sem tratamento, a maioria das crianças infectadas não sobrevive por mais que dois anos

por Redação 03/10/2016 12:50

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Schalk Van Zuydam / AFP
Garotos soropositivos na África do Sul: de 5% a 10% não manifestam os sintomas da Aids (foto: Schalk Van Zuydam / AFP )
Pesquisadores do Reino Unido detectaram um mecanismo que neutraliza a ação do vírus HIV em crianças infectadas. Para chegar a ele,  analisaram o sangue de 170 meninos e meninas da África do Sul que nunca haviam recebido o tratamento contra a Aids e, ainda assim, não tinham desenvolvido a doença. O resultado do trabalho saiu na revista Science Translational Medicine desta semana e, para os envolvidos,  pode render novas estratégias de enfrentamento ao problema de saúde.

Crianças que não têm a manifestação da Aids sem receber tratamento são chamadas de pacientes não progressores pediátricos (PNP, pela sigla em inglês). A estimativa é de que eles representem de 5% a 10% do total de casos — em adultos, a taxa é de 0,3% dos infectados. Quando sem tratamento, a maioria das crianças infectadas não sobrevive por mais que dois anos. Ao estudar as africanas, os investigadores britânicos observaram que havia dezenas de milhares de vírus em cada mililitro de sangue delas, mas uma baixa ativação do sistema imune. Condição semelhante já foi identificada em macacos infectados pelo SIV, a variação do HIV que atinge os primatas.

Guerra evitada
Geralmente, a alta taxa do vírus no sangue eleva a quantidade de células de defesa do corpo, que tenta lutar contra o vírus. Nos PNPs, porém, isso não acontece. “Essencialmente, o sistema imunitário está ignorando o vírus na medida do possível. Travar uma guerra contra ele é, na maioria dos casos, a coisa errada a fazer”, explicou à rede de televisão BBC Philip Goulder, um dos autores do estudo e pesquisador da Universidade de Oxford.

Segundo os investigadores, porém, a ausência de ataque pode ser uma boa estratégia porque o HIV extermina os glóbulos brancos, as células de defesa do corpo, o que leva a níveis altos da inflamação. “Uma das conclusões que saem desse estudo é que a doença Aids não tem tanto a ver com o HIV, mas com a resposta imune a ele”, complementou o autor.  Para a equipe, o mecanismo observado nas crianças pode ter surgido devido à evolução do organismo humano em relação ao vírus. “A seleção natural tem trabalhado nesses casos, e o mecanismo é muito semelhante ao dessas crianças”, explicou Goulder.

Os pesquisadores têm esperança de que as descobertas possam ajudar na criação de estratégias de combate mais efetivas. “Podemos identificar um caminho inteiramente novo estudando essas crianças a longo prazo, o que poderia ser traduzido para novos tratamentos para todas as pessoas infectadas pelo HIV”, detalhou o autor.

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