Afetividade e sexualidade do casal ficam em segundo plano com nascimento do filho

Saber lidar com o outro nesse período de reajuste da vida é essencial para que o romance seja retomado no momento certo

por Gustavo Perucci 05/06/2016 11:20

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.

Arte/EM
(foto: Arte/EM)
Nome escolhido, quarto montado, enxoval pronto. A expectativa do nascimento do bebê é grande e a chegada do novo membro da família é indescritível. Muitas famílias se preparam com cursos, aprendem a dar banho, trocar fraldas, ajustam a rotina, contratam babás ou contam com a ajuda dos avós. Mas enfrentar essa transformação do dia a dia, por mais amor e alegria envolvidos, não é tarefa fácil. Só quem passa por isso sabe. Poucos pais e poucas mães, porém, pensam em como a modificação da estrutura familiar afeta a relação afetiva e sexual do casal.

Realmente, os primeiros meses de vida do bebê requerem muitos cuidados e atenção, tarefas, geralmente, direcionadas às mulheres. Amamentação, forte elo afetivo com o recém-nascido, licença-maternidade maior e questões culturais sobrecarregam as mães. Aliadas a isso, mudanças no corpo e transformações hormonais alteram ainda mais o comportamento. Do outro lado, os homens, que, mesmo que se esforcem, participem e ajudem, voltam à rotina normal em poucos dias e não têm em suas costas o peso imposto às parceiras na criação da criança. Climas e humores tão diferentes podem, sem o devido cuidado, gerar conflitos entre o casal, principalmente na questão sexual, uma das principais queixas dos homens que se tornaram pais.

“São muitos desencontros. A mulher de um lado, o homem do outro. E posso afirmar, com certeza, que a chegada do filho afasta o casal sexualmente. Por mais que não seja romântico dizer isso, é uma realidade. Uma gama de questões estão envolvidas para que isso ocorra. Costumo brincar que o sexo fica em 5º plano. O período varia de casal para casal, mas o primeiro ano é geralmente o mais difícil nesse aspecto”, garante a psiquiatra especialista em sexualidade Kie Kojo.

Segundo Kie, essa diminuição da libido é natural, mesmo que leve a frustrações individuais e problemas entre o casal. Sem diálogo, compreensão e colaboração, esse período pode ser tortuoso para a vida afetiva dos pais. Se o homem não sofre com alterações na rotina e corporais e ainda tem o “passe livre” cultural para voltar à sua normalidade e papel de provedor, o contrário ocorre com a parceira. Insegura com o dever de ser mãe e com o próprio corpo, exausta com os cuidados com o bebê e sob o efeito da prolactina, hormônio da produção do leite que afeta diretamente a libido, o sexo deixa de ser uma prioridade. E essa falta de reciprocidade, muitas vezes, não é compreendida pelos parceiros. Assim como a não compreensão de seu estado físico e psicológico gera ainda mais insegurança nelas.

SINTONIA “As pessoas ainda têm uma visão romanceada do que é ter um filho. Falamos muito do lado bom, que é realmente recompensador. Por mais que escutem sobre as dificuldades, a ficha só cai com a chegada do bebê. E as queixas são constantes e muito parecidas em relação ao distanciamento sexual. Mas é importante ter sabedoria durante essa fase e saber que a vida íntima vai sendo retomada aos poucos. E quanto mais sintonia, compreensão e colaboração o casal tiver, menos traumático e mais fácil será”, completa Kie.

Mesmo que o romance e a sexualidade sejam essenciais para a vida do casal, mais que temer a tal conversa de que “depois do filho, aqui em casa só uma vez por mês”, é preciso estar aberto ao diálogo, entender que a fase é passageira, se preparar para isso, se engajar no dever de cuidar e curtir ao máximo o bebê, sem se esquecer do outro, da razão de aquela criança existir.

