Ministra indiana quer exame pré-natal para impedir feticídio de meninas

Exames para descobrir o sexo do bebê estão proibidos na Índia para evitar que os pais que desejam um menino provoquem abortos dos fetos femininos

por AFP - Agence France-Presse 02/02/2016 10:04

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REUTERS/Adnan Abidi - 11/7/2006
Mulheres ativistas da Índia durante um comício anti- feticídio em Nova Deli (foto: REUTERS/Adnan Abidi - 11/7/2006 )
Uma ministra indiana defendeu nesta terça-feira (02/02) a necessidade de estabelecer um exame pré-natal obrigatório para detectar o sexo das crianças, com o objetivo de reduzir os elevados níveis de feticídio de meninas no país.

Os exames para descobrir o sexo do bebê estão proibidos na Índia para evitar que os pais que desejam um menino provoquem abortos dos fetos femininos.

Mas a ministra da Mulher e Desenvolvimento da Infância, Maneka Gandhi, viúva de um dos descendentes de Indira Gandhi, propôs uma alteração da política, que consistiria em conhecer o sexo do feto o mais rápido possível e supervisionar a evolução da gravidez.

"Na minha opinião, temos que mudar a política atual. Cada mulher grávida deve saber obrigatoriamente se é um menino ou uma menina", disse Maneka Gadhi em um discurso em Jaipur (norte).

"Qualquer mulher grávida deve ser registrada e, desta forma, poderemos acompanhá-la até o final e saber se deu à luz ou não e o que aconteceu", completou a ministra.

Atualmente, os pais e os médicos podem ser condenados a até cindo anos de prisão caso tentem descobrir o sexo do bebê ou realizem um exame pré-natal, mas a ameaça penal não conseguiu acabar com uma tradição muito propagada.

O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, fez um apelo para que os compatriotas parem de matar os fetos femininos, apontando que o desequilíbrio entre os sexos pode ter graves consequências.

Um estudo publicado em 2011 pela revista britânica The Lancet indicou que nos 30 anos anteriores a Índia registrou 12 milhões de abortos por causa do sexo feminino do feto.

A Índia tinha em 2011 uma proporção de 940 mulheres para cada 1.000 homens, um pouco superior a de 2001, que era de 933 por 1.000.

Os dados justificam, segundo algumas ONGs, a proibição dos exames de pré-natal.

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