Veja sete mitos e verdades sobre o mau hálito

São raros os casos em que o mau hálito tem relação com alguma doença. Apesar de ter mais de 50 causas associadas, em 90% das vezes a halitose têm origem na boca

por Valéria Mendes 23/06/2016 10:00

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As crianças também podem sofrer com mau hálito. Geralmente, o problema está associado à higiene bucal inadequada, presença de cáries e inflamação nas gengivas (foto: SXC.hu)
O mau hálito atinge entre 30 e 40% da população mundial e em grande parte dos casos a pessoa desconhece o problema. Isso acontece em razão da fadiga olfatória, ou seja, como o cheiro é uma constante, quem tem halitose passa a não sentir mais. Apenas escovar os dentes é suficiente para matar os germes de todas as áreas da boca? Infelizmente não.

Doutor em periodontia e professor adjunto de Periodontia e Implantodontia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Alex Haas explica que a escovação isoladamente não remove todos os microorganismos da boca. “Os que permanecem na boca rapidamente recolonizam os dentes e podem formar a placa bacteriana e a gengivite, responsáveis muitas vezes pelo mau hálito”, salienta.

Segundo o especialista, para se ter uma boca limpa, é preciso, além da escovação, o uso de fio dental e enxaguante bucal. Além disso, o uso de limpador de língua – acessório vendido em farmácias – é tão importante quanto a escova de dente e o fio dental. “O uso da escova junto com fio dental alcança apenas 25% das áreas da boca, enquanto o uso combinado da escova, fio dental e enxaguatório alcança 100% dessas áreas e elimina até 99% dos germes”, diz.

Ao acordar, o mau cheiro é considerado fisiológico e, apesar de não ser uma doença, o mau hálito pode ser um sinal de que algo está errado. Alex Haas afirma qualquer pessoa pode ter halitose de tempos e tempos. Apesar de ter mais de 50 causas associadas, em 90% das vezes a halitose têm origem na boca. A causa número um é a diminuição da quantidade de saliva que favorece a formação de uma placa branca na parte superior da língua chamada suburra lingual. O tratamento é simples: uso de medicamentos para aumentar o fluxo salivar e, consequentemente, diminuir a escamação da boca, a indicação de alguns produtos para neutralizar o cheiro desagradável e a recomendação do uso do limpador da língua. Outras causas comuns são higiene bucal precária, periodontite, gengivite e cáries.

O que pouca gente sabe é que balas e gomas de mascar não combatem o mau hálito . “São artifícios que apenas mascaram o problema por pouco tempo já que não atuam na causa. A verdade é que o efeito pode ainda ser contrário. Caso apresentem açúcar, podem agravar o mau hálito através do favorecimento de cavidades de cárie nos dentes, pois estimulam a produção dos ácidos por certos tipos de bactérias que desmineralizam o esmalte dos dentes, além de promover a degradação de restos alimentares, contribuindo para o aparecimento do mau hálito”, salienta.

A sensação de gosto ruim na boca não é sinal de halitose já que, segundo o odontologista, a alteração de paladar nem sempre tem relação com a halitose. “Gostos amargos, azedos ou metálicos podem ser sinais de que há algo de errado e que precisa ser avaliado. A recomendação é consultar um dentista para examinar a causa do distúrbio e caso necessário, o paciente ser encaminhado a um médico”, pontua.

Outro mito em relação ao assunto é que o mau hálito atinge apenas os adultos . “As crianças também podem sofrer com mau hálito. Geralmente, o problema está associado à higiene bucal inadequada, presença de cáries e inflamação nas gengivas”, explica.

O uso de aparelho ortodôntico também pode contribuir para a halitose já que pode dificultar a escovação e aumentar a retenção de alimentos. “Outras causas comuns são a respiração pela boca e pouca ingestão de água, pois ambos diminuem a salivação aumentando a chance de aparecer um odor desagradável”.

A boa notícia é que o mau hálito tem cura já que está frequentemente associado com hábitos inadequados de higienização da boca, alimentação e estilo de vida. “Atitudes saudáveis e o uso de produtos corretos podem prevenir e resolver o problema”, pondera.

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