Mais tempo para si significa mente mais criativa e produtiva

Por mais paradoxal que pareça, desacelerar no trabalho pode ser até mais produtivo que ceder ao estresse

por Carolina Cotta 01/04/2016 09:30

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Lelis / EM / D.A Press
(foto: Lelis / EM / D.A Press)
Pé no freio. Desacelerar, ou mesmo parar, pode lhe fazer muito bem. Um café da manhã sem pensar nos prazos do trabalho, um “cochilinho” depois do almoço (para quem ainda tem o luxo de almoçar em casa, é claro), uma caminhada sem pressa no fim do dia são mais do que um descanso. Estudos recentes estão provando ao mundo a importância de aprender a lidar com o tempo e, mais do que isso, tirar proveito dele. A saúde, a família, a qualidade de vida e sim, até o patrão, agradecem. Por mais paradoxal que pareça, desacelerar no trabalho pode ser até mais produtivo que ceder ao estresse. Segundo a psiquiatra Sofia Bauer, a psicologia positiva é uma das vertentes a defender que quando a pessoa se dedica a ter um pouco de tempo para si, para o lazer e o descanso, a mente fica menos acelerada e a criatividade aumenta.

Um dos recursos para essa parada estratégica é a meditação, que há muito deixou de ser algo da turma zen. Seminários, cursos e tutoriais na internet estão aí para ensinar a prática milenar de acalmar e disciplinar a mente. O que, no passado, era reservado aos buscadores da verdade, com o ritmo estressante da vida moderna tornou-se algo disseminado. Indispensável para alguns. Além dos inúmeros benefícios comprovados cientificamente, o propósito mais elevado é encontrar o que alguns mestres orientais chamam de “consciência pura”. “Meditar é a arte de voar em uma linguagem simbólica. Ela representa a viagem que empreendemos ao interior de nós mesmos, percorrendo as diferentes estações da mente e elevando-nos pelo céu até descobrir a essência pura e iluminada”, defende Suryavan Solar, fundador da Escola de Meditação Cóndor Blanco.

EQUILÍBRIO

A prática chegou até o mundo corporativo por reduzir o estresse e a ansiedade. Na busca por esses resultados, não é de se estranhar que até os altos executivos do mercado financeiro usem a meditação, inclusive como forma de investimento. Para o coach financeiro Ricardo Melo, que estuda e pratica a meditação, ela ajuda na busca por mais equilíbrio e foco, além de melhorar a performance e promover o autocontrole para lidar com as adversidades. “Uma vida sem estresse é um dos objetivos da meditação, que visa passar clareza na tomada de decisões, transparência e transformação nas relações entre funcionários, além de levar os profissionais a agir de maneira mais responsável, já que eles aprendem a gastar seu tempo de forma mais inteligente e eficaz”, explica.

Mas desacelerar não é sinônimo de meditar. Há muitas outras formas de nos presentearmos com essa parada. O Bem Viver ouviu especialistas e pessoas que souberam transformar suas vidas com a pausa que consideram mais eficiente. Que tal parar o que você está fazendo aí para desacelerar também?

Parar é necessário
Viver uma coisa de cada vez, dentro do seu próprio ritmo, faz bem para a saúde, para o corpo e para a mente, além de permitir longevidade


Tai Sinta-se Vivo/Divulgação
Para começar bem o dia, a cirurgiã-dentista Renata Tavares recorre a exercícios de respiração e algumas posturas da ioga (foto: Tai Sinta-se Vivo/Divulgação)

Tudo está mais rápido. Parece que já não temos tempo para nada ou para tudo... Ele simplesmente passa, corre e não conseguimos alcançá-lo. Antes mesmo de sair da cama, já há várias mensagens não lidas no WhastApp, notícias para ler, telefonemas para dar, providencias a tomar. Mas é essencial que tomemos as rédeas de nosso tempo. Para a Psicologia Positiva, as pessoas mais felizes são aquelas que conseguem usar o antigo Princípio de Pareto: a lei dos 80 por 20, que pode transformar vidas.

Segundo a psiquiatra Sofia Bauer, estudos recentes revelam que 20% da população tinha 80% do dinheiro do mundo. Na mesma lógica, as pesquisas se voltaram para a possibilidade de usar 20% do nosso tempo no trabalho e render 80% do que se precisa. “Eu, por exemplo, escrevo meus livros aos domingos, mas dedico pouco tempo a isso, sempre pela manhã. E consigo escrever muito, porque esse é meu melhor horário. Isso sugere que precisamos descobrir nosso horário de melhor rendimento, para dedicá-lo às nossas tarefas mais importantes”, diz.

