Ter um bichinho de estimação 'diferente' gera situações inusitadas: você se imagina comprando baratas?

Cães e gatos ainda ganham de lavada na preferência do brasileiro. Mas, ou por moda ou por gosto pessoal, algumas pessoas acabam adotando um pet mais inusitado, como cobra, hamster, tartaruga, coelho ou miniporco

por Gustavo Perucci 12/04/2016 09:30

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Arquivo Pessoal
"Antes de adotar um bichinho muito diferente, é preciso pensar qual o espaço que ele ocupa, qual a nossa disponibilidade, os nossos horários, qual a alimentação dele" - Marcela Ortiz, veterinária, especialista em animais silvestres e exóticos (foto: Arquivo Pessoal )
Fugir do lugar-comum pode ser uma boa opção, inclusive quando se trata de animais de estimação. Mas ter um bichinho 'diferente' pode exigir muito trabalho e colocá-lo em situações, digamos, inusitadas, como armazenar ratos congelados no congelador de casa ou ter que correr para comprar baratas no biotério mais próximo. Cães e gatos ainda ganham de lavada na preferência do brasileiro. Mas, ou por moda ou por gosto pessoal, algumas pessoas acabam adotando um pet mais inusitado, como cobra, hamster, tartaruga, coelho ou miniporco.

Só não pense que, por ser menor ou mais independente, um pet exótico vai dar mais trabalho. A veterinária Marcela Ortiz, especialista em animais silvestres e exóticos, alerta sobre a importância de se pesquisar profundamente sobre o bichinho que pensa em adotar. Quanto mais diferente e inusual o animal, mais se deve estudar antes de levá-lo para casa.

“É preciso pensar qual o espaço que ele ocupa, qual a nossa disponibilidade, os nossos horários, qual a alimentação dele. Por exemplo: 'Vou conseguir dar um rato para uma cobra? Vou conseguir estocar ratos congelados em casa?' Tem que estar preparado para saber se você vai conseguir lidar com as necessidades do animal. E tem também o custo, desde veterinário, que deverá ser especialista, até a gaiola. Continuando com o caso da cobra: com quem deixá-la quando for viajar...”, orienta Ortiz.

A veterinária também destaca a questão de preservação da natureza, principalmente quando a vontade for ter um animal silvestre. Ortiz enfatiza a importância de se adquirir o pet em um criatório legalizado pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Verificar se a cidade onde o bichinho for levado tem a estrutura e profissionais capacitados para atender às suas necessidades é muito importante, pois, no final, quem sofre é o animal. “Oriento pesquisar se na cidade existe um veterinário capacitado para atender a esse animal. Às vezes, a pessoa quer ter um bicho muito diferente, como, por exemplo, um furão. Aí ele tem que tomar vacina e a pessoa não acha quem possa fazer isso. Não acha a ração específica para ele. E quem acaba sofrendo é o bichinho, por mais disponibilidade que a pessoa tenha”, acrescenta.

Confira alguns cuidados antes de adotar um pet um pouco 'diferente':

AVES
» Antes de adquirir uma ave, é necessário ver se ela e o criatório são legalizados. » É necessário observar as condições do criatório. Se muitas aves ficam juntas dentro de uma mesma gaiola, a chance de ela estar doente é bem maior. » Pesquisar sobre os hábitos da ave também é importante. “São bons animais para apartamento, mas depende muito da rotina da pessoa. Algumas aves, como os papagaios, araras, maritacas e calopsitas, gostam de interagir. Então, se o dono tiver uma ave e sair para trabalhar cedo e voltar à noite, ela pode adoecer, pois é um bicho que vive em bando.

