Pisar de forma errada pode comprometer a saúde do corpo e gerar muitas dores

Principais pontos afetados pela pisada torta são joelhos, quadril, articulações e coluna vertebral

por Augusto Pio 11/02/2016 15:00

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Alex Bramwell / Freeimages.com
Antes de corrigir os tipos de pisada, é preciso saber se o indivíduo tem alguma dor ou incômodo nos pés, tornozelos ou joelhos (foto: Alex Bramwell / Freeimages.com)
Para muitas pessoas pode até parecer bobagem, mas pisar torto é algo muito sério e pode trazer sérias consequências ao organismo. É preciso ficar atento ao tipo de pisada para evitar incômodos, sendo que os principais pontos afetados são joelhos, quadril, articulações e coluna vertebral. Se a pessoa compra um sapato novo e, depois de utilizá-lo, percebe que um lado está mais desgastado do que o outro ou que o calçado está totalmente deformado, pode ser um sinal de alerta em relação à pisada. Pisar de forma errada ou torta pode comprometer toda a saúde do corpo e, consequentemente, gerar muitas dores.

De acordo com o fisioterapeuta Giuliano Martins, diretor regional da Associação Brasileira de Reabilitação de Coluna (ABRColuna), o corpo acaba realizando compensações que, muitas vezes, elevam a sobrecarga das articulações do joelho, quadril e principalmente da coluna, causando fortes dores. “Antes de corrigir os tipos de pisada, é preciso saber se o indivíduo tem alguma dor ou incômodo nos pés, tornozelos ou joelhos. Em caso positivo, é fundamental realizar um teste de pisada, para que seja verificado algum desalinhamento no caminhar. Caso o erro na pisada justifique as dores, é essencial a correção para se evitarem graves transtornos. O diagnóstico do 'pé chato' inclui exame físico, no qual é avaliado o movimento do pisar e a forma mecânica do caminhar descalço e com sapato. É observada também a parte da frente e a de trás do pé, para verificar o padrão de gasto da sola do calçado. Além disso, caso o paciente sinta muitas dores, ele pode solicitar exames para integrar a avaliação”, explica o fisioterapeuta.

O ortopedista Wagner Vieira da Fonseca explica que há três tipos de pisadas: neutra, supinada e pronada. “A pisada neutra é a ideal, na qual não há nenhum desvio excessivo para dentro ou para fora do apoio do pé. Normalmente, o arco (a curva da planta do pé) é de altura dentro de um padrão normal, nem muito elevada e nem muito baixa. Quando olhamos por trás, o calcanhar (osso calcâneo), o eixo do calcâneo e da perna são bem alinhados e o eixo mecânico (linha imaginária de distribuição de peso ou carga que deve passar no centro da cabeça do fêmur, no quadril, no centro do joelho, no centro do tornozelo e se alinha com o segundo dedo – aquele ao lado do hálux ou dedão do pé –, quando visto de frente é correto.”

Arte: EM / D.A Press
Se a pessoa compra um sapato novo e, depois de utilizá-lo, percebe que um lado está mais desgastado do que o outro ou que o calçado está totalmente deformado, pode ser um sinal de alerta em relação à pisada (foto: Arte: EM / D.A Press)
Na supinada, os problemas podem ser instabilidade lateral dos tornozelos, lesão dos tendões fibulares e do tendão calcâneo, fascite plantar (esporão calcâneo), fraturas de estresse base V MTT (fratura espontânea do quinto metatarso), fricção da banda iliotibial (joelhos), associação com geno-varo (artrose e lesão meniscal medial). Na pronada, os problemas mais frequentes são fascite plantar, dor medial no joelho, dor lateral no quadril, lombalgia e varizes. Wagner alerta que é importante nunca usar tênis de pisada pronada quando se tem a supinada. “Os tênis de corrida de pisada pronada jogam mais para fora o calcâneo e, frequentemente, causam lesões nos tendões laterais se utilizados na pisada supinada. Já o inverso não oferece tanto problema. Os tênis esportivos de pisada supinada são utilizados na pisada neutra ou supinada em sua maioria e, na realidade, o ideal é associar as palmilhas aos tênis.”

Wagner salienta que, na pisada pronada, normalmente, o pé é sem curva ou com curva baixa e, frequentemente, o calcâneo ou o calcanhar, quando visto por trás, cai para dentro (valgo do calcâneo). “Nem sempre há o desgaste interno do sapato. Pode até ocorrer o desgaste na parte lateral do calçado pelo hábito de as pessoas baterem o calcanhar na face lateral ao dar o passo na fase que chamamos de choque do calcâneo. O eixo mecânico se desvia para fora. Muitas vezes, os joelhos são valgos (arqueados para dentro).”

Para corrigir, o ideal é, inicialmente, identificar o tipo de pisada. “Existem tênis para corridas que vêm específicos para os tipos de pisadas. Um profissional da área de saúde, como um educador físico, fisioterapeuta ou ortopedista, pode orientar sobre o tipo de pisada. Mas, grosseiramente, avaliando-se o eixo mecânico e as variações da pisada, olhando-se de frente, com apoio, e por trás, pode-se identificar se os joelhos são valgos ou varos, se o quadril está desnivelado, se os calcâneos são para fora (varo) ou para dentro (valgo) e a altura do arco plantar. Baseado nisso, o ideal seria usar alguma palmilha se houver desvios, para prevenir dores nas caminhadas e esportes. Outro item a avaliar é se há encurtamento dos membros inferiores (discrepância no comprimento). Logicamente que alguns milímetros não são de se preocupar. O organismo adapta-se muito bem com pequenos desvios e é muito raro haver simetria exata no corpo humano”, ressalta Wagner.

TORÇÕES

Wagner explica que crianças abaixo de 5 anos normalmente têm pés chatos e os fatores genéticos são os maiores predisponentes para que evoluam com estes. “Muitas vezes, as crianças têm pés sem curvas e valgos até os 5 ou até por volta dos 10 anos. Então, se não há desvios importantes, essa faixa é uma boa idade para se fazer a avaliação. Se há alguma assimetria ou deformidade muito acentuada, pode-se avaliar antes, em qualquer idade. À medida que vão crescendo é que a curva do pé vai se definindo, bem como o eixo mecânico. Não há indicação para utilizar palmilhas em crianças muito novas”, esclarece o especialista.

“À medida que a criança cresce e vai se aproximando dos 10 anos, se tem pés pronados ou bastantes chatos é preciso avaliar se tem boa mobilidade ou se há alguma restrição de movimentos. Se houver restrição, pode ser alguma fusão parcial entre alguns ossos e que é cirúrgica. Frequentemente, essas crianças torcem o tornozelo, pois o pé é mais rígido e causa instabilidade. O pé flexível, se não deformado excessivamente, é passível de ser tratado só com o alinhamento do eixo mecânico. A dificuldade é para as meninas, que, quando crescem, não querem o pé todo desabado e sem curva. Com os meninos não há problema, pois homens só usam calçados fechados”, ressalta Wagner.

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