'Não gosto de sexo, mas sou capaz de amar': saiba mais sobre a assexualidade

Orientação sexual não limita o relacionamento amoroso com outra pessoa e nem é tão rara quanto se imagina. O que sobra é preconceito e falta de informação

por Valéria Mendes 12/06/2016 07:53

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Soraia Piva / EM / D.A Press
Os naipes do baralho são usados como símbolos do modo de ser assexual. Copas: (Romântico), Espadas: (Arromântico), Ouros: (Demissexual), Paus: (Gray-A) (foto: Soraia Piva / EM / D.A Press)
Eles não são sozinhos, nem infelizes, anti-sociais ou doentes. Eles também amam. Alguns podem namorar, outros se masturbam e há até quem faça sexo em algumas situações bem específicas. Já passou da hora de falarmos sobre as pessoas assexuais. Neste ano, a Parada do Orgulho LGBT de Londres (London Pride 2016), que acontece em junho, abre espaço maior para os grupos que afirmam a assexualidade como orientação sexual. O objetivo é justamente ampliar a visibilidade para essa expressão da sexualidade. “A definição que mais aglomera os assexuais é a ausência de atração sexual por homens ou mulheres. Isso não significa necessariamente que a pessoa tenha desconforto com o sexo, que seja sexualmente inativa ou que não tenha libido”, afirma Flávia*, 19 anos, estudante de direito e assexual. Para ela, “sem dúvida alguma a nossa pauta é o reconhecimento. Ainda somos tratados como aberrações, como se não existíssemos e ainda somos vítimas de estupro corretivo”.

Beto Novaes/EM/D.A Press
"Ainda somos tratados como aberrações, como se não existíssemos e ainda somos vítimas de estupro corretivo" - Flávia, 19 anos, estudante de direito (foto: Beto Novaes/EM/D.A Press)
Para as pessoas sexuais pode ser, sim, difícil, compreender essa forma de sexualidade, mas não impossível. A assexualidade não faz a vida de ninguém nem pior ou melhor. No entanto, os assexuais enfrentam uma série de desafios. Em uma cultura em que o sexo é hipervalorizado, hiperestimulado e associado à felicidade e também ao sucesso pessoal, mulheres e homens solteiros são vistos como pessoas mal-sucedidas e casais que transam pouco precisam urgentemente resolver essa pendência para que o relacionamento dê certo.

No entanto, a pesquisa Mosaico Brasil, conduzida pela professora de medicina da USP, coordenadora do programa de Estudos em Sexualidade da USP e psiquiatra Carmita Abdo, mostra que 2,5% dos homens brasileiros e 7,7% das brasileiras não se incomodam com a ausência de sexo, não precisam dele e não sofrem por isso. “São pessoas que não têm interesse por sexo, que não pensam em sexo, que não fantasiam e que não se mobilizam para uma atividade sexual”, explica a especialista.

Carmita Abdo salienta ainda que os assexuais não são pessoas disfuncionais. “O desejo sexual hipoativo ou inibição do desejo sexual é uma disfunção sexual porque traz desconforto, sofrimento e mal-estar para aquele ou aquela que está sem vontade para o sexo. As pessoas assexuais não se ressentem, não se angustiam e não sofrem por não sentir atração sexual”, observa.

Um outro empecilho para o reconhecimento da assexualidade como uma manifestação saudável da sexualidade são os poucos estudos que existem sobre o tema. No Brasil, só duas pesquisas se debruçaram sobre esse universo. Uma delas, de autoria de Elisabete Regina Baptista de Oliveira, doutora em educação pela Faculdade de Educação da USP e pesquisadora nas áreas de gênero, sexualidade, educação sexual e diversidade sexual. Intitulada ‘Minha vida de ameba: os scripts sexo-normativos e a construção social das assexualidades na internet e na escola’, a pesquisadora conversou com 40 assexuais, de 15 a 59 anos de idade, que lhe contaram suas experiências. “Pessoas que não se interessaram por sexo sempre existiram. O que não existia e é muito recente é elas se colocarem como tal e definirem uma categoria [a assexualidade] enquanto uma manifestação legítima da sexualidade. Essa conquista é fruto do nosso tempo, do século XXI, porque precisou existir a internet para essas pessoas se organizassem em comunidades virtuais e nas redes sociais”, observa a especialista.

Amor assexual
Entenda as diferentes identidades de quem não sente atração sexual por ninguém


Elisabete Regina Baptista de Oliveira afirma que 1% da população mundial é assexual, o que representaria mais de 7 milhões de pessoas. Antes de 2001, entretanto, quando a Rede para Educação e Visibilidade da Assexualidade (Asexual Visibility and Education Network - AVEN) foi criada e começou a dar voz a essa comunidade - mesmo que predominantemente entre os próprios pares -, toda pessoa que não sentia atração sexual por homem ou mulher sequer sabia que existiam outros e outras iguais a ela.

