Homens e mulheres mostram como envelhecer com alto-astral e vontade de viver

Mais de 20 milhões de brasileiros estão acima dos 60 anos. Além do cuidado com a saúde e o preparo físico, a ginástica cerebral é grande aliada para o envelhecimento saudável

por Lilian Monteiro 08/08/2016 13:51

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
VALF
A população idosa passou a representar 10,8% do povo brasileiro (foto: VALF)
“A alma nasce velha e se torna jovem. Eis a comédia da vida. O corpo nasce jovem e se torna velho. Eis a tragédia da alma”, palavras de Oscar Wilde. Mas cada um pode escolher a idade da sua alma! Livre-arbítrio. Em 1º de outubro celebra-se o Dia Internacional do Idoso, data que não só rende homenagens à sábia maturidade, mas que é um alerta aos mais velhos sobre a importância de se manterem ativos mental e fisicamente, para que a vida, mesmo com o peso da idade, seja saudável, mais leve, independente e colorida.

No último censo realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2010, a população idosa passou a representar 10,8% do povo brasileiro, ou seja, 20,59 milhões de pessoas têm mais de 60 anos e a estimativa é de que, nos próximos 20 anos, esse número mais que triplique. Portanto, o olhar para os mais velhos, além de ser obrigação das autoridades, instituições e sociedade, é também um compromisso particular que cada um deve assumir. Antes de tudo, ele precisa se gostar, se amar, se cuidar e assumir o primeiro compromisso da vida com ele mesmo.

Para isso, além do seu desejo, tem de acionar canais como os programas de maturidade das universidades, cursos nas áreas de interesse, procurar fazer a atividade física que mais lhe agrada e colocar em prática os sonhos adiados, como aprender a tocar violão, cantar, bordar, costurar, dominar o inglês, pintar, descobrir a filosofia, mergulhar na psicologia, “perder e ganhar” tempo com o que não podia...

De acordo com pesquisa do jornal inglês International Journal of Epidemiology, o envelhecimento populacional é um fenômeno mundial e a cada ano esse processo se torna maior, principalmente nos países em desenvolvimento, podendo ocorrer aumento de até 300% no número de pessoas idosas, especialmente na América Latina. Não há saída, é preciso aprender a envelhecer e aceitar a nova fase da vida da melhor maneira, com os altos e baixos presentes em todos os momentos.

MENTE ATIVA
O querer participar da vida em sociedade, estudar, aprender é uma forma de inclusão e um dos maiores investimentos que cada pessoa deve fazer, como se fosse um presente. Com a idade, claro, os obstáculos são maiores, as limitações se impõem, mas querer resistir e tomar os cuidados para controlar e impedir grandes tropeços, principalmente com a saúde, faz parte do comprometimento que cada um deve ter consigo. Todos conhecem a receita: alimentação saudável, mexer o corpo, controle médico, diversão e mente ativa e produtiva.

O Saúde Plena mostra exemplos de pessoas que encantam e contagiam pelo alto-astral, pela vontade de viver, pelo desejo de aprender, que buscam a felicidade no que têm alcance, mantêm a mente trabalhando e o corpo em movimento. A ideia é que todos se inspirem e, se ficar em dúvida, especialistas dão o aval catedrático: médico, psicanalista e pedagoga. Ana Maria Cordeiro Andrade, coordenadora pedagógica da Supera Savassi, escola que propõe a conquista de uma mente saudável, com mais concentração, raciocínio, memória, criatividade e autoestima, alerta que “a cabeça trabalhando está sempre melhor porque traz prazer, enriquece as sinapses nervosas, aciona o nosso sistema de recompensa diante do sucesso e traz motivação intrínseca para continuar sempre fazendo. Sem falar que aumenta a autoestima”.

Ana Maria ressalta que “exercitar o cérebro não é só para os idosos ou para quem tem falhas de memória. A ginástica cerebral funciona como poupança cognitiva. Se você tem 1 mil e perde 100, perdeu 10%. Se tem 500 e perde 100, são 20%. Ou seja, quanto mais tiver, menos significará a perda. Então, se chegar na velhice com uma boa poupança, a perda, proporcionalmente, vai ser menor. No Supera, os alunos também vão melhorar o foco e a atenção, “que é a porta da memória” e a treinamos muito. Agora, um aspecto específico para os idosos e que chamamos sempre a atenção é que sempre tenham planos, porque o desejo é o que move a vida. Muitos deixam de planejar e isso é um erro. Podem ser pequenos planos, que tragam coisas boas, seja um almoço com os netos, ir ao teatro, ouvir música. A proposta é ficar em movimento e adicionar a recompensa. A cada conquista, a pessoa vai se sentir motivada e seguirá em frente, buscando novos desafios”.