COELHO
» Não é um roedor. A espécie se chama lagomorfo.
» É um animal bem dócil, mas deve ser acostumado com o manuseio desde cedo, pois ele pode estranhar e morder.
» É um bicho de bando, então precisa de companhia. A veterinária Marcela Ortiz recomenda sempre ter mais de um. Só que, se for adotar um casal, a castração é quase uma obrigação, já que eles podem ter mais de 100 filhotes em um ano.
» Os mais peludos exigem escovação diária. Como ele se lambe o dia inteiro, corre o risco de ingerir muito pelo. E isso pode causar uma obstrução intestinal, que leva o animal a óbito.

ROEDORES

» Chinchilas, porquinhos-da-índia e hamster são ótimos animais para apartamentos e ficam geralmente em gaiolas.
» Observe se o bichinho, na hora de comprar, está com a pelagem perfeita.
» Roedores não precisam tomar banho. Eles mesmo se limpam, como os gatos. “Vendem por aí um banho para hamster, mas não é recomendado. É um pó e eles o aspiram. Aí, o bichinho, que já vive pouco tempo, vive menos ainda. Esse é o principal problema que temos com hamster”, alerta Ortiz.
» O hamster vive em
média dois anos, então é preciso levar isso em conta quando for presentear uma criança com um.

RÉPTEIS
» Cada espécie requer um cuidado diferente e profissional especializado. Por isso, é necessário pesquisar se na sua cidade existe um veterinário capacitado para atender o pet.
» A serpente é um animal independente, que o tutor não precisa manusear com constância.
» Geralmente, as serpentes se alimentam de ratos, que devem ser comprados no biotério congelados e armazenados no congelador.
» A iguana é um animal tranquilo, mas que requercerto trabalho com a alimentação. Ela come, principalmente, folha. Existe a ração, mas deve ser dada junto com as folhas.

Cães e gatos também podem ser vítimas do Aedes aegypti
Em meio ao surto causado pela dengue, zika e chikungunya, outra doença que pode ser atribuída ao mosquito Aedes aegypti é a dirofilariose. Transmitida a cães e gatos por meio da picada de mosquitos infectados, entre eles o Aedes aegypti, a dirofilariose é o nome científico de uma doença causada pela larva do verme no coração e que pode ser fatal. Mosquitos fêmeas picam um animal infectado pelo parasita e depois de cerca de 15 dias essa larva passa a ter poder infectante e quando esse mosquito picar um animal sadio, ela migram para seu corpo, indo para a artéria pulmonar e o coração do pet, onde irá se desenvolver até a fase adulta. Inicialmente, o animal infectado pode apresentar falta de disposição para exercícios e brincadeiras, além de tosse, emagrecimento e, em casos graves, falta de ar, efusão abdominal (barriga d’água), desmaios e hemorragias espontâneas, o que pode o levar à morte. A prevenção continua sendo o melhor remédio.

Plano de saúde para o bichinho?

Ter um animal de estimação está cada vez mais comum: cerca de 44,3% das residências brasileiras têm pelo menos um pet, o que rende uma população de 52,2 milhões de cães e 22,1 milhões de gatos. Não é à toa que a procura pelos planos de saúde para esses bichinhos vem aumentando. Apesar da crise econômica, a busca por esse tipo de serviço cresceu 35% no último semestre quando comparado ao anterior, segundo levantamento feito pela Célebre Corretora de Saúde. Apesar de existir poucos planos de saúde para animais, profissionais contam que eles são extremamente eficientes e têm coberturas amplas. Os valores variam de acordo com a idade do pet.

Conservando a ração

Guardar o alimento do seu animalzinho requer cuidados especiais. É preciso sempre fechar muito bem o pacote ou o recipiente que armazenará a ração. No caso de vasilhames com tampa, os ideais são os herméticos, para que o alimento não perca o valor nutricional. E não só o ar contribui para a conservação do alimento, mas também a luz. Por isso, a importância de guardar o produto em local escuro, seco e sem umidade. Depois de aberto o pacote, a ração para cães e gatos deve ser consumida em até duas semanas. Por isso, não compre embalagens maiores que o necessário para este período.

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