Tire suas dúvidas sobre os movimentos 'no poo' e 'low poo'

Principal filosofia dos adeptos é adotar lavagem sem determinados produtos que podem deixar fios duros, opacos e couro cabeludo irritado

por Estado de Minas 09/05/2016 11:42

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Leandro Couri/EM/D.A Press
Dandara Elias: "Os petrolatos são extremamente proibidos, pois para a retirada desses resíduos é necessário o uso de sulfatos mais agressivos ou de xampu antirresíduos, o que é incompatível com as técnicas No/low poo" (foto: Leandro Couri/EM/D.A Press)
Um movimento que nasceu na internet, mais precisamente nas redes sociais, vem deixando de lado os xampus tradicionais e abusando de produtos menos agressivos para os cabelos e o couro cabeludo. Seja cacheado, crespo, liso, colorido ou natural, o método No/low poo vem ganhando seguidoras por todo o mundo, inclusive entre as brasileiras. Grupos surgiram nas redes sociais como o No e Low poo Iniciantes, que já tem quase 160 mil participantes. Os mineiros também não ficaram de fora e criaram o No/low Poo – Belo Horizonte e Região, com mais de 2 mil seguidores. E o movimento não inclui apenas mulheres. Os homens também fazem parte.

Desenvolvido pela inglesa Lorraine Massey, fundadora de uma marca de produtos para cabelos ondulados, cacheados e crespos, o método se popularizou após a publicação do seu best-seller: Curl girl. A obra, que chegou ao Brasil com o título O manual da garota cacheada, ensina como identificar o tipo de cacho e como utilizar os métodos No poo e Low poo, com o objetivo de evitar o ressecamento dos fios causado pela presença de substâncias conhecidas como sulfatos nos produtos capilares.

A nomenclatura em inglês poo significa xampu. No quer dizer não e low, pouco, baixo. Em português, o significado é sem xampu e pouco xampu, respectivamente. Os que aderem ao No poo eliminam o uso do xampu de forma radical e utilizam um condicionador de composição leve para a limpeza. Ou seja, a lavagem dos fios é feita apenas com alguns tipos de condicionadores, técnica chamada Co-wash. Outra opção para as que desejam o cabelo com limpeza mais natural é o Low poo, que usa produtos sem sulfato ou com baixo teor da composição para a lavagem.

A dermatologista Tatiana Steiner, do Departamento de Cabelos e Unhas da Sociedade Brasileira de Dermatologia, explica que nos xampus tradicionais são encontradas substâncias como surfactantes, perfumes, conservantes, espessantes e agentes condicionadores como lipídicos, ácidos carboxílicos e silicones. Os surfactantes são agentes detergentes, divididos em quatro tipos: os aniônicos, que propiciam limpeza profunda, porém, deixam os fios duros, ressecados, opacos; os catiônicos, indicados para cabelos secos e danificados, que propiciam limpeza fraca, fazem pouca espuma, deixando os fios macios e maleáveis; os não iônicos, que oferecem limpeza leve; e o anfotérico, de limpeza moderada.

“Os xampus e tratamentos químicos aumentam a carga eletrostática dos fios (carga negativa), o que é compensado pelo rinse (carga positiva). Isso gera acúmulo de resíduos na cutícula, que aumenta a eletricidade estática do cabelo, elevando as escamas e dando aspecto esvoaçante, difícil de pentear, de aparência desagradável. Além disso, o ácido graxo dos condicionadores e xampus condicionantes se liga ao cálcio e magnésio do chuveiro e se depositam na fibra capilar”, explica.

Condicionador Alice Lage, professora da disciplina semiologia dermatológica do curso de medicina da PUC Minas, explica sobre a função dos xampus e condicionadores no cotidiano das pessoas. “O xampu tem substâncias cujo papel é limpar o couro cabeludo por meio da remoção de sebo, suor, restos celulares e impurezas provenientes do ambiente. Já a necessidade do uso dos condicionadores surge da incapacidade relativa dos xampus de remover somente uma quantidade de sebo, suficiente para deixar os cabelos limpos sem causar danos aos fios e ao couro.”

Segundo Alice, “os condicionadores também são necessários, pois quem submete os fios a procedimentos estéticos e tratamentos químicos fica com os cabelos danificados, tornando-os duros, quebradiços e difíceis de desembaraçar. Sendo assim, os condicionadores fornecem brilho, diminuem a quebra dos fios e melhoram sua maleabilidade”, acrescenta a professora da PUC.

LIMPA TUDO
E por que as técnicas de No poo e Low poo ponderam o uso do sulfato? Os sulfatos são os principais “detergentes” encontrados nos xampus. São eles que realizam a limpeza mais profunda dos fios e do couro cabeludo, sendo os responsáveis pela formação da espuma que solubiliza as impurezas e permite que elas sejam removidas no enxágue com água.

