Em época de Olimpíadas, entenda os benefícios do esporte coletivo

A prática de várias modalidades em grupo favorece as relações interpessoais, a autoestima e a formação do cidadão

por Lilian Monteiro 16/08/2016 13:30

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Pascal GUYOT/AFP
Rugbi (França x Austrália) (foto: Pascal GUYOT/AFP)
Johannes EISELE/AFP
Vôlei (Polônia) (foto: Johannes EISELE/AFP)
Basquete, vôlei, handebol, futebol, queimada, peteca... Não importa qual esporte coletivo decida praticar, saiba que, independentemente do desempenho individual, essa escolha fará bem para toda a sua vida. Saiba que entre as 42 modalidades esportivas disputadas nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, cerca de 10 são esportes coletivos, que dependem do rendimento, aplicação e entrosamento de um time. E os benefícios para quem faz parte de uma equipe por aí não é só para a saúde, mas para a mente e também socialmente.

O colombiano Juan Carlos Pérez Morales, professor-doutor da Escola de Educação Física, Fisioterapia e Terapia Ocupacional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pesquisa o ensino e a aprendizagem dos jogos coletivos no laboratório Centro de Estudos em Cognição e Ação (Ceca), sob a coordenação de Pablo Juan Greco. Professor de basquete, ele enfatiza que há diferentes dimensões para explicar os efeitos dos esportes coletivos, seja psicológica, emocional e cognitiva, sendo que todas fazem parte da formação e desenvolvimento do ser humano em qualquer nível de participação, do praticante amador ao atleta de alto rendimento.

“Na dimensão psicológica, o esporte coletivo trabalha o jogo limpo, a ética, o respeito e a disciplina, ensinamentos que contribuem para cada um cultivar e desenvolver ao longo da vida. No aspecto social, ele traz elementos interessantes para o trabalho em equipe. A pessoa percebe que o indivíduo somado atinge o objetivo coletivo, em termos de time organizado, com disciplina tática e daí temos uma identidade que faz cada um sentir parte de um grupo. O que estimula cada um a fazer o melhor para ajudar o outro e se superar, assim como as dificuldades, lembrando que há erros e é preciso conseguir lidar com eles. Não se acerta sempre”, explica o professor.

COGNITIVO Outra dimensão fundamental do esporte coletivo, alías, de qualquer esporte, está relacionada diretamente com a saúde. “É indiscutível o ganho cardiorrespiratório, muscular e ósseo, além de toda a parte de bem-estar físico e mental. Com foco no esporte coletivo, vale destacar que o jogo se apresenta intermitente, com momentos de maior e menor intensidade que tem seus benefícios. Não é só sair correndo com uma intensidade estável. Ao permitir várias intensidades, com cargas diferentes para o organismo, o esporte coletivo permite uma carga cognitiva distinta, já que terá de tomar decisões em ambientes instáveis e, muitas vezes, tendo de controlar o emocional, que pode predominar.”

EEFFTO/Divulgação
Juan Carlos Pérez Morales, professor na UFMG (foto: EEFFTO/Divulgação)

Juan Carlos Pérez Morales lembra que o esporte coletivo “trabalha o ser humano como cidadão e o molda da maneira como irá se comportar em sociedade. Por isso, o esporte é um meio”. Com toda experiência e conhecimento, ele tem razão ao analisar que as políticas de esporte do Brasil centraram no legado que a Olimpíada vai deixar em termos de infraestrutura e não no que é mais verdade para o país, que é a cultura do esporte, a formação desde criança até a prática pelo idoso, que é a qualidade de vida.

Praticar esporte é ideal para a construção do senso de coletividade, melhora o convívio familiar e faz amigos, melhora a autoestima, estimula o senso de responsabilidade e respeito ao próximo, ensina a lidar com a vitória e com a derrota.

 

JIM YOUNG/AFP
Basquete (Brasil x Croácia) (foto: JIM YOUNG/AFP)
MANAN VATSYAYANA/AFP
Hoquei sobre a grama (Austrália x Argentina ) (foto: MANAN VATSYAYANA/AFP )


Prática segura
No clima de Jogos Olímpicos, muitas pessoas se motivam a praticar esportes. Mas é preciso tomar cuidado. “O primeiro passo é procurar o especialista adequado para que lesões sejam evitadas e para que o exercício seja melhor aproveitado”, orienta Leandro Gregorut, ortopedista na Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo e médico da Seleção Brasileira Feminina de Handebol em Londres'2012. E avisa: “Tanto atletas profissionais quanto amadores devem saber sobre as lesões mais comuns e se preparar para que sejam evitadas”.

Lesões mais comuns de algumas modalidades olímpicas coletivas:


» Futebol: A lesão mais frequente é a distensão muscular, seguida por entorse de tornozelo. No entanto, elas não são as mais incapacitantes, já que, em alguns dias ou semanas de tratamento fisioterápico, o jogador volta à ativa. Entorse de joelho com ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA) e lesões dos meniscos associadas são as mais comuns e incapacitantes porque são de tratamento cirúrgico e o atleta só pode voltar aos treinos seis meses depois da cirurgia.
» Handebol: As lesões nos dedos devido aos bloqueios dos arremessos e ao tipo de marcação realizada são as mais prevalentes. Em seguida, são as entorses de tornozelo, joelho e lesões no ombro, devido à grande potência dos arremessos.
» Vôlei: As entorses de tornozelos, joelhos e lesões nos ombros são as mais prevalentes. Os dois primeiros por causa de os atletas pularem no bloqueio e caírem em cima dos pés de seus companheiros, desequilibrando-se e lesionando-se. As lesões nos ombros ocorrem devido à grande velocidade exigida para fazer um saque ou dar uma cortada.
» Tênis: As lesões nos ombros e as entorses de tornozelos e joelhos são as lesões típicas desse esporte. Os ombros são afetados devido ao grande esforço necessário à partida e os joelhos e tornozelos pela intensidade de mudança de direção e velocidade que os atletas desenvolvem.
» Ginástica Rítmica/Artística: As distensões musculares também são as mais prevalentes, em conjunto com as entorses de tornozelo, punho e joelho.

Arquivo Pessoal
Daniel Pinheiro - educador físico do São Cristóvão Saúde, de São Paulo (foto: Arquivo Pessoal )
DEPOIMENTO

“O bom relacionamento em esportes coletivos é extremamente importante para que todos tenham o mesmo objetivo. Dessa forma, com um ambiente saudável, as diferenças entre os participantes ficam restritas à quadra. Outros benefícios são a melhora na disposição física, maior produção de serotonina e dopamina, hormônios que influenciam diretamente no humor, combatendo a depressão; e o aumento do fluxo sanguíneo no cérebro, gerando maior transmissão de informações entre os neurônios, que auxiliam na memória e raciocínio. Outro ponto positivo do esporte em equipe é quanto ao desenvolvimento da autoconfiança, o que contribui para melhor qualidade de vida, principalmente de pessoas que sofrem com a timidez. A exposição dos participantes de um jogo torna o indivíduo menos tímido. E, ainda, o fator insegurança desaparece gradativamente quando há integração com os demais do grupo e com o esporte praticado.”

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