A AVEN começou como um fórum de discussão na internet para se transformar, logo em seguida, em uma associação em que pessoas de todo o mundo começaram a se juntar. Atualmente, já são mais de 70 mil membros. “Entrevistei mais de 40 pessoas assexuais e todas me disseram que se consideravam um ET antes de conhecer o conceito de assexualidade”, afirma.

A partir dessa conexão, do crescimento da comunidade e da troca de experiências, de acordo com Elisabete Regina Baptista de Oliveira, homens e mulheres assexuais foram percebendo que as vivências eram diferentes: alguns tinham vontade de ter um companheiro ou uma companheira para dividir a vida, outros não suportavam sequer a ideia de masturbação e havia até quem topasse uma relação sexual. “A partir daí, a própria militância começou a classificar a diversidade da expressão da sexualidade dos assexuais. Tudo isso acontecendo e a ciência nem aí para eles”, salienta a pesquisadora.

Foram criadas, então, novas palavras na língua inglesa – e já traduzidas para o português – para caracterizar o modo de ser assexual. Uma informação importante é que a pessoa assexual separa a atração sexual da atração romântica. Ou seja, para ela, sexo e amor são coisas completamente distintas. Veja a classificação:



“Sou capaz de amar”

O estudante de direito Frederico Rodrigues, 20 anos, é assexual e conta que sempre se sentiu à margem por “nunca ter tido interesse em sexo”. “Na adolescência fica mais nítida essa diferença. Meus amigos passaram a se relacionar afetivamente com outras pessoas. Eles iam atrás de parceiras ou parceiros e eu sempre sobrava na rodinha. Eu não ia atrás de ninguém. Já fiquei com meninas que me procuraram, mas nunca procurei ninguém. Eu sempre soube que eu era assexual, mas só aceitei a minha orientação sexual no ano passado”, diz.

Edesio Ferreira/EM/D.A Press
"Sexo é algo indiferente para mim, algo de que não necessito e que não tenho vontade de fazer. Sou capaz de amar, só não tenho vontade de fazer sexo" - Frederico Rodrigues, 20 anos, estudante de direito (foto: Edesio Ferreira/EM/D.A Press)
Frederico diz que já conhecia o termo antes de se assumir, mas afirma que ainda acreditava que, de uma hora para outra, sentiria a pulsão sexual. “Minha família não sabe que sou assexual e me cobra por um envolvimento afetivo-sexual.Tenho medo de eles não entenderem o que seja por não ser um assunto popular”, desabafa.

Ele espera que a assexualidade seja reconhecida socialmente como uma orientação sexual para que a informação circule e enseje a aceitação da pessoa assexual. “É importante para desconstruir preconceitos e vai facilitar com que muitas pessoas se assumam. Eu não escolhi ser assim, mas as pessoas acham que eu tenho um bloqueio por conta de um suposto trauma, que tenho um problema psicológico ou que ainda não encontrei a pessoa certa. São pensamentos comuns, mas errados. Eu já tentei de tudo, mas não rola”, assegura.

O estudante de direito se define como assexual heterorromântico e já namorou uma garota sem sexo. “Como ela era evangélica e, para ela, era importante que o sexo só acontecesse depois do casamento, foi um relacionamento sem conflito dento dessa temática. Atualmente estou sem ninguém e não estou sentindo falta de companhia”, diz.

O jovem considera remota a chance de fazer sexo, mas não de se apaixonar. “Mesmo se eu amasse a pessoa, o sexo é algo indiferente para mim, que não necessito e que não tenho vontade de fazer. Eu sou capaz de amar, só não tenho vontade de fazer sexo”, sintetiza.

Assexual, mas romântico
A parceria ideal para um assexual romântico seria uma pessoa também assexual e romântica, mas não é o que acontece geralmente. “Na maioria dos casos, os casais são mistos, uma pessoa assexual com outra sexual. É importante frisar que o fato de a pessoa ser assexual não significa que ela não possa fazer sexo. A pessoa assexual pode, por exemplo, escolher fazer sexo para agradar o parceiro ou a parceira porque aquela relação é importante” explica Elisabete Regina Baptista de Oliveira.