Paulo Filgueiras/EM/D.A Press
Manoel Reis, de 67 anos, que se formou em fisioterapia depois de se aposentar e aprendeu a tocar violão para se apresentar em festas da família (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)


Faça como eles
Mire-se no exemplo de dois sessentões que estão com a mente e o fôlego em dia e revelam histórias de vida que são um estímulo para todas as gerações e idades

Manoel e Dorinha não se conhecem, mas fazem parte da mesma turma. A turma de quem tem energia de sobra, sede de conhecimento, alto-astral, vontade de aprender e autoestima que os levam a buscar sempre o novo, a despertar a curiosidade e os faz felizes. Afinal, com seis décadas de vida, a hora é de relaxar e se ocupar com o que têm vontade.

Manoel de Oliveira Reis, de 67 anos, é incansável. Conseguir um tempo para a entrevista em sua agenda não foi fácil. Mas num intervalo entre as aulas de violão, o curso de pós-graduação em gerontologia, o trabalho como fisioterapeuta na Clínica Santa Rosa, as aulas de musculação, mais os compromissos sociais, ele falou sobre a importância de nos mantermos vivos física, intelectual e socialmente. “Toda a mudança na minha vida começou aos 55 anos, depois da aposentadoria. Trabalhei por 30 anos na área administrativa da Clínica Santa Rosa, com o propósito de que tudo seria diferente depois dos meus 55. Estudei fisioterapia, com especialização na área urológica, e retornei ao trabalho, cuido de homens que operaram de próstata. Também fiz psicologia, me formei no ano passado e, agora, a pós em gerontologia na PUC, a ciência do envelhecimento. O que é bom para mim e para meus pacientes.”

Como não para, Manoel revela que pretende estudar humanismo dentro da psicologia “e tudo o mais que for possível. Minha cabeça anda a mil e isso é a vontade de viver. Gasto o meu tempo para realizar meus sonhos. Essa é a meta da minha vida”. Ele conta que, assim que os filhos Camillo e Lucas se formaram, viu que seria sua oportunidade. “Meu sonho era estudar medicina, mas é muito caro, senão encarava.”

Além de estudar e trabalhar, Manoel resolveu aprender a tocar violão para cantar nas festas de aniversários e em clubes seu repertório de MPB, Caetano Veloso, Milton Nascimento e Roberto Carlos. “Tenho quatro CDs gravados.” Ele ainda dá palestras para futuros aposentados e diz a eles que agora é que a vida começa, quando passa a ter sentido, depois da aposentadoria. Cansou? Manoel conta que “só me desligo da tomada durante a musculação”.

Casado há 36 anos com Oneida Torres Fraga, pedagoga aposentada, Manoel a entrega: “Ela não quer saber de estudar mais. A vida é assim, cada um no seu quadrado. Mas como casal, gostamos de viajar, ter vida social, estar com a família e nos reunir para a feijoada do sábado. Acredito que temos de aproveitar as oportunidades que a vida nos oferece. Não pode se atrelar ao comodismo. Não tem por que perder tempo, use-o da melhor forma”. Manoel revela que seus filhos dizem que ele é incansável, o que o faz se sentir “orgulhoso e honrado comigo mesmo, com essa garra que desenvolvi e que me faz tão bem!”.

Jair Amaral/EM/D.A Press
Maria Auxiliadora de Castilho Prado estuda e faz dezenas de outras atividades que lhe dão prazer, como o pilates (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)


TEATRO
O ritmo de Maria Auxiliadora de Castilho Prado, a Dorinha, de 62, é o mesmo do seu Manoel. Ela faz teatro, inglês, espanhol (já fez francês), informática e muito mais. Ela é de Paraguaçu, veio para Belo Horizonte em 1975, para estudar e trabalhar. “O sonho era fazer fonoaudiologia para trabalhar com crianças especiais.” Mas a vida fez um desvio, ela se casou com Gladstone (são 38 anos juntos), professor de educação física, e foi cuidar dos filhos, Fábio e Gustavo. Teve uma confecção, fez curso de pedagogia montessoriana, deu aulas e se aposentou em 2007. “Os filhos foram embora, o ninho ficou vazio, o marido se aposentou, mas continua a dar aulas, e eu decidi procurar o que fazer. Primeiro, fui estudar gastronomia no Instituto Gastronômico das Américas (IGA), porque adoro comer e cozinhar. Gostei e quis aprender mais. Agora, sou aluna da Estácio, onde faço teatro, informática e línguas estrangeiras.”

