Síndrome do Coração Partido também castiga corações inteiros, diz estudo

Condição típica de quem experimenta dor intensa, como a da dor-de-cotovelo, também afeta quem passa por momentos de extrema felicidade

por Cecília Emiliana 03/03/2016 14:33

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Se há mesmo vida após a morte, o filósofo Blaise Pascal (1623-1632), autor da célebre reflexão de que “o coração tem razões que a própria razão desconhece”, hoje certamente abriu um sorriso no canto da boca, daqueles cujo subtexto é: “não falei?”.

Cientistas - categoria que há séculos se esforça para desvendar os mistérios do coração - fizeram recentemente mais uma curiosa descoberta sobre ele: dor e alegria, as vezes, causam danos idênticos a essa complexa bomba de sangue.

O fato foi divulgado nesta quinta-feira no periódico European Heart Journal. Conduzido por pesquisadores suíços, ele é fruto de uma investigação que detectou que a “Síndrome do Coração Partido”, que geralmente ocasiona problemas coronários em pessoas que passam por episódios de sofrimento emocional intenso - como perda de entes queridos ou término de relacionamentos - também acomete aqueles que experimentam felicidade extrema. 

Chamada ainda de “Síndrome de Takotsubo (TTS), a enfermidade causa desordem no ventrículo esquerdo e pode levar um ataque cardíaco. A condição, felizmente, é curável, com recuperação total do afetado em aproximadamente 8 semanas depois de iniciado o tratamento.

Batizada de “Síndrome do Coração Feliz”, a nova faceta da patologia se revelou por meio de uma experiência realizada com 1750 pacientes diagnosticado com TTS de 9 países diferentes. Uma das principais constatações da pesquisa foi de que, entre os 485 participantes que desenvolveram a doença por questões emocionais, 96% atravessaram luto, acidente, entre outros acontecimentos traumáticos. Contudo, 20 pessoas deste grupo apresentaram o problema após passarem por circunstâncias de muito contentamento, tais como: festa-surpresa de aniversário, casamento, ou vitória do time favorito em algum campeonato importante. 

A média de idade dos indivíduos (a maioria do sexo feminino) com a síndrome disparada por tristeza é de 65 anos, enquanto a faixa etária daqueles cuja TTS foi desencadeada por ocorrências alegres gira em torno de 71 anos.  

Em entrevista ao jornal Independent, a Drª Jelena Ghadri, do Hospital Universitário de Zurich, na Suíça (onde o primeiro caso do mundo de TTS foi registrado), fez um alerta aos profissionais de saúde. Segundo Ghadri, eles devem ficar atentos a pacientes que apresentarem sintomas de ataque cardíaco, como dores no peito ou falta de ar após momentos contentes. Eles podem ser portadores da Síndrome do Coração Feliz.

As origens da disfunção permanecem desconhecidas. Dr Christian Templin, co-autor do estudo publicado no European Heart Journal, ponderou apenas que a chave para compreender a descoberta esteja na natureza dos dois sentimentos - tristeza e felicidade: “Embora sejam sensações distintas, é possível que elas compartilhem um caminho parecido pelo nervoso central, que desemboque em algo que acione a TTS", observou.


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