Arquivo Pessoal
"Na maioria dos casos, os casais são mistos, uma pessoa assexual com outra sexual. É importante frisar que o fato de a pessoa ser assexual não significa que ela não possa fazer sexo. A pessoa assexual pode, por exemplo, escolher fazer sexo para agradar o parceiro ou a parceira porque aquela relação é importante" - Elisabete Oliveira, pesquisadora das áreas de gênero, sexualidade, educação sexual e diversidade sexual (foto: Arquivo Pessoal )
Para a pessoa sexual é difícil conceber esse tipo de concessão, mas é interessante observar que casais sexuais também abrem mão de muitas coisas para agradar o parceiro ou a parceira e manter o relacionamento. “Entrevistei uma moça assexual romântica que conheceu o amor da vida dela. O relacionamento foi evoluindo e, para o rapaz, era natural que a relação sexual acontecesse. Quando aconteceu, ela viu o quanto que, para ele, o sexo era importante. Eles se casaram”, relata a pesquisadora da USP.

Esse é um exemplo claro de uma assexual romântica e sex-positivity. “A atração sexual não existe, mas a pessoa faz para manter o relacionamento. Há quem enxergue violência nessa concessão e não se dispõe a isso”, explica a especialista.

A doutora em educação narra a história de outro entrevistado em sua pesquisa sobre o tema. “Era um homem assexual casado e o sexo sempre foi um grande problema na vida dele. Em sua autodescoberta, fez sexo com uma garota. A moça engravidou e eles se casaram. Da parte dela, sempre havia a expectativa de uma relação sexual. Depois de 20 anos de casado, com o filho já fora de casa, ele chegou para esposa e disse que, a partir de então, ocuparia o quarto do jovem e que não faria mais sexo com ela. Ele relatou que o sexo era uma violência contra o que ele era, era algo que não aceitava mais sentir”, diz.

Como assexual, Flávia acredita na possibilidade de felicidade em um relacionamento de uma pessoa assexual com outra sexual. “Existem dificuldades. Para os sexuais, se sentir amado está muito próximo de se sentir desejado e a pessoa sexual não pode achar que o assexual não a ama porque não sente atração por ela”, diz.

A estudante de direito lembra ainda que o relacionamento misto (sexual com assexual) pode dar margem à violência psicológica e abusos. “O assexual pode se sentir pressionado a fazer sexo ou até se sentir obrigado já que está num relacionamento com uma pessoa sexual. Se sentir obrigado é diferente de estar disposto a fazer a concessão do sexo em razão do amor. E isso vai ser muito de caso a caso”, pondera.

Os arromânticos
A psiquiatra Carmita Abdo lembra ainda que a assexualidade é diferente da aversão sexual que já foi considerada uma disfunção sexual, mas hoje é catalogada como um tipo de fobia. “Quem tem repulsa ao sexo sofre, gostaria de não ter, deseja sentir de forma natural o impulso sexual. No caso dos assexuais, o sexo não é algo com quem eles se preocupam, simplesmente não é uma necessidade”, reforça.

AMOR ROMÂNTICO
O amor assexual, seria, na definição de Elisabete Regina Baptista de Oliveira, o desejo de um relacionamento em que as duas pessoas envolvidas se conhecessem profundamente, conhecessem o sonho uma da outra, a vontade de uma companhia para a vida toda, de passear de mãos dadas, de dormir e acordar junto. “A atração romântica é pelo interior da pessoa e não pelo corpo dela. Você se lembra de quando estava na terceira série e era apaixonada por um menininho? Como era essa paixão? O coração batia forte, certo? Mas alguma vez você pensou em sexo? Isso é o amor assexual”, sintetiza.

"Agora sei o que eu sou"
Sexo e sexualidade não são a mesma coisa. A dificuldade em entender essa diferença alimenta o não reconhecimento dessas pessoas que somam mais de sete milhões no mundo

Psicóloga especialista em sexualidade humana, Sônia Eustáquia Fonseca explica que a sexualidade é um dos elementos constitutivos do ser humano e não se limita apenas à atração sexual genital. “A assexualidade é uma forma de manifestação da sexualidade humana e sexualidade humana não é sinônimo de fazer sexo. Freud chamou de libido essa energia vital que percorre o nosso corpo. No caso das pessoas assexuais, esse prazer libidinal ou essa energia sexual é canalizada para um objeto fora do ser homem ou ser mulher”, resume.

Arquivo Pessoal
"A sexualidade não define caráter e moral de ninguém. Ser assexual é ter uma orientação sexual como qualquer outra" - Sônia Fonseca, psicóloga especialista em sexualidade humana (foto: Arquivo Pessoal )
A confusão que se faz entre sexo e sexualidade é o que pode dificultar o entendimento da assexualidade e alimentar preconceitos como o de que os assexuais seriam gays ou lésbicas enrustidas e, por isso, infelizes. A falta de estudos sobre o tema também sustenta a confusão de conceitos e muitas pessoas ainda acreditam que o assexual optou por uma vida sem sexo, como no caso de celibatários, ou que uma educação sexual repressora ou um trauma de abuso sexual na infância levariam a essa condição.

