OMS quer ser notificada sobre todo caso de infecção por zika registrado no mundo

Entidade cobra que os governos de todo o mundo sejam "transparentes" em relação ao número de casos e confirma que detectou um caso em que há uma "possível transmissão" do vírus por uma relação sexual

por Agência Estado 25/01/2016 12:08

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
AFP PHOTO / DPA / JOERG CARSTENSEN
"Ebola mostrou que um surto num lugar pode chegar rapidamente ao outro lado do mundo" - Margaret Chan (foto: AFP PHOTO / DPA / JOERG CARSTENSEN)
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que o zika vírus vai se proliferar por todos os países das Américas e cobra governos de todo o mundo para que sejam "transparentes" em relação ao número de casos. Para a entidade, a "explosiva proliferação" é "preocupante". Na manhã desta segunda-feira (25/01) a diretora-geral da entidade, Margaret Chan, se pronunciou pela primeira vez sobre os casos nas Américas e fez questão de exigir que governos notifiquem a OMS de todos os casos registrados.

A organização foi duramente afetada pela demora em lidar com o surto do ebola, a partir de 2014. A OMS foi obrigada a passar por uma reforma e adotou uma postura de maior controle sobre surtos pelo mundo, justamente para evitar que possam se proliferar sem controle.

"Ebola mostrou que um surto num lugar pode chegar rapidamente ao outro lado do mundo", disse Chan. "Estamos mais alertas. Não existem mais surtos locais", insistiu. Investigações internas na entidade apontaram que governos e mesmo entidades internacionais abafaram por meses os casos de Ebola, na esperança de que o surto desaparecesse sozinho, sem afetar as economias locais. A OMS também admitiu sua culpa ao fazer um alerta sobre o caso apenas quatro meses depois dos primeiros registros.

Falando sobre o caso do zika vírus, a diretora apelou a todos os governos que sigam o regulamento internacional de saúde e que notifiquem cada um dos casos para a OMS. "Pedimos transparência a todos os países", alertou. "A proliferação explosiva do vírus a novas áreas geográficas, com populações com pouca imunidade, é outra causa de preocupação", disse.

O principal temor ocorre diante da possível ligação entre a infecção e a microcefalia, disse Chan. "Essa relação não tem sido estabelecida. Mas os indícios são preocupantes", apontou, alertando ainda que sintomas neurológicos também tem sido registrados.

Proliferação
Num comunicado emitido, a entidade regional da OMS - a Organização Panamericana de Saúde - constatou que a proliferação do zika vírus vai continuar e que governos e sociedades precisam estar prontos para lidar com os casos. Num total, 21 países das Américas já registram casos. Mas a previsão é de que todos os locais com a presença do mosquito Aedes "provavelmente" terão a doença.

O mosquito está presente em todos os países do Hemisfério Ocidental, salvo no Chile e Canadá. "A Opas antecipa que o Zika vírus vai continuar a se espalhar e provavelmente vai atingir todos os países e territórios onde os mosquitos sejam encontrados", disse.

Na quinta-feira, em Genebra, a OMS fará uma reunião especial sobre o tema, com todos os países implicados.

Transmissão
A OMS também confirmou que detectou um caso em que há uma "possível transmissão" do vírus por uma relação sexual. Mas novas evidências serão necessárias para determinar se esse caso é apenas isolado.

No que se refere às grávidas, a entidade em Genebra pede que as mulheres sejam "cuidadosas" e que visitem seus médicos antes de viajar para regiões afetadas.

Mas não faz qualquer tipo de recomendação sobre adiar gravidezes nos países afetados. Jamaica, Colômbia, Equador e El Salvador anunciaram na semana passada que estavam sugerindo às mulheres que adiassem planos de ter filhos.

Para a Opas, porém, "qualquer decisão de adiar uma gravidez é individual, entre a mulher, seu parceiro e seu médico".

A melhor forma de proteção continua sendo a de combater os focos do mosquito e usar repelente, além de camas com redes e roupas de manga larga.

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE SAÚDE PLENA