Para a especialista, a questão não é ter tempo, e sim conseguir organizá-lo. Em tempos de crise, quando as pessoas acham que precisam trabalhar ainda mais, acabam ficando mal-humoradas, esgotadas e sem criatividade exatamente no momento em que precisariam mais disso do que de tempo em si. “Às vezes, quem está descansado é quem tem o melhor desempenho nas organizações”, defende Bauer, que hoje se dedica a esse ramo da psicologia que estuda a qualidade de vida das pessoas otimistas.

Manoel Guimarães/Divulgação
Para a psiquiatra Sofia Bauer, a questão não é ter tempo e sim saber organizá-lo (foto: Manoel Guimarães/Divulgação)
Diferentemente dos pessimistas, os otimistas são mais longevos e têm mais saúde, além de mais disposição para enfrentar dificuldades. “São pessoas mais felizes no trabalho, muitas vezes melhor sucedidas. Isso não quer dizer que trabalham 24 horas. Pelo contrário. São pessoas que usam o Princípio de Paredo e trabalham muito em um tempo menor”, explica. Mas, para que mais pessoas se beneficiem disso, Sofia defende que, primeiro, comecem a acreditar nas pesquisas que confirmam que quem faz menos rende mais.

ORGANIZANDO O TEMPO
Tais benefícios demandam planejamento. Mesmo que existam muitas tarefas a serem feitas, há horários melhores para que aquelas mais difíceis demandem menos tempo. “No contexto atual, se as pessoas não tomarem consciência disso estarão susceptíveis a ter depressão, falta de vontade e de dinamismo. É muito importante que se desacelere, dividindo tarefas, diminuindo o ritmo, descansando depois do almoço e meditando. “A prática produz ocitocina, neurotransmissor que é o antídoto da noradrenalina, o hormônio do estresse.

A cirurgiã-dentista Renata Freitas Tavares, de 33 anos, pratica a meditação desde a adolescência. “Comecei por conta própria, em casa mesmo. Parei por um tempo e, no ano passado, quando comecei a fazer aula de ioga, retomei o costume e medito sempre que dá. Nessa correria de cidade grande é sempre bom ter um tempinho pra relaxar”, defende Renata, que não se restringe à meditação, recorrendo também ao reike e à sua grande paixão, a escalada, que pratica há seis anos.

“É um esporte que amo e me ajuda muito a desligar dos problemas, da rotina. Nos fins de semana, vou para lugares tranquilos, em contato com a natureza e onde posso escalar. Às vezes, me arrisco no slackline e no tecido acrobático também. Gosto dessas atividades, que me fazem bem, porque minha rotina é estressante por causa da profissão. Ser dentista é estar em contato direto com as pessoas, com suas dores. Além disso, há o trânsito e os problemas pessoais”, explica.

Já que durante a semana não pode estar no mato, longe do estresse da cidade grande, para começar bem o dia e encarar tudo isso Renata recorre a exercícios de respiração e algumas posturas da ioga. “Os benefícios são os melhores possíveis. Faz bem para a saúde, para o corpo e para a mente. Antes de praticar essas atividades, era muito mais estressada, nervosa com as coisas, muito diferente do que sou hoje. Também percebi que fico menos doente e durmo melhor.”

O prazer de não fazer nada
Ao diminuirmos o ritmo, começaremos a ver a vida de forma diferente, dando valor às pequenas coisas que antes passavam despercebidas, conquistando mais liberdade


Cóndor Blanco/Divulgação
Escola de Meditação Cóndor Blanco ajuda pessoas a encontrar a paz interior e ter uma vida mais saudável (foto: Cóndor Blanco/Divulgação)

Se há sempre alguém melhor que eu, preciso correr e competir por posição, reconhecimento, promoção. Se há sempre algo novo surgindo, também não posso parar. Se há sempre um perigo, uma ameaça, algo diferente a conquistar, um novo desafio, um novo projeto, um novo trabalho, um novo carro, uma nova televisão, um novo celular... preciso correr para acompanhar tanta informação, desejos, coisas a conquistar. “Tantas autoimposições”, sintetiza Silexi Menta, médica e instrutora da Escola de Meditação Cóndor Blanco.

De onde tirar tempo para tudo isso? É realmente essencial arrumar tempo para tudo isso? Na maioria das vezes, sacrificamos as refeições, os filhos, a leitura, o tempo para nós mesmos, para o parceiro, para os amigos. “Tiro tempo do meu futuro, da minha saúde, do meu corpo, da minha evolução como ser humano. E deixo meu corpo sempre preparado para a fuga ou a luta, como na pré-história, numa constante liberação de adrenalina e cortisol, aumentando a pressão arterial, os batimentos cardíacos e, a longo prazo, diminuindo a saúde e os anos de vida”, diz.

