Tenha atenção com os resíduos que você gera

Cor, aspecto e odor das fezes e da urina podem dar sinais de problemas de saúde. Especialistas defendem a importância de olhar para o que excretamos

por Carolina Cotta 11/01/2016 17:00

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QUINHO
(foto: QUINHO)
Você olha para o seu cocô? Sabe quando ele está diferente? E se nota algo estranho, você procura um médico? As características das fezes refletem muito de nossos hábitos e de nossa saúde. O mesmo serve para a urina. Cor rosada, avermelhada, acastanhada ou mesmo esverdeada sugere problemas importantes e a necessidade de uma investigação, assim como o xixi com espuma ou aparência efervescente, um alerta importante para a perda de proteína e um possível problema renal. Se você acha essa “inspeção” desagradável, comece a olhar para o que sai de você de forma mais natural, porque, segundo especialistas, é preciso ficar de olho no que excretamos.

Mas o que não é “normal”? Com o que comparar se não vemos as fezes do outro? Segundo Sinara Leite, presidente da Sociedade Mineira de Coloproctologia e professora da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, o que conseguimos é saber o que é mais comum para nós mesmos e isso já é parâmetro para identificar alterações no aspecto, cor e cheiro das fezes e na frequência de evacuação. Alguns critérios, contudo, determinam a margem do que é saudável. Muco nas fezes, por exemplo, pode ser sinal de intestino preso, mas também de tumor. Assim como sangue pode ser decorrente de hemorroida e fissura anal, mas também ser sinal de câncer no intestino. Nesses casos uma colonoscopia é essencial.

“Fezes que variam de pastosa a formadas, embora macias, têm pH neutro e, portanto, não vão agredir o ânus nem mecânica, nem quimicamente. Fezes muito moles, líquidas, têm pH alterado e por isso “queimam”, assam e provocam ardência, já que o pH alterado irrita a pele. Já as fezes muito duras agridem mecanicamente porque vão exigir esforço para ser evacuadas e podem rasgar o canal anal”, explica Sinara. Para a especialista, um parâmetro subjetivo, mas que serve tanto para a qualidade das fezes quanto para o ato de evacuar é responder positivamente à seguinte pergunta: Quando acaba de evacuar, você fica feliz?

“Se surgiu a vontade, a pessoa evacuou naturalmente, sem esforços, se não “queimou” e ao final teve a sensação de estar livre, de não ter ficado nada para trás, então é o que eu chamaria de saudável. Tem gente que vai conseguir isso uma vez a cada dois dias; outras pessoas, duas a três vezes ao dia. A frequência de evacuação não é o mais importante, desde que mantenha um padrão”, explica Sinara. Mudanças nesse padrão, sangue e muco já são sinal de alerta e devem ser examinados. Tanto um clínico geral quanto um coloproctologista ou gastroenterologista podem ser procurados nesse caso. “Sangue nunca é normal, muco pode ocorrer se a pessoa ficar constipada muitos dias”, explica.

A frequência de evacuação é extremamente individual. Segundo a presidente da Federação Brasileira de Gastroenterologia, Maria do Carmo Friche Passos, professora-associada da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o funcionamento normal do intestino varia de três vezes ao dia até três vezes por semana. “O que não é normal é quando isso muda muito. A pessoa deve conhecer o seu padrão para perceber quando houver uma mudança significativa nesse ritmo intestinal”, alerta. Uma mudança temporária pode ser normal, caso de pessoas que viajam ou mudam de casa e por um tempo têm essa alteração. Mas, se ela permanece é preciso procurar a origem do problema.

APARÊNCIA A aparência das fezes também merece atenção. “Fezes amolecidas, pastosas, líquidas, com resto de alimento, com sangue, escuras como borra de café, muito claras ou gordurosas são casos de alteração. “Às vezes, a pessoa abusa no consumo de gordura e o organismo elimina o excesso do que não conseguiu absorver. Se a gordura é pontual, se a pessoa consegue explicar seu motivo, é uma coisa, mas, se ela permanece, precisa ser investigada”, sugere. As fezes, normalmente, são uma massa formada de fibras e micro-organismos. Fezes em cíbalos, ou “de cabritinho”, são sinal de constipação intestinal, o que pode ser melhorado com aumento de fibras solúveis (das frutas) e insolúveis (dos cereais).

Segundo Sinara, as fezes melhores de serem evacuadas são aquelas que têm formato similar ao de uma banana. “São compridas, têm calibre normal e, ao evacuar, saem de uma vez só, sem muito esforço”, explica. Quanto à cor, o mais comum é que variem de amareladas a amarronzadas. Segundo a especialista, fezes pretas como borra de café e de odor fétido, a chamada melena, merecem ainda mais atenção. Elas significam que há um sangramento no tubo digestivo alto, caso do estômago ou duodeno. Durante seu percurso até ser evacuada, ela vai sofrendo processos químicos e vai se escurecendo”, explica.

 

EM ARTES
(foto: EM ARTES)
 



XIXI TAMBÉM TEM MUITO A DIZER

No caso da urina, a cor é um dos principais aspectos a serem observados. Segundo José de Resende Barros Neto, diretor-presidente da Sociedade Mineira de Nefrologia e coordenador do Serviço de Nefrologia do Hospital Felício Rocho, também é importante observar se há sangue ou pus na urina, assim como se ela tem aspecto espumoso. A urina clara, segundo José de Resende, é sinal indireto de que a pessoa está bem hidratada. “Quando perguntam o quanto de água devemos beber, digo que o suficiente para deixa a urina clara. Quem usa diurético deve ter cuidado, assim como quem abusou do álcool.”

Urina de cor que vai do amarelo-claro ao transparente, sem sangue ou pus e, de preferência, que saia com facilidade é um bom sinal. Em homens idosos, em decorrência de problemas na próstata, o jato pode ficar mais fraco. Mas atenção à espuma, que pode ser sinal de perda de proteína na urina. A ocorrência do problema isolado pode até ser efeito de um resíduo de sabão no vaso, mas se persistir, um médico deverá ser consultado. Espuma também pode ser resultado de uma infecção, que pode levar à eliminação de um pouco de proteína na urina. Outros sinais de infecção são urinas turvas, avermelhadas, mais escurecidas. “Qualquer inflamação no trato urinário pode dar pus, mas ele aparece mais em casos avançados”, explica o nefrologista.

Já sangue na urina pode sugerir comprometimento renal, cálculo renal e mesmo neoplasias. “Quando chega ao consultório um paciente urinando sangue, primeiro observo a idade. Se for um idoso que fumou por muitos anos, posso desconfiar de um tumor de bexiga. Sempre combinamos os dados à história clínica”, explica. O sangue, mesmo em pequena quantidade, pode ser capaz de tornar a urina totalmente vermelha ou com tons amarronzados. Já alguns medicamentos, como analgésicos, e bactérias podem deixá-la esverdeada. “Qualquer cor que fugir do tom amarel- claro demanda atenção. Adultos hipertensos, com diabetes ou problemas renais na família devem fazer pelo menos um exame de urina de rotina por ano. Os demais devem fazer a cada checape. É um exame simples, barato e que dá muita informação sobre a doença renal, habitualmente assintomática.”

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