Dorinha conta que às segundas, quartas e sextas-feiras, das 14h às 17h30, vive a “TPM – tempo para mim”. Está estudando e ama teatro. “Quando criança, falei para meu pai que queria ser atriz, mas ele não deixou. Naquela época, falava que 'teatro era para mulher da vida'. Mas disse para mim mesma que faria um dia. A hora é agora. Faço todo semestre, e é a primeira aula em que me matriculo.” E não é só isso, se não está estudando, ela lê, faz artesanato, borda toalhas de saco de algodão e panos de prato e ainda vende café produzido por um primo no interior. “Ah, e não abro mão da minha caminhada, da hidroginástica e do pilates.”

É ou não é uma vida estimulante? Dorinha enfatiza que não dá conta de ficar sentada muito tempo no computador ou em frente da TV. “Tenho amigas que ligam a televisão de manhã e a desligam de madrugada. “Tenho de fazer alguma coisa ou mais de uma ao mesmo tempo. Mas acredito que é da personalidade. Não gosto de ficar sozinha, gosto de me relacionar, conversar. Cada um escolhe e descobre a sua maneira de ser feliz.”

No caso de Dorinha, ela explica que faz de tudo para preencher o seu tempo. “Não dou chance para me deprimir ou adoecer. Temos de nos gostar, nos colocar em primeiro lugar, para depois gostar dos outros. Assim, teremos bagagem para distribuir os melhores sentimentos e nos doar.”

Você escolhe
O Programa da Maturidade da Estácio existe desde 2004 e é voltado para pessoas com mais de 50 anos. Realizado no câmpus Prado (Rua Erê, 207, Prado), ele tem por objetivo proporcionar bem-estar, lazer e relacionamento interpessoal. O curso é composto por seis disciplinas semestrais e optativas, entre elas cinema, língua estrangeira, dança, oficina da memória, culinária, informática, psicologia, tai chi chuan, teatro, artesanato e história da arte. As aulas ocorrem às segundas, quartas e sextas-feiras, das 14h às 17h40. O valor do semestre é R$ 1.580, sendo possível o parcelamento; à vista tem 10% de desconto. Cada disciplina é composta de uma turma. As aulas começaram no último dia 3, mas ainda dá tempo de se inscrever. Mais informações pelo telefone (31) 3298-5260 ou pelo e-mail maturidade.bh@estacio.br.

Edésio Ferreira/EM/D.A Press - 15/2/16
Para a psicanalista e psicóloga Maria Goretti Ferreira, é possível envelhecer de forma mais amena e com prazer de viver (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press - 15/2/16)

Necessidade de  segurança e liberdade
Psicanalista, geriatra e educador musical dão receitas para que o envelhecimento seja encarado como uma etapa da vida com perdas e ganhos e muito a fazer, ensinar e aprender


“Somos todos envelhescentes, desde que nascemos, mesmo que no decorrer da vida não queiramos pensar no envelhecimento”, lembra a psicanalista e psicóloga Maria Goretti Ferreira, para enfatizar que, se por um lado os cuidados médicos e os recursos da ciência e da tecnologia prorrogam a longevidade e a expectativa de vida, por outro, envelhecer se torna cada vez mais difícil diante da tirania da “manutenção” da juventude, numa lógica perversa e autoritária. “Como se envelhecer não fosse um direito. Até a palavra ‘velho’ passou a ser politicamente incorreta, sinônimo de vergonha e constrangimento. Foi substituída pelas ilusórias ‘melhor idade’, ‘feliz idade’ e outras desfaçatezes utópicas e enganosas, revelando postura preconceituosa, cega e surda às reais condições do idoso. Mesmo gozando de boa saúde e disposição, o velho vai sendo relegado à invisibilidade e ao anonimato.”