É nesse mesmo contexto que surgem, e ganham adeptos, vários movimentos slow: slow food, slow moviments, slow parenting, slow living, slow photography. Por mais que pareça antagônico, espera-se que ocorra uma mudança para que possamos ter uma vida mais saudável e isso pode vir com o desacelerar: mente e corpo. Segundo Silexi, é diminuindo o ritmo que começamos a ver a vida de forma diferente, dando valor ao que antes passava despercebido.

“A gentileza do porteiro, o sorriso das crianças, a forma dos edifícios, o cheiro quando começa a chover, a brisa tocando a pele, as cores das ruas, a praça pública pela qual sempre passei e nunca notei. Redescubro o prazer de encontrar os amigos para um bate-papo, o prazer de almoçar em família e conversar sobre banalidades, o prazer de não fazer nada. Começo a me perceber novamente como um ser humano que tem uma vida valiosa. E, principalmente, começo a perceber outros seres humanos ao meu redor, com vidas também valiosas.”

“Desacelerando, posso redescobrir o prazer de caminhar devagar como quando éramos crianças; encontrar-me novamente com o prazer de deitar na grama e ficar olhando as nuvens mudando de forma; voltar a ter prazer em ler, cozinhar, limpar a casa, cuidar das próprias coisas e, claro, da gente mesmo. Nesse processo, nos damos conta da energia que isso gera e redescobrimos o prazer de trabalhar no que amamos, com mais foco, e, por que não, com mais eficiência. A vida se torna mais colorida e percebo que há algo mais do que a correria do cotidiano.”

• BENEFÍCIOS PARA A SAÚDE


Esse reencontro, ou essa descoberta de um ritmo próprio, nosso, pode trazer mais felicidade, saúde e melhoria das relações. “A vida passa a ser significativa e começo a dar valor ao que realmente importa”, defende Silexi. Desacelerar, portanto, está nas mais variadas e simples ações, mas meditar também pode ajudar. E muito. Segundo a especialista, trata-se de um dos melhores métodos para desacelerar, porque, por meio dela, chegamos a um nível de relaxamento e calma que transforma a vida.

Ao meditarmos, a mente se acalma e o cérebro vai se transformando, se redesenhando. Segundo a médica, conseguimos diminuir a pressão arterial, a frequência cardíaca e o coração fica mais saudável. Há um aumento das células que combatem a inflamação, diminuição das cefaleias tensionais, das dores musculares, da ansiedade e da insônia. A disposição e a memória melhoram, há redução da depressão, aumento da clareza mental, do foco e do raciocínio. A ansiedade diminui, nos enchendo de calma e bem-estar.

“Ficamos mais centrados no presente, sem ruminar o passado ou correr atrás do futuro de forma desenfreada. Tornamo-nos confiantes e mais tolerantes; nossa relação conosco melhora, nos trazendo mais autoestima. Ocorre o que chamamos de autoconhecimento, porque ficamos mais conscientes de nós mesmos e do meio que nos rodeia. E isso nos impede de voltar ao comportamento anterior, da vida no piloto automático. A meditação traz transformações profundas que se mantêm com o tempo e influenciam quem está ao redor.”

Jair Amaral/EM/D.A Press
"Dois anos atrás, estava em um nível de estresse absurdo. Cheguei a perder cabelo. Não conseguia dormir, nem me concentrar" - Felipe Sotério, advogado, que hoje pratica meia hora de meditação todos os dias (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)
O advogado Felipe Sotério, de 38 anos, experimenta uma transformação em sua vida desde que começou a meditar, há um ano. Gerente jurídico de uma multinacional italiana, o executivo paulista, que mora em BH há nove anos, tem um trabalho de muita responsabilidade. “Dois anos atrás, estava em um nível de estresse absurdo. Cheguei a perder cabelo. Não conseguia dormir, nem me concentrar”, lembra. Um checape sinalizou para o problema e foi quando, pesquisando, Felipe descobriu um curso de meditação.

Ele já tinha tentado fazer, vendo vídeos na internet, mas não conseguia. “Era um martírio ficar dois minutos sentado. Hoje, medito diariamente”, comemora. Para isso, começou aos poucos. “Demorei para entender que para meditar não precisava estar sentado em uma almofada. Comecei a buscar esse estado de não consciência em cinco, 10 e, hoje, 30 minutos. Quando não medito, o meu dia é diferente. As pessoas ao meu lado dizem que mudei, e para melhor”, comemora.

• APRENDENDO A MEDITAR


Quanto mais estressante o mundo, mais objetos de meditação podemos ter. Segundo Silexi Menta, é por isso que meditar é fácil. Mas, se é fácil, por que as pessoas não meditam? “Isso ocorre pela falta de hábito e nós somos seres de hábitos. E quem já tentou mudar um hábito sabe o quão desafiante pode ser”, diz. Um dos recursos é a respiração. Prestar atenção ao ar entrando e saindo das narinas, observando o inflar e desinflar do abdômen, é uma técnica simples e possível de ser feita por qualquer pessoa e a qualquer momento.