Não é opção e também não é falta de desejo. É um fato da vida da pessoa. “É comum tentar justificar a orientação sexual do outro por não dar conta da diferença. Esse não reconhecimento da sociedade pode produzir angústia em quem foge ao padrão sexual heteronormativo. A sexualidade não define caráter e moral de ninguém. Ser assexual é ter uma orientação sexual como qualquer outra”, esclarece a especialista.

A falta de atração sexual de quem é assexual é diferente daquelas que têm origem no desequilíbrio hormonal (desejo sexual hipoativo) ou em algum transtorno psicológico como depressão, ansiedade, transtorno pós-traumático. “Para os assexuais, essa falta de atração não traz nenhum incômodo. Nas outras situações, a pessoa se sente desconfortável e sofre com a falta de disposição para o sexo”, exemplifica a psicóloga.

Para Sônia Eustáquia Fonseca, um assexual que procura uma terapia para solucionar outras questões pode se deparar com profissionais que não vão aceitar essa orientação sexual em razão do desconhecimento sobre o assunto. “Isso gera um desconforto enorme porque não precisamos tratar pessoas que não precisam ser tratadas”, pondera. A doutora em educação, Elisabete Regina Baptista de Oliveira, salienta ainda que quem é sexo-normativo ignora as diferentes expressões da sexualidade. “Faça sexo ou não todo mundo tem uma sexualidade”, defende.

Beto Novaes/EM/D.A Press
"Por um tempo, imaginei que fosse lésbica. Namorei uma menina pela qual eu tinha atração romântica, mas não tinha atração sexual. Eu ainda não entendia que beijar alguém não implicava em ter atração pela pessoa. Eu beijava a menina e não era nem ruim, nem bom. Era como se eu estivesse assistindo televisão. E aí fiquei pensando que era heterossexual. Beijei um moço e foi igualmente neutro. Eu pensava "o que eu sou?" - Flávia, 19 anos (foto: Beto Novaes/EM/D.A Press)

AUTODESCOBERTA Para a pessoa assexual, a autodescoberta, segundo Elisabete Regina Baptista de Oliveira, começa pela construção de hipóteses. “Será que sou imaturo? Será que sou moralista? É por questão de religião? Será que sou homossexual? O desconhecimento da existência de outras possibilidades é muito grande e a pessoa assexual não tem a quem pedir informação. Os assexuais mais velhos sofreram a vida inteira sem saber o que eram, gente que só descobriu a orientação sexual depois dos anos 2000. Felizmente, as coisas mudam e os jovens assexuais de hoje têm, pelo menos, a possibilidade de saber que essa orientação sexual existe”, ressalta.

Jair Amaral/EM/D.A Press
Professora de medicina da USP, coordenadora do programa de Estudos em Sexualidade da USP e psiquiatra Carmita Abdo, mostra que 2,5% dos homens brasileiros e 7,7% das brasileiras não se incomodam com a ausência de sexo (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
Flávia conta que os psicólogos pelos quais passou pouco a ajudaram na fase de autodescoberta e aceitação. “Pelo contrário, o desconhecimento é abismal. Muitos especialistas sequer entendem a assexualidade como uma manifestação da sexualidade. A minha experiência foi bem desagradável. Apesar de eu precisar de terapia para outras questões, até hoje evito psicólogos”, afirma a jovem.

A garota diz que se descobriu assexual na experimentação das relações afetivas. “Por um tempo, imaginei que fosse lésbica. Namorei uma menina pela qual eu tinha atração romântica, mas não tinha atração sexual. Eu ainda não entendia que beijar alguém não implicava em ter atração pela pessoa. Eu beijava a menina e não era nem ruim, nem bom. Era como se eu estivesse assistindo televisão. E aí fiquei pensando que era heterossexual. Beijei um moço e foi igualmente neutro. Eu pensava ‘o que eu sou?". Não sabia qual era a minha sexualidade, mas sabia que ela existia”, relata. Nessa fase, Flávia conta que ainda não separava o sentimento da atração sexual e, por isso, era tão difícil se encaixar nos modelos que ela conhecia. Hoje, a estudante se identifica como assexual questionando a orientação romântica.

Flávia reforça que ser assexual não vai limitar o relacionamento amoroso com outra pessoa. “Para as pessoas sexuais, é mais difícil desvincular a atração sexual da atração romântica. Para os assexuais, essa diferenciação é muito nítida. Fazer sexo não muda o fato de o assexual não sentir atração sexual por pessoas”, diz.

A estudante de direito diz que uma das pautas da militância da comunidade assexual é o reconhecimento do amor sem sexo. “É importante desconstruir a imagem do assexual como frígido ou de alguém que jamais vai ter uma relação romântica. A experiência de um não é definidora da comunidade que, como qualquer outra, é diversa”, salienta.

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE SAÚDE PLENA