Marcos Vieira/EM/ D.A Press
O publicitário Bruno Santiago ajuda a esposa, Tereza, em todos os aspectos da criação e educação do filho, Samuelzinho, de 3 anos (foto: Marcos Vieira/EM/ D.A Press)

A felicidade envolvida com a chegada do filho é indescritível. Mas, geralmente, inclusive por questões culturais, a responsabilidade dos cuidados com a criança é direcionada às mães, sobrecarregando-as em um momento delicado. Mudanças de comportamento são lentas, mas a cada dia mais pais se preocupam em participar e dar o máximo de suporte às mulheres. Além de aliviar a pressão sobre as parceiras, essa colaboração paterna pode ajudar o casal a retomar sua intimidade.

Sem a menor dúvida sobre qual deveria ser sua postura como pai, o publicitário Bruno Santiago correu atrás de informações sobre os cuidados com o bebê, ao saber que sua esposa, Tereza, estava grávida do pequeno Samuel, hoje com quase 3 anos. E Bruno faz questão de ressaltar: “Os pais não ajudam, eles devem fazer muito mais do que isso. A vida do homem que, de fato, é pai, muda. Mais que uma ajuda, é um dever assumir sua obrigação de também cuidar do filho”.

Como todo casal moderno, Bruno e Tereza planejaram com cuidado a gravidez. E o processo até o nascimento de Samuel foi emocionante, com altos e baixos. Primeiro, tiveram que lidar com a informação de que as chances de terem um filho era muito pequena. Mesmo assim, persistiram. A expectativa com cada um dos famosos testes de farmácia era grande. Até que, em 2011, veio a boa nova. “Estávamos grávidos!”, conta Bruno. Infelizmente, meses depois, por complicações, eles perderam a menina que esperavam. O baque foi forte, mas eles não desistiram.

Exatamente um ano depois, a felicidade tomou conta do casal. “A Tereza jogou o teste de gravidez no lixo, depois que ele demorou para dar o resultado. Eu, como sempre, ia no lixo para conferir o teste. Foi assim também na primeira gravidez. E aí, em dezembro de 2012, veio o Samuel. Ela jogou o teste no lixo sem esperança nenhuma e, quando conferi, dei a notícia de que estávamos novamente grávidos. E veio o Samuelzinho, que está aí forte com a gente”, lembra Bruno.

Como toda mãe, Tereza, além da rotina de exames, se preparou com cursos e pesquisas. Só que, ao contrário da maioria dos casais, Bruno também se engajou na tarefa de cuidar do filho que esperavam. Só que, durante os cursos e informações que buscava na internet, o publicitário notou algo que o incomodou: todas as orientações eram direcionadas às mulheres, inclusive em vídeos no YouTube. Quase nenhum conteúdo focava no pai. Daí surgiu a ideia de o “Pai tem que fazer de tudo”, que virou comunidade no Facebook e fanpage (www.paitemquefazerdetudo.com), com o objetivo de ajudar e orientar os homens na criação da criança.

“Preparei-me muito. A Tereza fez o seu papel de mãe, de pesquisar e se preparar. Ela é uma mãezona, só que as pessoas já esperam por isso. Quis quebrar o paradigma de que pai não precisa se envolver tanto, de que o pai ajuda. O pai é muito mais que um complemento. O homem que foge da questão de participar no cuidado com o filho tem que repensar sua postura”, afirma.

Cinco dias depois da chegada de Samuel, Bruno teve de voltar ao trabalho. “Desumano!” É como o publicitário descreve o período de licença paternidade previsto no Brasil. Mesmo assim, ele não se furtou de assumir sua responsabilidade. Ao chegar em casa, era sua vez de cuidar do bebê. “A Tereza até brinca que a noite é minha. Chego do trabalho e assumo o comando. Não tem essa de chegar, ver o jogo e ajudar depois. Acabou essa vida. Dava banho, trocava fralda, ficava de olho, fazia-o dormir. Quando ela precisava amamentar, eu que levava.”

COMPREENSÃO E a participação intensa nos cuidados com o Samuel fizeram Bruno entender ainda mais o cansaço e desgaste de sua parceira, o que facilitou, e muito, a retomada da intimidade do casal. O publicitário credita ao seu envolvimento a compreensão que teve do momento que todos pais e mães recentes passam na intimidade e vida sexual.