Também podemos meditar caminhado, isto é, estar plenamente presente em cada passo que damos. “Posso meditar comendo, prestando atenção em cada bocado de comida, na mastigação, nos sabores que se abrem na minha boca; posso meditar no engarrafamento, no semáforo, por exemplo, ficando atenta a todos os sons que posso perceber, sem distração. Assim como esses, existem recursos sem fim que posso usar na vida diária para meditar. O estar presente e a meditação somente têm sentido se posso trazê-los para a vida diária”, ensina Silexi.

COMO DIMINUIR O RITMO

O primeiro passo é tomar a decisão de mudar. Depois, é preciso começar aos poucos e não desacelerar a vida de uma hora para a outra. É preciso fazer um planejamento, como o abaixo:

1 – Divida uma folha ao meio e coloque de um lado o que você ganha com esse estilo de vida e do outro o que você perde a curto, médio e longo prazos. Analise isso.
2 – Seja prático. Escolha uma área de sua vida para começar a desacelerar. Por exemplo, nas refeições, comece a comer devagar, e reserve mais tempo para o almoço.
3 – À medida que se sentir melhor, vá aumentando a desaceleração. Por exemplo, ao chegar em casa, antes de ligar a televisão ou fazer qualquer outra coisa, tome um banho e faça um relaxamento dirigido. Existem vários áudios no mercado para comprar e praticar. Ou simplesmente coloque uma música relaxante, deite-se no chão, feche os olhos e foque totalmente a sua atenção na música. Ou, ainda, ocorra o que ocorrer, dedique uma hora de sua semana para receber uma massagem.
4 – Leia sobre meditação, isso vai motivar você. Uma sugestão para quem está começando é o livro Meditação: a arte de voar (Editora Gran Sol).
5 – Cada vez que entrar no carro, no ônibus ou no metrô, esteja consciente de sua respiração, fazendo isso até chegar ao seu trabalho. Repita o processo na volta.

Com esses passos simples, sua consciência vai mudando e, aos poucos, você sentirá os benefícios desses hábitos e fará mudanças positivas, no sentido de ter mais qualidade de vida, mais tempo livre, mais saúde e bem-estar. Saindo do estresse e do corre-corre, que faz a vida passar tão rápido e tão sem sentido, é possível alcançar uma vida mais significativa.

Fonte: Silexi Menta, médica e instrutora da Escola de Meditação Cóndor Blanco


RICARDO MELO, COACH
Como o desacelerar pode beneficiar a vida profissional?

Desacelerar traz mais foco nas atividades que realmente importam, maior clareza para tomar decisões, melhora no relacionamento com as demais pessoas, além de mais ânimo e disposição física e mental. O profissional somente tem a ganhar desacelerando.

Diminuir o ritmo pode aumentar a produtividade? Por quê?
Sim, pois quando trabalhamos sob forte estresse não conseguimos render bem. Depois de um determinado nível de tensão, a mente não raciocina direito e, embora o profissional fique correndo de um lado para o outro, achando que, pelo cansaço, está sendo produtivo, na realidade ele está desperdiçando tempo. Desacelerar, mantendo a mente serena e, claro, com ótima organização do tempo, vai potencializar a produtividade com bem menos estresse. Muitas vezes, “menos é bem mais”.

E quais recursos as pessoas podem usar para obter tais benefícios?
É possível fazer paradas estratégicas, individual ou coletivamente. Tudo vai depender do tamanho da empresa e da abertura da cultura empresarial em fazer isso. Chamo de “pit stops” ou paradas estratégicas. Parar para respirar e fazer um simples alongamento que dura de dois a três minutos, a cada uma hora e meia trabalhada, costuma fazer milagres. Mais uma alternativa para empresas maiores é oferecer uma sala de descanso para os funcionários utilizarem na hora do lanche ou do almoço. Isso evita que, nesses horários (em especial no almoço), o funcionário saia e fique fora da empresa, muitas vezes voltando ainda mais estressado devido a vários fatores externos. Minha sugestão é que as empresas e funcionários implantassem a meditação no trabalho. Os interessados poderiam chegar 30 minutos antes para fazer uma rápida meditação de 15 minutos, ler um texto motivacional e, assim, começar bem seu dia. Parece pouco e simplória a dica, mas não se engane: quem começa seu dia com a mente tranquila e o corpo relaxado tende a render muito mais no trabalho e na vida pessoal. Imagine como é já começar o dia repleto de tensão, chegando em cima da hora, depois de pegar engarrafamentos e trânsito pesado. Atividades simples trazem as pessoas para o centro delas mesmas e um ser humano mais conectado com sua paz interior faz qualquer coisa bem melhor.

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