Goretti enfatiza que, nesse lugar de expatriado, onde estar diminuído de estatura e de massa corporal é também sentir-se diminuído na sua dignidade e na confiança, é extremamente penoso para o velho lutar pela sua cidadania, principalmente num país onde os direitos, mesmo assegurados por lei, só funcionam no papel. “Um exemplo banal: quem nunca escutou alguém desejar a um velho, pelo seu aniversário, que ele 'mantenha o espírito jovem'? Nada mais paradoxal. Que o jovem seja portador de várias benesses é inegável, mas é também a idade por excelência da impulsividade, da intolerância, da inexperiência e da falta de sabedoria, traços esses de que só nos livramos com o passar do tempo. Mais adequado, realista e gentil seria lhe desejarmos 'jovialidade', que é a disposição ou a propensão para o bom humor, para a alegria e para a brincadeira.”

A psicanalista ressalta que “envelhecer não significa somente perder. É possível fazê-lo de forma mais amena, menos traumática e com prazer de viver. Em que condições? Em princípio, fiquemos atentos ao sentido que conferimos ao nosso dia a dia, não deixando para depois a compreensão dos nossos afetos, medos, angústias e conflitos. É bastante comum o velho se deprimir diante da falta de referências e de tudo aquilo que lhe ocupava a vida. Há mesmo um esvaziamento de ideais e objetivos, que pede uma ressignificação e novo redimensionamento do existir. A escritora Eliane Brum cunhou uma frase muito expressiva: 'O nosso mundo morre antes da gente'. Não basta se ater à propalada 'qualidade de vida', que é generalista e massificante, como se o sentido da existência fosse o mesmo para todos.”

Então, quais são as instâncias a serem investidas nesta fase da vida? Para Goretti, “cuidados médicos e hábitos saudáveis na dose certa, pois o excesso de regras e normas leva a um engessamento da autonomia que ainda existe. Às vezes, a 'ciência é científica demais' e obedecê-la cegamente produz seres robotizados e sem graça. Já sabemos que investir muito na aparência (principalmente no caso das mulheres) prediz uma velhice complicada. Não é um capital retornável na proporção do investimento. O velho dispõe de um bem preciosíssimo, que é o seu tempo! Quem sabe agora fazer o que bem entender, inclusive o não fazer nada? Quem sabe agora dizer todos os 'nãos' que não foi capaz de dizer quando mais jovem? Quem sabe agora, livre das obrigações familiares e profissionais, criar outros projetos e realizar sonhos que não couberam no passado? Curtir netos não por obrigação, mas para desfrutar da companhia de crianças e jovens? Cultivar as amizades construídas ao longo do caminho? Ter quem o escute com atenção, com quem falar das intimidades, quem o reconheça, quem lhe proporcione sossego e tranquilidade, ter quem cuide e organize a sua rotina?”

VOAR

Goretti explica que, muitas vezes, a solidão em frente a um aparelho de TV ou até o seu ensimesmamento não são por escolha, “mas pela falta de companhia, pela ausência de quem lhe dê suporte, pela ausência de calçadas decentes nas ruas, pela violência urbana, onde é a presa mais fácil e indefesa, pela infantilização com que é tratado (apesar de frágil e vulnerável, não é uma criança)”. Em suma, a psicanalista diz que “o idoso é um refém de si mesmo, pela própria condição do seu corpo, que não lhe obedece e nem lhe permite fazer o que gostaria. Mas, apesar disso, ele pode se reinventar e ressignificar o seu presente, sem que a vida passe a ser uma obrigação”.

A psicanalista afirma que é comum escutar: “Fulano perdeu o apetite, come feito um passarinho”. Provavelmente, o passarinho não mais consegue alçar voo sozinho. É preciso ajudá-lo a voar! O velho, como qualquer ser humano, ainda quer ser feliz, ainda procura pela felicidade. Utilizando o conceito de Zygmund Bauman, isso consiste na tentativa, sempre árdua e conflituosa, de se equilibrar entre a necessidade de segurança e a necessidade de liberdade. O feito, simultaneamente, é impossível de ser alcançado, mas é preciso continuar buscando. Como ilustração, deixo-lhes na companhia de Mário Quintana, com o poema Seiscentos e sessenta e seis... “A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa. Quando se vê, já são 6 horas… Quando se vê, já é 6ª-feira… Quando se vê, passaram 60 anos… Agora, é tarde demais para ser reprovado… E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. Seguia sempre, sempre em frente … E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas”.

