Apesar de cada vez mais popular, fisiculturismo para mulheres ainda é alvo de preconceito

Para quem pretende se iniciar no bodybuilding, o primeiro passo é procurar profissionais qualificados (nutricionista esportivo e personal trainer) para que haja a orientação necessária e o corpo seja preservado de lesões

por Revista do CB 15/06/2016 13:25

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As atletas Jaqueline Leite e Pâmela Sette (leg branca): ambas foram em busca desse
(foto: As atletas Jaqueline Leite e Pâmela Sette (leg branca): ambas foram em busca desse "algo a mais"que só o bodybuilding proporciona )
O fisiculturismo é conhecido mundialmente por corpos sarados e definidos. Inicialmente dominada por homens, a prática vem conquistando adeptas desde a década de 1970. No Brasil, esse público se renovou após o surgimento de musas fitness, como Bela Falconi, Ângela Borges e Sayuri Torres.

Dividido em categorias, o fisiculturismo feminino exige muita disposição e disciplina. As categorias Bikini e Wellness são as mais leves e também as mais disputadas, nas quais as mulheres sem tanta definição muscular exibem seus corpos sarados. As outras duas categorias, Body Fitness e Women’s Physique, requerem mais músculos — os ombros devem ser mais largos, com braços fortes e 0% de gordura.

Para quem pretende se iniciar no bodybuilding (outro nome para fisiculturismo), o primeiro passo é procurar profissionais qualificados (nutricionista esportivo e personal trainer) para que haja a orientação necessária e o corpo seja preservado de lesões. A estudante de direito Pâmela Sette, 30 anos, se dedica à atividade há um ano. Ela conta que, após a gravidez, ganhou muito peso e decidiu começar a malhar. “Tenho sorte de não ter me lesionado, porque, quando comecei a fazer musculação, não procurei orientação alguma e hoje vejo o quanto isso é essencial.”

Pâmela conseguiu emagrecer, mas não ficou satisfeita. “Eu percebi que não queria apenas ser magra. Queria ter um corpo legal e comecei a pesquisar e ler sobre o esporte. Foi então que me apaixonei.” Ela conta que, no começo. foi um choque: exigiu muito esforço e dedicação para aprender a se alimentar bem e entender a importância do treino. Desde então, a fisiculturista da categoria Wellness se entrega 100% à construção do físico perfeito.

O técnico de fisiculturismo André Torres trabalha com atletas há sete anos e conta que seu foco são as mulheres, devido à dedicação que só elas têm. O personal trainer explica que o esporte, embora muito exigente, é totalmente saudável, pois, além dos exercícios, controla a alimentação e o sono. Consumir bebidas alcoólicas, nem pensar.

As dietas deixam de ser períodos de exceção e passam a ser rotina. “Às vezes, as meninas sentem necessidade de comer algo diferente e, quando acabam os campeonatos, elas pegam um pouco mais leve por uma ou duas semanas, mas o próprio corpo já não aceita bem besteiras”, garante André.

Por isso, o técnico ressalta a importância de ter o acompanhamento de um nutricionista — ele saberá suprir as necessidades de cada um. O que há em comum entre todas as fisiculturistas é o foco em proteínas. Pode ser de carne, frango, peixe ou ovos, não importa. Outro detalhe importante é se alimentar de três em três horas. Por isso, a marmita é a companhia de todos os momentos. Quando o assunto é treino, André acrescenta: “Não é necessário malhar os sete dias da semana. Cinco vezes, com treinos de aproximadamente 1 hora, é o ideal. E é importante alternar entre exercícios de musculação e aeróbicos.”

Além dos padrões

Jaqueline Leite, 31 anos, é consultora de vendas, participa da categoria Bikini e conta como o esporte mudou sua vida. “Antes do fisiculturismo, estava passando por um período muito difícil, de depressão. Talvez fosse porque estava perto de chegar aos 30 anos e os questionamentos começaram a surgir, mas o esporte me ajudou a superar isso. O fisiculturismo aliviou muitas das minhas dores e fui melhorando cada vez mais, o que já foi uma grande vitória.”


O preconceito com a mulher no esporte ainda é grande. Muitos acham feio. Jaqueline conta que alguns amigos se afastaram da atleta quando ela resolveu se dedicar ao esporte, há três anos. “Muitas vezes, quem está de fora pensa que é algo fútil, sobre aparência apenas, mas a beleza acaba sendo uma consequência. Há bastante autoconhecimento envolvido.”

Pâmela Sette concorda e acrescenta que a sociedade impõe certo padrão de beleza, mas isso não permite dizer que a mulher perde sua feminilidade ao se tornar fisiculturista. “Já ouvi pessoas dizerem que estou feia ou parecendo um homem, mas eles não entendem que, para mim, é lindo ter um corpo torneado e com tudo no lugar”, diz a estudante. No mês que vem,  Pâmela e Jaqueline participarão pela primeira vez de um campeonato de fisiculturismo.

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