Acusada de mimar sua filha, americana dá resposta emocionante

Atender às necessidades de um bebê é o que de melhor os pais e as mães podem fazer por seus filhos e filhas. Ideia de que o colo vai gerar crianças dependentes não se sustenta cientificamente

por Valéria Mendes 06/05/2016 12:34

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Uma coisa boa das redes sociais é como a voz de um anônimo ou de uma anônima pode ressoar para derrubar mitos socialmente construídos e culturalmente naturalizados. Uma delas é a ideia equivocada de que “colo estraga bebê” sem que essa convicção tenha nenhum respaldo na neurobiologia do desenvolvimento infantil. O que os estudos atuais da neurociência e trauma infantil têm mostrado é justamente o contrário: as crianças que têm suas necessidades atendidas se desenvolvem melhor, são mais tranquilas e emocionalmente mais fortes.

Outro mito que vem sendo derrubado e que envolve a educação das novas gerações é que “palmada ensina”. A publicação recente de um estudo que analisou dados de 75 pesquisas ao longo de 50 anos e que envolveram mais de 160 mil crianças derrubou o mito da palmada corretiva como estratégia de ensinar meninos e meninas a se comportarem. O efeito comprovado é justamente o contrário. Publicada no Journal of Family Psychology, a pesquisa mostrou que os tapas estão associados a uma chance maior de a criança desenvolver comportamentos desafiadores em relação aos pais e mães, a se tornarem mais antissociais e sofrerem de diferentes problemas psicológicos.

Leia matérias que o Saúde Plena já publicou sobre o assunto:
Deixa chorar ou dá colo? Neurocientista explica que negligenciar choro das crianças pode ser perigoso
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O episódio mais recente é o de uma mãe norte-americana, Kelly Dirkes, que estava em uma loja de departamento com sua filha no colo quando ouviu de uma estranha o seguinte comentário: “Você mima este bebê”. A resposta não saiu na hora. A mãe preferiu sorrir de volta, beijar a cabeça da filha e continuar as compras. No entanto, já são mais de 20 mil compartilhamentos no texto que ela publicou em sua página pessoal no Facebook.

Kelly Dirkes começa assim o seu relato: “Eu já ouvi isso antes. Que eu "mimo este bebê". Você está convencida de que ela nunca aprenderá a ser ‘independente’. Se você soubesse o que eu sei."  No post, a mãe revela que sua filha é adotada e reafirma seu compromisso em “mimar este bebê”. Leia na íntegra:

"Se você soubesse como ela passou os primeiros dez meses de sua vida completamente sozinha dentro de um berço de metal estéril, sem nada para confortá-la a não ser chupar os dedos.

Se você soubesse como o seu rosto ficou no momento que seu cuidador no orfanato entregou-a para mim pela primeira vez: expressões de serenidade misturadas com puro terror. Ninguém nunca a tinha abraçado assim antes, e ela não tinha ideia do que ela deveria fazer.

Se você soubesse que ela ficava deitada em seu berço depois de acordar e sem nunca chorar - porque até agora, ninguém iria responder.

Se você soubesse que a ansiedade era uma parte normal do seu dia, assim como bater a cabeça nas grades do berço e balançar-se para ter algum estímulo sensorial e conforto.

Se você soubesse como esse bebê no carregador é dolorosamente "independente" - e como vamos gastar minutos, horas, dias, semanas, meses e anos tentando substituir a parte de seu cérebro que grita "trauma" e "inseguro".

Se você soubesse o que eu sei.

Se você soubesse que aquele bebê agora choraminga quando é colocada no chão, em vez de fazê-lo quando alguém a pega.

Se você soubesse que este bebê "canta" com o topo de seus pulmões no período da manhã e depois de sua soneca, porque ela sabe que essa sua conversa vai trazer alguém para tirá-la de seu berço e trocar sua fralda.

Se você soubesse que este bebê se balança para dormir nos braços de sua mãe ou de seu pai , em vez de embalar-se sozinha.

Se você soubesse que este bebê fez todo mundo chorar o dia que ela estendeu a mão para ter conforto, totalmente espontâneo.

Se você soubesse o que eu sei.

"Mimar este bebê" é o trabalho mais importante que eu terei e é um privilégio. Vou continuar carregando por mais um tempo - ou até quando ela me deixar carregá-la - porque ela está aprendendo que está segura. Que ela pertence. Que ela é amada.

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