Arquivo Pessoal
Flávio Emanuel, educador e diretor pedagógico da Melody Maker, afirma que a música no dia a dia salva vidas (foto: Arquivo Pessoal)

Música para o cérebro, a alma e o coração
Q
uem já não ouviu dos médicos que o corpo humano é uma máquina criada para o movimento? Portanto, se ficar parada vai emperrar. Ou seja, de acordo com o tempo e cada etapa da vida, é preciso descobrir o melhor caminho para encontrar o óleo que a manterá em funcionamento. Flávio Emanuel, educador musical e diretor pedagógico da Melody Maker, de 50 anos, dá aula de música desde os 13. Seu primeiro aluno tinha 67 anos e estudava órgão eletrônico e, hoje, o mais velho da escola está com 87, aprendendo a tocar teclado e bateria. “Há o lado científico, prático e a vivência do dia a dia que confirmam que a música, a única língua universal, ativa áreas inativas do cérebro, a leitura de uma partitura é uma alfabetização e contribui com o desenvolvimento cerebral. Onde tem um violão tem gente em volta, ou seja, a música cria um convívio. Sem falar que seu aprendizado potencializa a fala, a leitura e a escrita, mudando de maneira dramática a forma e a capacidade de a pessoa se expressar.”

Flávio Emanuel explica que a música é uma linguagem como a nossa fala (ela respira, interroga, exclama e tem pausa) e contém todos os elementos em uma melodia: afinação, dinâmica (volume), pausas (respiração) e ritmo. “A música no dia a dia salva vidas. Tenho exemplos de idosos em casas de repouso que são resgatados com o aprendizado musical. Tive um aluno com Parkinson, de 78, que aprendeu teclado e me emocionou ao contar que chamou a família, tirou os móveis da sala e fez seu primeiro recital. Qualquer pessoa é capaz de tocar um instrumento, vai aprender o mínimo para sentir prazer, para dedilhar aquele bolero de que gosta... Só é preciso um professor disposto e um aluno com vontade. Agora, a música não é para quem precisa, mas para quem gosta. Ela tem papel terapêutico, produz e libera hormônios como a serotonina e a noradrenalina e estudos comprovam que auxiliam no tratamento de Alzheimer, câncer, esclerose, depressão e outras doenças.” Música não tem contraindicação.



Jair Amaral/EM/D.A Press
Flávio Chaimowicz - geriatra (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Exercício físico, bom vício!
“Embora a doença de Alzheimer seja bastante estudada atualmente, até hoje não há medicamentos que consigam paralisar ou reverter a sua evolução. A saída, então, é a prevenção. Estudos realizados em Roterdã, na Holanda, já demonstraram que a atividade física regular é um fator de proteção muito mais importante do que qualquer atividade cognitiva, seja na vida adulta, seja na terceira idade. Sair da frente da TV e colocar o corpo em movimento não é benéfico apenas para o cérebro, mas também reduz o risco das principais causas de morte de idosos no Brasil: as doenças circulatórias. Uma sugestão para as famílias que têm idosos é: no aniversário do avô ou da avó, os presenteiem com um bom tênis para caminhada. Ela melhora o condicionamento cardiovascular, aumenta a massa óssea e ajuda a controlar doenças como a hipertensão, colesterol alto, diabetes e até mesmo a depressão. Em 2014, quando terminei meu pós-doutorado na Holanda, a maioria dos idosos de lá já havia se aposentado, mas tinha uma vida muito ativa. Praticamente todos andam de bicicleta diariamente. Minha vizinha idosa fazia compras no supermercado três vezes por semana, de bicicleta. Vários deles passam horas cuidando do jardim. A dica para fazer atividade física é começar. É difícil vencer a inércia do sedentarismo, mas depois de umas duas a três semanas, não queremos mais parar. O organismo se acostuma com a endorfina liberada nos exercícios e fica viciado. Um bom vício! Está com frio? Faça caminhadas! Está com calor? Hidroginástica! Não gosta ou não pode fazer caminhadas e hidro? Faça pilates ou bicicleta ergométrica.”

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE SAÚDE PLENA