Estudo relança debate sobre eficácia de regimes de menor teor de gorduras

Resultado mostra que um regime rico em gorduras e verduras, como a dieta mediterrânea, não engorda

por AFP - Agence France-Presse 29/06/2016 16:44

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A dieta mediterrânea, que tem fama de fazer bem para o coração, não engorda e influencia tão pouco no peso quanto uma dieta pobre em gorduras, segundo um estudo recente que relança o debate sobre a pertinência das recomendações para reduzir o consumo de gorduras.

Há anos os lipídios são responsabilizados pela epidemia de obesidade que afeta o planeta, mas uma equipe de cientistas quis comprovar o efeito de uma dieta mediterrânea "à vontade", ou seja, sem restrições de calorias.

A dieta mediterrânea, rica em gorduras saudáveis, é composta principalmente por azeite de oliva, nozes, grãos, cereais, frutas, legumes e peixes.

Entre 2003 e 2010, os pesquisadores acompanharam cerca de 7.500 espanhóis maiores de 55 anos, que foram divididos em três grupos. Um deles usou o azeite de oliva à vontade, outro consumiu nozes sem restrições, e o terceiro reduziu a ingestão de gorduras. Todos os participantes apresentavam risco cardiovascular alto e diabetes, e 90% deles eram obesos ou tinham sobrepeso.

Ao final de cinco anos, a porcentagem de lipídios na alimentação diminuiu de 40% para 37,4% no grupo submetido ao regime pobre em gorduras, e aumentou nos outros dois grupos - de 40% para 41,8% no grupo que consumiu mais azeite de oliva e de 40,4% para 42,2% no grupo que fez a dieta rica em nozes.

Todos os participantes emagreceram ligeiramente - 800 gramas em média no grupo do azeite, 600 gramas no grupo pobre em gorduras e 400 gramas no grupo das nozes.

Por outro lado, houve um aumento no tamanho do manequim em todos os grupos: 1,2 cm no grupo do regime pobre em gorduras, 0,85 cm no grupo do azeite de oliva e 0,37 cm no grupo das nozes.

"Nossa pesquisa mostra que um regime rico em gorduras e verduras, como a dieta mediterrânea, não engorda", afirmou Ramón Estruch, da Universidade de Barcelona, autor principal do estudo, publicado no início de junho na revista médica britânica The Lancet Diabetes and Endocrinology.

No artigo, os pesquisadores dizem que "é hora de acabarmos com nosso medo da gordura" e deixarmos de focar unicamente na redução total das calorias provenientes dos lipídios, porque certos tipos de ácidos graxos têm efeitos muito positivos para a saúde.

A pesquisa não convenceu alguns especialistas, que destacaram a baixa perda de peso observada nos três grupos estudados. "O resultado mais importante é que, para perder peso de forma eficaz, é necessário limitar o consumo total de calorias", afirma Susan Jebb, da Universidade de Oxford.

Já a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou à AFP que não se trata de recomendar ingerir gorduras "à vontade", mas afirmou que pode vir a revisar suas recomendações - que limitam a 30% as calorias consumidas na forma de lípidos - até o final do ano.

Na maioria dos países mediterrâneos, esta proporção é de 40% ou mais.

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