“Em alguns casos, essa limpeza pode remover a oleosidade natural do couro cabeludo e deixar o cabelo duro e ressecado. Além disso, em alguns casos raros, os sulfatos podem ser irritantes locais, causando vermelhidão, coceira e até ardor nos olhos de algumas pessoas”, explica Alice. Por esses motivos, recomenda-se que o sulfato seja abolido na higienização do cabelo.

Dandara Elias, diretora do Instituto Todo Black é Power – espaço de beleza dedicado à estética negra especializado em cabelos crespos – já usou e recomenda a técnica. Ela explica sobre os malefícios do uso excessivo do sulfato, que tende a tornar os cabelos ainda mais oleosos, quando o organismo de determinada pessoa apresenta essa tendência. “Ao se retirar todo o óleo natural do cabelo, estamos estimulando maior produção desse óleo. Porém, ao se fazer a limpeza com os condicionadores permitidos pela técnica (sem petrolatos ou silicones), é possível realizar uma higienização suave, retirando resíduos de poluição e suor sem alterar o equilíbrio da oleosidade natural do fio”, afirma Dandara.

Ela explica ainda que outros componentes além do sulfato são excluídos pelas técnicas No/low poo: produtos derivados do parabenos e do petróleo, como vaselina, parafina líquida e óleos minerais. Os xampus sem sulfato não são capazes de limpar os derivados do petróleo que ficam impregnados nos fios e criam uma barreira que impede a absorção de muitas substâncias reparadoras e nutritivas para o cabelo.

Sendo assim, “os petrolatos são extremamente proibidos, pois para a retirada desses resíduos é necessário o uso de sulfatos mais agressivos ou de xampu antirresíduos, o que é incompatível com as técnicas”, explica. Outra regra importante às adeptas ao No poo é evitar os silicones insolúveis em água.

“As técnicas No/low poo são muito eficazes quando bem utilizadas”, afirma Dandara. Cacheados, lisos, oleosos, ressecados, crespos, pintados, com química ou sem química podem utilizar a técnica, mas Dandara pondera que é importante fazer uma pesquisa sobre os produtos, pois nem todos os xampus sem sulfatos são de boa qualidade. “É importante testar no cabelo e observar os resultados”, afirma.

PONDERAÇÕES
A dermatologista Alice Lage atesta que essa opção para os cabelos pode ser eficaz: “A maioria das adeptas dessas técnicas tem cabelos crespos ou cacheados, que são naturalmente mais frágeis e ressecados devido à estrutura própria em espiral do fio. Com isso, o uso de xampus ditos “menos agressivos” e produtos específicos pode ser benéfico em alguns casos, inclusive muitas pacientes realmente notam melhora dos cabelos com o método”, afirma. Porém, a médica afirma que a exclusão total do uso de xampus ainda é assunto controverso e pode ser prejudicial à saúde dos fios.

Já Tatiana Steiner, afirma: “É importante considerar que cada indivíduo é único e pode ter várias particularidades, portanto não dá para generalizar dizendo que essa técnica realmente trará bons resultados a todos que a praticam.”

Ela explica que as técnicas podem não limpar o couro cabeludo de forma ideal, podendo causar ou piorar um quadro de dermatite seborreica em pessoas que apresentam tal predisposição para esta inflamação da pele, no caso no couro cabeludo. Ela pode causar caspa, excesso de oleosidade e irritação no couro. “No caso de indivíduos que transpiram muito ou fazem muita atividade física, esses produtos podem não remover o suor e não limpar o couro adequadamente”, ressalta Tatiana, que recomenda uma consulta a um médico dermatologista antes de iniciar qualquer tipo de procedimento.



Joice Amanda, auxiliar de escritório

Transição capilar
A auxiliar de escritório Joice Amanda, de 19 anos, usou xampu com sulfato pela última vez em fevereiro de 2015. “Conheci a técnica quando resolvi deixar as químicas de transformação e comecei a transição capilar. Pesquisei maneiras de definir mais os cachos”, conta. Refém de métodos para alisar e relaxar os cabelos desde os 12 anos, Joice quer largar a química para reconstruir e assumir os cabelos. Ela diz que o cabelo demora um pouco para se acostumar, já que os produtos com ingredientes “proibidos” pela técnica No/Low poo criam uma espécie de máscara em volta dos fios que não permite a absorção de nenhum tipo de tratamento. “Demorei quase um mês para perceber uma diferença positiva, mas não tive nenhum problema grave, só experiências ruins com alguns cremes que pesaram os fios.” Quem quer aderir à técnica No/Low poo deve fazer a primeira lavagem com xampu antirresíduos para retirada dos produtos pesados. Depois, é hora de escolher um produto sem sulfatos.

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