“É muito trabalhoso ter filho. Converso com vários pais que são envolvidos como eu na criação dos filhos, e, como sabemos o trabalho que dá, fica mais fácil aceitar quando a mulher não quer. Agora, é lógico que a questão sexual muda. Às vezes, a esposa está cansada, mas o pai que realmente se envolve também fica. Quando o outro não está muito afim, tem que respeitar. A palavra é exatamente essa: respeito. Ela entende o meu lado e eu, mais do que nunca, tenho que entender o dela. O diálogo é fundamental. Isso impacta demais. E tem dia que estou esgotado também e sou eu que não quero”, pontua.

Cada um ter o seu tempo e participar ativamente da criação do Samuel ajudou o casal a superar um dos momentos mais difíceis na vida íntima de pais e mães recentes. E Bruno sabe disso. Como mais de 90% de seus seguidores são mulheres, a quantidade de retorno que ele recebe sobre mães insatisfeitas com a postura de seus parceiro em relação aos cuidados com a criança é imensa. Assim como, cada vez mais, bons exemplos de paternidade chegam a ele. Só que ainda estamos longe do ideal.

Mesmo observando uma mudança de comportamento dos homens em relação ao seu papel na paternidade, a psicóloga e sexóloga Cynthia Dias Pinto Coelho considera que ainda temos um grande caminho a percorrer. Ela atende com frequência casais com problemas de relacionamento após o nascimento do bebê. “Acho que ainda estamos engatinhando nesse aspecto, mas é claro que, aos poucos, vamos melhorando. A cada década, percebemos a participação do homem de uma forma efetiva. Mas se você vai em uma reunião de pais em uma escola, vê, essencialmente, mulheres. É claro que tem homens, mas eles são minoria. No meu consultório, com muita frequência, o pai se recusa a participar do tratamento psicológico do filho. É a mãe que leva a todas as sessões, é ela que recebe as orientações. Em consultórios de pediatras, a mesma coisa. Posso afirmar que hoje é bem melhor que há 10 anos e os homens se envolvem mais, não só nas questões ligadas à criação do filho, mas também nas tarefas domésticas. É uma prática que está crescendo, mas ainda estamos muito distantes do ideal”, aponta.

É JUSTO SÓ CINCO DIAS?
O papel dos pais na criação dos filhos tem tido cada vez mais destaque. E nada mais justo, já que as mulheres também têm sua vida profissional e participam igualmente do sustento da família. Dos exames e cuidados durante a gestação, passando pelo nascimento e fases de desenvolvimento da criança. Não dá para se ausentar. Mas não é isso que a legislação brasileira pensa. O período de cinco dias de licença paternidade destoa do contexto atual das responsabilidades com o bebê e sobrecarrega ainda mais as mães. O direito é assegurado pela Constituição Federal/88 em seu artigo 7º, XIX e art. 10, parágrafo 1º, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Instituições lutam por uma licença mais longa, tanto para os pais quanto para as mães. Para se ter uma ideia, na Noruega, desde 2012, pai e mãe podem desfrutar de 14 semanas com o bebê após o nascimento. Em março deste ano, foi sancionada a lei que prevê o aumento de cinco para 20 dias de licença paternidade, mas só para as empresas que aderirem ao Programa Empresa Cidadã.

Cynthia Coelho, psicóloga e sexóloga: "Os homens se queixam muito de que a mulher perde o interesse sexual com a chegada do bebê, e as mulheres de que elas estão exaustas, muito cansadas, e não têm disposição física para o sexo"
Não é para se assustar, pois todos os casais passam por isso. Depois da chegada do bebê, o romance e a atividade sexual entre os parceiros diminuem. As razões são muitas, biológicas e psicológicas, mas é preciso compreender que é uma fase natural. Mais importante ainda: é necessário se preparar para isso. Assunto pouco discutido durante a gestação, a mudança da intimidade de pais e mães recentes gera desencontros entre os dois, e, em casos extremos, a desestruturação da família.

“Ninguém conta isso pra gente, que vai ocorrer essa mudança, mas é uma queixa frequente no meu consultório. Os homens se queixam muito de que a mulher perde o interesse sexual com a chegada do bebê, e as mulheres de que elas estão exaustas, muito cansadas, e não têm disposição física para o sexo”, conta a psicóloga e sexóloga Cynthia Dias Pinto Coelho.

