Hormônios vegetais atenuam sintomas do climatério

Revisão de 62 pesquisas mostra que os fitoestrógenos, principalmente os encontrados na soja, reduzem sintomas característicos do fim do período fértil feminino, como as ondas de calor

por Isabela de Oliveira 23/07/2016 09:00

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Lelis/EM/D.A Press
(foto: Lelis/EM/D.A Press)
A menopausa e o climatério são eventos inevitáveis para todas as mulheres, saudáveis ou não, que desfrutam do privilégio da longevidade. Estima-se, inclusive, que ambos marquem um terço da vida delas. Embora a terapia de reposição hormonal (TRH) seja efetiva em combater os sintomas mais desagradáveis dessa condição, há pacientes receosas quanto aos possíveis efeitos negativos à saúde do tratamento e que, diante disso, optam por remédios à base de plantas. Um estudo publicado recentemente na revista Jama sugere que os suplementos à base de vegetais podem oferecer algum alívio ao problema, o que explica o fato de 40% a 50% das ocidentais complementarem as terapias tradicionais com esse tipo de produto. Especialistas ouvidos pelo Correio e até o próprio autor do estudo acautelam, porém, que os resultados não justificam o uso indiscriminado das substâncias.

O coordenador do curso de farmácia da Anhanguera de Campo Limpo, em São Paulo, Francisco Correia Junior explica que alimentos, suplementos e chás, mesmo que obtidos de plantas com atividades medicinais, não são considerados fitoterápicos. “Eles, por definição técnica e determinação legal, são medicamentos exclusivamente derivados de drogas vegetais. No Brasil, regulamentamos como remédios convencionais”, diferencia o farmacêutico, que não participou da meta-análise conduzida por Taulant Muka, da Universidade Erasmus, na Holanda.

O cientista da instituição holandesa investigou suplementos de fitoestrógenos, que são substâncias parecidas com hormônios vegetais. “O fitoestrógeno tem uma estrutura molecular muito similar aos estrogênios. Em alguns casos, como o da substância ginesteina, um flavonoide encontrado na soja, a molécula é quase uma cópia do estrogênio. Assim, supõe-se que o efeito biológico seja o mesmo. E muitos resultados apontam que realmente são”, conta Francisco Correia.

A partir da análise de 62 estudos sobre a ação de fitoestrógenos em 6.653 mulheres, Taulant Muka descobriu que isoflavonas (de soja, na dieta ou em extratos) e trevo-vermelho promovem uma modesta redução na quantidade de ondas de calor e secura vaginal, que também foi amenizada com remédios à base de erva-de-são-cristóvão (Actaea racemosa). “Mas elas não ofereceram quaisquer efeitos nos suores noturnos”, nota o autor. O estudo indicou ainda que aquelas com sintomas leves e moderados do climatério, cerca de 30%, se beneficiam dos fitoestrogênios, sobretudo das isoflavonas. Apesar de naturais, Muka frisa que eficácia a longo prazo e a segurança dessas terapias precisam ser mais claras. “A adoção de um estilo de vida saudável ainda é a espinha dorsal para aliviar o desconforto dos sintomas”, defende o autor.

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