Bichos: mudanças de hábitos podem ser sinal de problema dentário

Para evitá-los, escovar os dentes dos animais é a primeira regra a ser cumprida por um tutor responsável

por Revista do CB 17/03/2016 11:00

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Harbourfront Animal Hospital / Divulgação
A história de Wesley - que deixou de comer por problemas nos dentes - ganhou as redes sociais e serve de alerta a tutores (foto: Harbourfront Animal Hospital / Divulgação)
Na semana passada, a internet teve chiliques de fofura com a história de Wesley, o pequeno Golden Retriever que não conseguia comer. Sem mais nem menos, o filhote, de apenas 6 meses de idade, perdeu o interesse pelos brinquedos. Aos poucos, deixou de se alimentar, perdeu peso e ficou cada vez mais amuado. Para a sorte de Wesley, o tutor dele, Jim Moore, é veterinário odontológico. Rapidamente, o profissional percebeu que a mudança brusca no comportamento do cachorro só poderia ser uma coisa: problema dentário. O aparelho mudou a vida do cãozinho, que voltou a comer imediatamente e a ser o cachorro agitado de sempre. Tudo isso aconteceu no estado norte-americano de Michigan, mas, por aqui, o caso despertou interesse e muitas dúvidas. Afinal de contas, como cuidar da saúde bucal dos animais?

Assim como os seres humanos, os bichos acumulam tártaro e restos de comida nos dentes após comerem. A diferença é que nós escovamos os dentes várias vezes ao dia, enquanto os bichinhos não têm essa opção. O acúmulo de tártaro pode ocasionar a doença periodontal: inflamações crônicas na gengiva causadas por bactérias que, se não tratadas, podem levar à perda da dentição. Mas não é só isso: a infecção pode evoluir e se instalar em vários outros órgãos, como coração, rins e articulações. “O problema é que é muito difícil o paciente demonstrar dor, então, os sintomas nem sempre são percebidos”, explica Michele Venturini, veterinária especialista em odontologia para animais e proprietária da clínica OdontoVet. (Veja quadro)

Um importante sinal de que há algo errado é a halitose, sintoma muitas vezes ignorado pelos tutores (especialmente, os de animais idosos) e representa o início da inflamação. Segundo Venturini, o bafo de cão não é normal. “A halitose é a fermentação das bactérias da boca. A placa bacteriana fermenta, se calcifica e forma o tártaro”, detalha a especialista. Maria Izabel Ribas Valduga, sócia-fundadora e diretora da Associação Brasileira de Odontologia Veterinária (Abov) e proprietária do Odontocão, diz que os problemas odontológicos mais comuns em animais incluem, além da doença periodontal e da gengivite, os dentes de leite persistentes, dentes fraturados, tumores, cáries e lesão de reabsorção dental (doença que acomete os dentes permanentes dos gatos).

A primeira consulta ao veterinário odontológico deve ser feita aos seis meses de idade, de acordo com Maria Valduga, para que o profissional faça a avaliação da troca dental e inicie um programa preventivo. “Essa é a melhor idade para condicionar seu animal à escovação dental. Caso ele já seja adulto,  você precisará ter um pouco de paciência e muita persistência, mas, com carinho, terá bom resultado”, completa.

Além da escovação, a profissional ensina outros truques para ajudar a prevenir o tártaro em bichos: tiras mastigáveis com enzimas capazes de remover o tártaro; mordedores; brinquedos de couro; e aditivos específicos para tal finalidade, que são colocados na água, são boas opções. “Alimento seco é comprovadamente mais interessante para saúde bucal do que alimento úmido”, completa Maria Valduga.

Herbert Correa, veterinário odontológico da Odontovet, explica que a faixa etária do animal também determina, muitas vezes, quais são os cuidados a serem tomados.

Para filhotes, por exemplo, a orientação profissional “ajuda no desenvolvimento de hábitos saudáveis, como a escovação diária dos dentes, que é muito importante para a manutenção da saúde oral”. Acompanhar a troca da dentição também é importante: “Se um dente nascer errado ele pode causar sérios prejuízos à saúde. Caso não nasça também é um problema e deve ser investigado”, pontua Correa.

Para cães e gatos adultos, a indicação é passar por avaliação odontológica pelo menos uma vez por ano. Caso seja necessário algum procedimento odontológico, o médico frisa que o animal, por mais dócil que seja, deve sempre ser sedado com anestesia geral inalatória. “Tem sido divulgada com frequência a realização de limpeza de tártaro sem anestesia. Tal prática é condenada por várias associações odontológicas veterinárias ao redor do mundo, inclusive a Abov”, alerta Herbert Correa.

Fique atento!


Caso seu animal esteja com algum desses sintomas, pode ser a hora de levá-lo ao dentista:
Halitose;
  • Não quer mais roer ossinhos;
  • Diminuição da energia/prostração;
  • Sonolência em excesso;
  • Passa a rejeitar ração seca, preferindo a amolecida;
  • Passar as patas na boca constantemente;
  • Salivação espessa, em excesso e com cheiro forte;
  • Emagrecimento;
  • Mastigação concentrada em apenas um lado da boca (ou intercalada constantemente);
  • Sangramento gengival.


Fontes: Maria Izabel Ribas Valduga, sócia-fundadora e diretora da Associação Brasileira de Odontologia Veterinária (Abov) e proprietária do Odontocão; Michele Venturini, veterinária especialista em odontologia para animais e proprietária da clínica OdontoVet; Herbert Correa, veterinário odontológico da Odontovet.

Principais tratamentos


Veja os procedimentos mais comuns, de acordo com o médico veterinário Herbert Correa:

  • A limpeza dentária, sem dúvida, é o principal tratamento odontológico realizado em cães e gatos. O motivo é simples: cerca de 85% dos animais sofrem de doença periodontal;
  • Tratamento de canal, em geral, é feito quando há um dente quebrado;
  • Próteses podem ser colocadas tanto para recuperar um dente quebrado como para proteger um dente quebrado contra novas fraturas;
  • Tratamentos ortodônticos, em geral, servem para corrigir dentes que nasceram fora de posição e estejam causando algum problema;
  • Restaurações, para casos de dentes fraturados;
  • Cirurgias para remover tumores orais;
  • Cirurgias para correção de fraturas de mandíbula e maxilar;
  • Cirurgias para reconstrução de defeitos do céu da boca (palato).

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