Vivemos em uma cultura patriarcal, então, o comportamento comum é que a parceira se ocupe do cuidado com a prole, enquanto o parceiro se preocupe mais com o sustento da casa. E, realmente, os papéis do homem e da mulher em relação à chegada do novo membro da família são muito diferentes, sobrecarregando a mãe e facilitando ao pai voltar à sua rotina com mais facilidade.

“Do ponto de vista psicológico, que é onde entra a divisão dos papéis feminino e masculino, na nossa cultura, a mãe absorve mais os cuidados com o bebê. A licença-maternidade é maior que a do pai, então, a mulher fica mais tempo com a criança. Existe essa sobrecarga. Claro que, hoje, alguns homens se envolvem. Mas é uma mudança comportamental recente. E mesmo que o homem ajude, levante de madrugada, troque fralda e dê banho no bebê, a amamentação só ocorre com a mãe”, esclarece Cynthia.

A psicóloga explica que a criança traz uma sensação de plenitude para a mãe, gerando uma mudança de papel. Por um período, ela deixa o lugar de amante, de mulher que sente desejo, para se concentrar no cuidado da prole. O homem fica em segundo plano na vida da parceira, o que, em alguns casos, chega a gerar ciúmes por parte do pai. Assim, o sexo é algo que não faz parte da vida delas por um tempo. Depois, o natural é que o casal retome o clima de intimidade e encontros sexuais.

Cynthia ressalta, ainda, que o homem não passa pela alteração de libido durante esse período. Mas a diminuição da atividade sexual também pode ter relação com a mudança da maneira que ele enxerga a parceira. “Alguns homens, durante a gravidez e até depois dela, mudam o olhar que tinham em relação à mulher. Antes, ela era a fêmea, objeto de desejo. Então, quando a mulher engravida, ele passa a vê-la como a mãe do seu filho, algo mais santificado. Existe até uma questão cultural, daquela divisão inconsciente entre a santa e a puta. Enquanto ele namora, tem as duas mulheres dentro de uma só. Quando ela vira mãe, cria-se um distanciamento. Ela é elevada a esse estado mais sublime e ele não se sente muito à vontade para o sexo”, completa.

Kie Kojo, psiquiatra especializada em sexualidade humana, explica que, além do cansaço natural dos cuidados com o bebê, a mulher também está em um período de insegurança. Ela se sente insegura com o corpo, com a capacidade de cumprir seu papel de mãe, com as críticas e opiniões que recebe. “Será que vou ser uma boa mãe? Será que vou fazer tudo correto? Será que vou ter leite suficiente? São muitas as questões que pesam seu psicológico. Assim, ela não está pronta para namorar. Posso até dizer que, nos três primeiros meses, as mulheres nem conseguem parar para pensar em sexo. Emocionalmente, ela não está no seu melhor. É muita coisa para ela dar conta”, aponta.

A falta de compreensão e participação do parceiro afeta ainda mais a mulher, dificultando o reencontro afetivo dos dois. Kie esclarece que o ciclo de resposta sexual do homem e da mulher são completamente diferentes. Enquanto o primeiro tem mais prontidão para o sexo, ela precisa de mais acolhimento e cooperação para se dispor.

“Se o homem percebe e compreende que a mulher está cansada, participa mais das tarefas, é claro que ela vai se sentir mais acolhida. Com isso, ela estará muito mais disponível para o encontro sexual. Só que o que observo é o contrário. A mulher se sente só, solitária nessa tarefa da criação, e o homem acha que está fazendo muito. É um desencontro. Ela acha que o marido poderia auxiliar mais, e ele acha que já está ajudando demais”, analisa Kie.

PREVENÇÃO Preservar o romance e a atividade sexual é essencial para o relacionamento do casal e continuação da estrutura familiar. Por isso, é preciso reconhecer e conversar sobre esse período de diminuição da intimidade dos dois, que, invariavelmente, ocorrerá com a chegada do filho.

