Duas vacinas contra o zika se mostram eficazes em animais e geram otimismo

O zika vírus desencadeou uma onda de preocupação internacional ao ser comprovado a sua ligação com casos de microcefalia, uma malformação grave e irreversível em bebês nascidos de mães infectadas com a doença

por AFP - Agence France-Presse 28/06/2016 16:36

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Duas vacinas foram eficazes contra o vírus zika em ratos de laboratório, anunciaram nesta terça-feira (28/06) pesquisadores, que consideraram esse resultado como um passo importante no desenvolvimento de uma imunização para os seres humanos. "É uma etapa para o desenvolvimento de uma vacina", declarou Dan Barouch, da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, que liderou o estudo publicado pela revista Nature. Trata-se, segundo ele, "da primeira" demonstração de uma proteção contra o zika vírus "obtida com uma vacina" em um animal.

O zika vírus desencadeou uma onda de preocupação internacional ao ser comprovado a sua ligação com casos de microcefalia, uma malformação grave e irreversível em bebês nascidos de mães infectadas com a doença, além de uma série de outros problemas.

O último surto deste vírus, que é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, apareceu na América Latina em 2015 e rapidamente se espalhou por toda a região. O país mais afetado é o Brasil.

Apesar de defender a cautela ao falar sobre os resultados das vacinas obtidos em animais e uma possível eficácia em humanos, a pesquisa "desperta esperanças de que uma vacina segura e eficaz é possível", indica o relatório.

Vários cientistas acreditam que levará anos antes que isso aconteça. "Temos que fazer testes em macacos e, especialmente, em animais em gestação, para verificar se estas vacinas protegem contra a ameaça do zika, ou seja, da microcefalia, porque o objetivo é principalmente proteger o feto", disse à AFP Etienne Simon-Lorière, do Instituto Pasteur.

Escudo contra segunda infecção

Ainda resta verificar a imunização a longo prazo. Ainda não está claro se as vacinas em questão também produzem anticorpos contra outros vírus da mesma família como o da dengue, que ao atuar ao mesmo tempo que os anticorpos do zika poderiam complicar ainda mais a infecção.

Dan Barouch e sua equipe testaram diferentes vacinas em ratos de laboratório. Os resultados mostraram que dois tipos de vacina — uma realizada com DAN e outra com uma forma desativada do vírus — forneceram uma "proteção total" contra uma cepa do zika procedente do nordeste do Brasil.

Para provar a eficácia da vacinação, os pesquisadores inocularam vírus em roedores vacinados, e depois constatarm que os animais estavam protegidos.

Sessenta laboratórios e agências nacionais de pesquisa trabalham em vacinas contra o zika vírus, segundo indicou em abril a Organização Mundial da Saúde. Entre as pesquisas, 18 vacinas são estudadas visando as mulheres em idade de procriação.

A vacina clássica, realizada com uma forma inativa do vírus e testada no estudo publicado na quinta-feira, é produzida pelo Instituto Walter Reed do exército americano, que planeja começar a testar em seres humanos, "antes do final do ano".

Como não existe nenhuma vacina de DNA sintético comercializada, o recurso a uma vacina clássica parece ser a solução mais rápida.

Outra vacina demonstrou recentemente a sua capacidade para estimular a formação de anticorpos contra o vírus. A produzida pela empresa americana Inovio Pharmaceuticals, que está desenvolvendo uma vacina de DNA sintético com uma empresa de biotecnologia sul-coreana, GenOne Life Sciences. Inovio indicou em 20 de junho que recebeu permissão para lançar um primeiro teste em 40 voluntários saudáveis.

No entanto, a companhia se limitou a afirmar que seu produto tinha gerado uma "resposta imunológica forte" (incluindo de anticorpos) em animais. Mas parece não ter ido tão longe ao não demonstrar a sua eficácia protetora, como no estudo publicado na revista Nature.

De acordo com um outro estudo publicado no mesmo dia na Nature Communications, a infecção pelo vírus zika protege contra uma infecção futura pelo mesmo vírus, mas não está claro se essa proteção durará toda a vida.

Por outro lado, a gravidez prolongaria consideravelmente a persistência do vírus no organismo, segundo os pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Madison (Estados Unidos) que trabalharam com macacos.

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