Veja quais são os alimentos considerados armas poderosas contra as inflamações crônicas

Alimentos como cebola, uva e maçã auxiliam na recuperação do quadro relacionado ao desequilíbrio na defesa do organismo e que favorece o surgimento de uma série de doenças, do diabetes ao câncer

por Correio Braziliense 09/06/2016 16:00

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Beto Novaes/EM/D.A Press
Maçã é um dos alimentos sugeridos pelo estudo contra inflamação crônica (foto: Beto Novaes/EM/D.A Press)
Inchaço, queimação, febre e dor. Por mais que os sintomas da inflamação incomodem, eles são sinais de que o corpo se recupera de um corte ou de uma pancada, ou está combatendo invasores, como vírus e bactérias. Existe, no entanto, um tipo de inflamação que não segue esse roteiro. Na forma crônica, os sintomas permanecem, mesmo que a lesão tenha sido curada e o invasor, eliminado — ou, até mesmo, nunca tenham existido.

Esse tipo de inflamação surge porque o sistema imunológico passa a atacar o próprio organismo e a destruir células saudáveis, num distúrbio ainda não totalmente compreendido pela ciência. Com o passar dos anos, essa situação desgasta o organismo, podendo provocar uma série de problemas. De acordo com estudos recentes, essa condição contribui, por exemplo, para o desenvolvimento dos males de Alzheimer e de Parkinson, da insuficiência cardíaca, do diabetes e do câncer, entre outras enfermidades.

Arte: CB / D.A Press
Clique na imagem para ampliá-la e saiba mais (foto: Arte: CB / D.A Press)
Enquanto não se esclarece a origem desse mal, pesquisadores buscam formas de amenizar o quadro inflamatório para evitar que essas doenças graves surjam ou, no caso de pacientes que já as manifestam, se intensifiquem. Entre as apostas, está a mudança no cardápio tradicional, passando, especialmente, pelo consumo de alimentos ricos em polifenóis, que são compostos antioxidantes, anticancerígenos e anti-inflamatórios. Um estudo das universidades de Liverpool, na Inglaterra, e da Califórnia, nos Estados Unidos, sugere, para esse fim, a ingestão de itens como cebola, cúrcuma-da-índia (ou açafrão), uva (roxa, vermelha e preta), maçã, açaí e chá-verde.

Citocina

Segundo a equipe de cientistas, cujos resultados foram publicados na revista especializada British Journal of Nutrition, os polifenóis são capazes de equilibrar a citocina, uma molécula que desempenha importante papel na regulação do sistema imunológico, responsável pela comunicação entre células e estimulação do processo inflamatório. Essas moléculas são liberadas pelos linfócitos T, glóbulos brancos que fazem a ronda pelo sistema circulatório em busca de qualquer anormalidade. De forma geral, pessoas com inflamação crônica possuem elevado nível de citocina, verificado normalmente nos chamados testes da proteína C reativa, o que sugere um distúrbio nos glóbulos brancos. Ao testar em laboratório um grupo de 31 tipos de polifenóis em um modelo humano de citocina produzida por linfócitos T, os cientistas observaram que esses compostos inibem a proliferação da molécula.

Outra descoberta do estudo foi o efeito anti-inflamatório dos ácidos fenólicos (um tipo de polifenol) após serem absorvidos pelo sistema digestivo, o que havia sido pouco investigado até então. De acordo com os pesquisadores, os resultados indicam que o grupo de polifenóis analisado é benéfico, ao prevenir e tratar a inflamação crônica. “Pessoas idosas são mais suscetíveis à inflamação crônica; então, seriam os principais beneficiados ao suplementar em suas dietas alimentos que são fonte de moléculas de polifenóis”, escreveram os autores no estudo.

Hábitos saudáveis
Somada à recomendação de uma dieta que inclui os compostos anti-inflamatórios, especialistas alertam para a necessidade de manter atividades físicas regulares e sono reparador como forma de intensificar os cuidados contra os males da inflamação. “Dietas como a ocidental, rica em gordura, acompanhadas de insônia, estresse e sedentarismo, são fatores que elevam o risco de inflamação crônica. Por isso, não basta mudar os hábitos alimentares”, enfatiza o nutrólogo Leandro Minozzo.

A mesma recomendação é destacada por Paulo Barboni, químico e pesquisador no desenvolvimento de analgésicos. “Os alimentos favorecem o equilíbrio do corpo, mas eles não são suficientes. É preciso fazer exercícios físicos, evitar o consumo de bebidas alcoólicas e o tabagismo, enfim, ter uma vida saudável é essencial.”

Divulgação
Por ter componentes anti-inflamatórios, o açaí é recomendado como parte de uma dieta equilibrada (foto: Divulgação)

Os benefícios do açaí

Em outra investigação sobre os benefícios dos polifenóis, cientistas focaram em uma fruta bastante popular no Brasil: o açaí. Realizado por pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, e da Universidade Texas A&M, nos EUA, o estudo buscou avaliar a capacidade de o alimento gerar efeitos anti-inflamatórios, anticancerígenos e de regulação da gordura no sangue.

As análises foram realizadas com roedores e em ambientes controlados, de forma que ainda não é possível estimar os mesmos resultados em pessoas. Esse é, no entanto, o próximo passo da pesquisa. “Nosso estudo avalia de forma mais aprofundada os possíveis mecanismos de ação pelos quais os compostos polifenólicos do açaí atuam na redução do processo inflamatório, do estresse oxidativo e da adipogênese e do estímulo da apoptose, processos que estão diretamente relacionados às alterações bioquímicas e ao aparecimento de doenças, como as cardiovasculares, diabetes, obesidade, câncer, entre outras”, explica ao Correio Manoela Maciel, pesquisadora do Departamento de Nutrição e Saúde da UFV e coautora do trabalho, publicado na revista especializada Journal of Functional Foods.

De acordo com Manoela, é importante que o consumo do açaí seja feito de forma balanceada e acompanhado de outros cuidados para diminuir os riscos de doenças graves. “Ainda não há um consenso em relação à dose recomendada para o consumo do açaí. No entanto, ele deve fazer parte de uma alimentação equilibrada e saudável, pois seus componentes podem ter um efeito coadjuvante com outros alimentos.”



Cuidados básicos
“Não se pode dizer que nenhum alimento cure ou previna doenças, mas apenas reduz o risco. No entanto, para que o açaí exerça seu efeito benéfico à saúde, ele deve ter seus compostos bioativos preservados e devem ser consumidos em doses adequadas, diariamente, além de ser acompanhado de atividade física, como todo alimento funcional. Deve-se considerar os cuidados no processamento e armazenamento para que não haja oxidação do produto, com consequente perda das suas propriedades benéficas à saúde.”

Hércia Stampini, professora-associada da UFV e coautora do estudo sobre o açaí

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