Pesquisadores identificam problema que desencadeia câncer de pele agressivo

A descoberta pode ser usada para a criação de um teste que sirva de diagnóstico da doença, feito hoje por análise física

por Correio Braziliense 23/09/2016 15:00

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AFP PHOTO / Ginette Riquelme
As suspeitas de melanoma surgem a partir do exame visual de manchas: busca por métodos mais objetivos (foto: AFP PHOTO / Ginette Riquelme)
Câncer mais agressivo de pele, o melanoma é descoberto por exame físico. O médico analisa o tamanho, a cor, a textura e a profundidade da mancha e, em caso de suspeita, pede uma biópsia dela. Cientistas buscam, porém, uma ferramenta mais objetiva para o início desse processo. Segundo pesquisadores da Espanha, ela pode estar em uma falha genética que prejudica o processo de autolimpeza das células. Detalhes desse mecanismo foram divulgados nesta semana, na revista Autophagy, e podem, além de resultar em um novo tipo de diagnóstico, facilitar o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes para uma doença com alto potencial de metástase.

Quando alguns de seus componentes deixam de ser úteis, a célula os “engole”. Chamado de autofagia, esse processo é regulado por diferentes genes, incluindo o Atg5. Os mecanismos que provocam falhas no funcionamento desse esquema ainda são desconhecidos, mas os cientistas do Centro Nacional de Investigações Oncológicas, na Espanha, descobriram que um descompasso no gene Atg5 está diretamente ligado ao surgimento do melanoma.

“Usamos bancos de dados que continham informações de quase 5 mil pacientes e analisamos até 20 genes ligados à autofagia em mais de 25 tipos de câncer. Verificamos uma enorme variabilidade entre os diferentes tumores. No entanto, encontramos alterações no gene Atg5 com valor de diagnóstico apenas para pacientes com melanoma”, contou, em comunicado à imprensa, Marisol Soengas, líder da pesquisa.

Em testes com camundongos, os cientistas identificaram que a perda de uma das cópias do gene Atg5 fez com que os roedores fossem acometidos por melanoma com prognóstico ruim, de metástase e morte. “Nós descobrimos que, quando os tumores perdem apenas uma cópia do gene Atg5, eles não só se tornam mais agressivos e metastáticos, como também respondem pior aos medicamentos atuais utilizados”, complementou Soengas. “Temos, portanto, um interruptor que regula a autofagia e favorece a metástase. Acreditamos que essa informação vai melhorar significativamente a nossa capacidade de predizer o prognóstico.”

Novo remédio

O cientista cogita a possibilidade de desenvolvimento de uma substância antitumoral focada na falha do gene Atg5, seja evitando que ela aconteça, seja corrigindo as suas complicações. “Esse estudo tem implicações relevantes para a concepção de medicamentos, uma vez que sugere que o bloqueio parcial da autofagia poderia piorar o comportamento maligno de melanomas metastáticos”, explicou.

Soengas também acredita que o marcador molecular encontrado no melanoma cutâneo também possa abrir outras áreas de pesquisa em melanomas menos comuns e menos estudadas, como o ocular e o nas mucosas. “O cromossomo em que o Atg5 reside está perdido no melanoma ocular, o que sugere que vale a pena explorar o seu papel nesse tipo de câncer”, explicou.

O próprio melanoma tem baixa incidência. Embora o câncer de pele seja o mais frequente no Brasil — corresponde a 30% de todos os tumores malignos registrados, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca) —, os que têm origem nos melanócitos, as células produtoras de melanina, representam 3% das neoplasias malignas da pele. Adultos brancos são os mais acometidos pelo melanoma. A previsão é de que, neste ano, sejam descobertos 5.670 casos da doença, sendo 3 mil em homens e 2.670 em mulheres.

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