“Ninguém imagina que a vida vá mudar nessa questão sexual e afetiva. Acho que todos imaginam que não vão poder viajar como antes, sair à noite como saíam, com um filho pequeno para criar. Pensam nas despesas, escola. Mas nunca atendi um casal que tivesse essa preocupação com a manutenção do romance depois do nascimento do filho. Isso aparece depois, com as pessoas buscando tratamento, uma forma curativa. Nunca como prevenção”, alerta Cynthia, acrescentando ainda que o sexo é um elo muito importante para a união do casal, inclusive para que os parceiros suportem as mudanças, que são naturais com o nascimento do bebê.

Manter um diálogo franco e aberto é essencial para a saúde da relação entre pai e mãe nessa fase. Cada um deve expressar suas necessidades e ouvir, com companheirismo e compreensão, o outro. Tolerância, concessão, paciência, amor, parceria, cumplicidade, afeto. Se essas palavras já são chaves para qualquer relacionamento, nos primeiros meses após o parto, elas ganham ainda mais importância. Também é recomendado tentar criar momentos de intimidade entre os dois, em que o casal possa estar junto sem ser interrompido pelo bebê. Com isso, a ajuda dos avós ou babás é ainda mais importante. E família é isso, poder contar um com o outro.

“Uma das coisas mais difíceis em relações – e aí são relações a dois, relação profissionais, relações afetivas, de amizade – é o diálogo. É preciso que as pessoas tenham coragem de falar o que elas sentem ou o que elas pensam. E, muitas vezes, com a chegada do filho, esse casal não tem tempo de dialogar. Ou, às vezes, a pessoa espera que o outro adivinhe o seu pensamento. A maneira de evitar que isso ocorra é a manutenção de um diálogo bastante sincero. E esse diálogo serve tanto para a qualidade da relação afetiva quanto para a relação sexual”, conclui Cynthia.

MUDANÇAS NO CORPO E FISIOLÓGICAS

Dois períodos influenciam no comportamento da mulher no pós-parto. O primeiro, é da volta do corpo ao estágio pré-gravidez, e o segundo, é até o ciclo da amamentação ser finalizado. Com isso, o termo puerpério é discutido pela classe médica.

Alguns consideram que ele dure de 30 a 60 dias, até que os órgãos da mulher voltem ao normal. Útero, ovários e trompas, durante a gestação, têm aumento de tamanho e, inclusive, da quantidade de vasos sanguíneos. A musculatura da vagina também sofre transformação para se preparar para o parto. Outros, especialmente psicólogos, acreditam que o puerpério só se encerre com o fim da amamentação.

Segundo o ginecologista Ramon Luiz Braga, é imprescindível respeitar o prazo recomendado pelo obstetra para que as relações sexuais sejam retomadas. E isso vale para parto normal e cesariana. Além da cicatrização, essa espera diminui o risco de infecções.

De qualquer maneira, o período do aleitamento gera mudanças hormonais nas mulheres, que, variando de caso para caso, repercutem na libido. “Essa diminuição é normal e até uma defesa da própria natureza. Logo depois do parto, durante a amamentação, a mulher produz altas doses de um hormônio chamado prolactina, que é o hormônio do leite. Essa prolactina inibe uma outra substância, chamada dopamina, que influencia no desejo sexual. É um efeito biológico. Normalmente, esse período varia de três a seis meses depois do parto. Ela não deixa de se interessar pelas carícias, pelo afeto. Mas pelo sexo, propriamente dito, elas se interessam pouco. E isso ocorre com 80% das mulheres”, completa Ramon.

VONTADE Gerson Lopes, ginecologista e sexólogo, explica que um dos efeitos periféricos da prolactina é o ressecamento da vagina, o que aumenta a possibilidade de dor durante o ato sexual. “Há uma alteração fisiológica, hormonal, que dificulta, realmente, a expressão da sexualidade feminina. Seja pela baixa de libido, pela dificuldade de se excitar, seja pela dor que pode haver pelo ressecamento da vagina. Brinco que a prolactina é o hormônio da sobrevivência, como se a natureza dissesse à mulher que agora não é hora de se preocupar com o sexo”, afirma Gerson.

O sexólogo enfatiza que as mulheres devem tomar cuidado ao praticar o sexo sem que haja vontade, só para satisfazer o parceiro. Segundo Gerson, essa atitude pode afetar ainda mais a intimidade do casal.

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE SAÚDE PLENA